Formação Esportiva · Opinião do autor

O minibasquetebol na escola e o futuro do nosso basquetebol

Amigos do Basquetebol

Publiquei vários posts referentes à formação do atleta e do profissional para atuar em categorias de base neste blog (visitar a categoria Formação Esportiva).

Este é um tema recorrente nas rodas de “basqueteiros” onde em sua maioria há uma concordância sobre a má qualidade da formação tanto dos atletas quanto dos profissionais que atuam nessas faixas etárias iniciais.

Por ocasião do lançamento do livro e do programa “Minibasquetebol na escola” tive a oporunidade de me dirigir ao público presente (pequeno na verdade) para mais uma vez expressar minha opinião convicta de que se não voltarmos nosso foco para a escola nosso futuro esportiva será negro.

O foco das nossas “autoridades” esportivas continua sendo ganhar medalhas olímpicas. Muito justo. Mas eles esquecem que medalhas são fruto de um trabalho a longo prazo e que demanda muito investimento, principalmente nas escolas que há muito deixaram de colocar o esporte em suas grades e aulas de educação física. Cada vez mais nossas crianças se afastam da prática para dar lugar a um “blá-blá-blá” político/filosófico que não leva a lugar nenhum. Ou melhor leva sim: leva ao fundo do poço esportivo.

Cada vez mais dependemos do casuísmo. Daquele atleta que surge em meio do nada e se torna um “herói” salvador da pátria. E os anos passam o herói é esquecido e a cada ciclo olímpico começamos tudo de novo.

Neste programa que lançamos agora o foco é no resgate do basquetebol escolar. Tarefa insana, mas não impossível. Também focamos a participação das crianças através de atividades atrativas e inclusivas que deem a todos as mesmas oportunidades de participação e não priorizar somente os mais habilidosos, o que acontece atualmente ma maioria das competições das categorias de base, especialmente no basquetebol.

Temos um modelo competitivo (no minibasquetebol) ultrapassado e fracassado. Cada vez temos menos equipes participando de campeonatos organizados de forma absurda e que nos colocam frente a situações grotescas promovidas por técnicos que se submetem a qualquer coisa para ganhar a qualquer custo e a pais alucinados que exigem que seus filhos sejam campeões a qualquer custo.

O que procuramos é um novo modelo. Eu tenho conhecimento que há inúmeros projetos que desenvolvem o basquetebol dentro deste modelo inclusivo pelo Brasil afora. Projetos que são tocados por verdadeiros heróis que mesmo sem o apoio merecido colocam em quadra centenas de crianças praticando o basquetebol de forma lúdica e prazerosa.

A esses abnegados faço um convite: vamos nos unir, compartilhar conhecimentos, trocar ideias para que possamos mudar esta triste realidade que ronda nosso basquetebol, principalmente na base que é renegada ou muito mal tratada por instituições, federações e pela própria CBB.

Vamos colocar mais crianças jogando com satisfação onde o processo seja mais importante que o produto. Onde a particiapação seja mais importante que uma medalha de campeão. Onde o prazer de jogar fale mais alto.

Quero lembrar àqueles que defendem este modelo arcaico de “ser campeão a qualquer custo” que a maioria dos “campeões” que eles supostamente formaram, não chegaram e nem vão chegar a lugar nenhum no esporte, pois o caminho é longo e cheio de obstáculos.

Então porque não pensar na grande quantidade de crianças que poderão, através do minibasquetebol, se tornar apreciadores do esporte, praticar qualquer outro esporte ou atividade física, tornando-se um cidadão saudável e responsável.

É claro que no meio desta multidão de pessoas comuns, poderão surgir os grandes atletas. E se isto acontecer, tenham a certeza que não será por simples casuísmo mas sim pelo trabalho  e pela sementinha que qualquer um de nós pode plantar. Só depende de nossa vontade e do nosso esforço.

 

 

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Entrevistas · Jogos Olímpicos · Jogos Pan-Americanos

O Basquetebol brasileiro em cadeiras de rodas

Amigos do Basquetebol

Neste post trago uma entrevista que realizei com o técnico da seleção brasileira de basquetebol em cadeiras de rodas que está treinando em S.Caetano preparando-se para o ParaPan e Parlimpíadas, Antonio Carlos Magalhães, mais conhecido como Pulga, ex-atletas que atuou muitos anos no basquetebol carioca.

Falamos sobre as possibilidades da nossa seleção nessas competições, comparação com outros centros, estrura e outros assuntos.

Antonio Carlos assumiu este projeto em junho de 2013 mas já teve passagens por seleções Parlímpicas de basquetebol como  técnico em Atlanta e assistente técnico em Beijing. A melhor colocação brasileira foi um nono lugar, mas ele acredita que o atual grupo poderá surpreender e obter inéditas medalhas no Pan e nos Jogos Paralímpicos, apesar de ter obtido classificação no último Mundial.

O trabalho que está sendo realizado é muito forte e com as melhores condições até agora.

Alguns fatores contribuem para que isto seja possível: a melhoria da estrutura do esporte, um maior intercâmbio com forças mundiais (especialmente a Grã Bretanha e a Argentina), um maior envolvimento dos atletas  e melhora de suas condições.

Quanto a estrutura, além das melhores condições de treinamento e sobrevivência no esporte dada aos atletas, já que muitos já podem ser considerados profissionais em suas equipes de origem, a seleção conta com uma comissão técnica qualificada que, além de um técnico especialista, tem um assistente técnico italiano experiente (Mateo Ferriani) com passagens por equipes italianas e seleção australiana e que atualmente trabalha em São José do Rio Preto, fisioterapeuta, coordenadora (Maria de Fátima) para cuidar dos assuntos administrativos e um mecânico que cuida da manutenção das cadeiras de rodas que são em sua totalidade importadas pois no Brasil não há fabricantes deste material que ofereçam aos atletas melhores condições de atuar. Mas uma empresa brasileira está fazendo um trabalho de análise científica para produzir no Brasil cadeiras adequadas e em nível das mesmas fabricadas internacionalmente. Este projeto deverá ser finalizado até fevereiro de 2016. Nas viagens internacionais há o acompanhamento de um médico. Além disto há um trabalho de marketing desenvolvido pela Confederação Brasileira….

Sobre o intercâmbio, durante muito tempo o Brasil não teve a oportunidade de medir forças com grandes potências do esporte onde se destacam Estados Unidos, Grã-Bretanha, Canadá, Austrália, Espanha e Argentina entre outros. No ano passado, o Brasil realizou três partidas contra a Grã-Bretanha tendo vencido uma. Na primeira partida o Brasil entrou com um sentimento de que eles eram os todo poderosos e perdemos de 17 pontos. Já na segunda partida foram feitas várias experiência e o Brasil superou o trauma e venceu por 12 pontos e na terceira partida perdemos por 2 pontos na prorrogação após estarmos perdendo de 20. Enquanto esta seria a sétima partida brasileira em nível internacional, os ingleses já haviam disputado cerca de 47 partidas internacionais. Esta falta de enfrentamento com forças internacionais, inicialmente, trazia para os brasileiros uma sensação de inferioridade que foi se dissipando com o passar dos jogos. Outro fator interessante foi o sentimento dos jogadores em relação à torcida, entendendo que ela exercia uma pressão muito grande sobre a equipe. Mas com o passar do tempo a equipe passou a entender a torcida como um fator de pressão sobre os adversários. Portanto, isto mais uma vez constata que a falta de jogos internacionais pode fazer a diferença.

Para essas competições o técnico Antonio Carlos considera que o Brasil estará muito bem preparado pois os atletas estão muito envolvidos com o objetivo, sendo que muitos abriram mão de suas férias e compromissos para se dedicar exclusivamente ao projeto olímpico. Além disto muitos atletas já são profissionais em suas equipes apesar de ainda haver muitas equipes amadoras que se desdobram para obter recursos e manter seus atletas em atividade. Esta melhora também se deve à própria política das pessoas com deficiência em vários setores da sociedade. O Comitê Olímpico incentiva o atleta a trabalhar, fazer cursos para que possa ter uma melhor estrutura de vida.

Sobre o basquetebol em cadeira de rodas no Brasil, Pulga afirmou que houve uma grande melhora inclusive em nível do equipamento. Antonio Carlos fez uma analogia do nosso equipamento em relação ao usado pelas grandes equipes como se contra uma Ferrari entrássemos com uma Toleman ou Copersucar. Existem 4 divisões no país, cada uma com 12 equipes sendo que ainda há várias equipes que não fazem parte das divisões de acesso o que não deixa de ser uma surpresa para todos que não acompanham o esporte. A federação mais bem organizada é a Paulista que hoje tem as quatro melhores equipes do país. Há um campeonato brasileiro disputado em uma semana no final do ano. Existem também alguns campeonatos regionais.

Um dos grandes problemas vividos pelo esporte ParOlímpico no país é a falta de divulgação e cobertura da mídia. Lembrando que isto não se restringe ao basquetebol. Outros esportes também sofrem com esta falta de divulgação apesar do Brasil ter no esporte ParOlímpico um sucesso muito grande em relação ao esporte Olímpico. Basta verificarmos o número de medalhas obtidas pelo primeiro em relação ao segundo. Apesar disto tudo não houve o Isto desenvolvimento esperado para os esportes ParOlímpicos. Isto acontece também nos outros esportes, pois mesmo com a Copa do Mundo e Jogos Olímpicos deixa-se de lado a competência técnica para se privilegiar as indicações políticas.

Outro fator que preocupa Antonio Carlos e com o qual ele não concorda é em relação ao desequilíbrio que às vezes acontece nos investimentos. Em alguns casos investidores aplicam seus recursos em um único atleta deixando de investir nos esportes coletivos pois estes não trazem o mesmo número de medalhas que os individuais. E isto é um equívoco pois os maiores investimentos sempre beneficiarão os mesmos atletas. E isto não é justo com o basquetebol que é o esporte que mais mobiliza uma pessoa que sofre um trauma. É o primeiro esporte que um lesionado tem contato quando é encaminhado a centro de recuperação. Aos olhos dos investidores o basquetebol é caro, investimento em muitos atletas e que traz uma única medalha. Além de tudo o basquetebol é um jogo emocionante que não pode descartar o momento do atleta, a imprevisibilidade e os desafios impostos aos atletas.

Apesar de tudo, o técnico da nossa seleção acredita que o quadro tem melhorado o que aumenta as esperanças de bons resultados no futuro.

Como mensagem final ele gostaria que as pessoas se informassem através do sites da CBBC e do Comitê Paralímpico. A seleção fará um amistoso contra a Argentina em Jundiaí e ele acredita que esta seleção está muito bem estruturada para as competições com muitos treinos. Esse time fará história devido ao comprometimento dos atletas e o foco em um objetivo comum que é obter a medalha olímpica.

Sites para busca de informações:

http://www.cpb.org.br/portfolio/basquetebol-em-cadeira-de-rodas/

http://www.cbbc.org.br/

 

Seleção Brasileira de Basquetebol em Cadeira de Rodas em treinamento para o Pan e Jogos Olímpicos
Seleção Brasileira de Basquetebol em Cadeira de Rodas em treinamento para o Pan e Jogos Olímpicos
Opinião do autor · Todos os posts

Uma reflexão sobre o público nos jogos de basquetebol no Brasil

Amigos do Basquetebol

A conquista da Liga das Américas pelo Paschoalotto Bauru é incontestável e atesta o atual nível do nosso basquetebol que vem ressurgindo gradativamente no cenário mundial.

No caso da Liga das Américas esta é a terceira conquista consecutiva – 2012 Pinheiros; 2013 Flamengo e 2014 Bauru.

Infelizmente não tivemos uma final brasileira mas a presença do Paschoalotto Bauru na final deveria ser, por si só, um motivo para que houvesse um público significativo no Maracananzinho. Mas, infelizmente, não foi isso o que aconteceu.

Foi frustrante ver o ginásio praticamente vazio e mesmo no dia anterior com a presença do Flamengo ainda lutando pela vaga na final, o público foi decepcionante.

Qual seria o motivo desse desinteresse? Convenhamos que o deslocamento de Bauru ao Rio de Janeiro não é lá muito fácil. Mas nada que não pudesse ser resolvido e incentivado pelos organizadores do evento.

Faltou divulgação? Faltou motivação? Ou o basquetebol brasileiro ainda carece de credibilidade e de uma cultura que leve de volta o público para grandes espetáculos como o que assistimos.

Em 2014 tive a felicidade de assistir ao vivo o “Final Four” da Euroliga, equivalente europeu da Liga das Américas e torneio que define o adversário do campeão americano no Torneio Intercontinental. A competição foi realizada em MIlão, sede pré determinada um ano antes e com um detalhe: sem a presença do time da casa que não obteve sua classificação.

Resultado: ginásio lotado nos dois dias. 12.000 pessoas em cada dia. E aí vem a pergunta: como e porque isto acontece lá e não acontece aqui?

Ainda hoje o Crvena Belgrado recebeu o Barcelona para um jogo da Euroliga com o time da casa já desclassificado. Jogo sem interesse? Muito pelo contrário. Acho que a imagem fala mais do que qualquer palavra.

Crvena

Ainda sobre a final da Liga das Américas ficam algumas perguntas para entender o porque de tanto desinteresse: Será que o deslocamento de Madrid, Barcelona, Tel Aviv e Moscou é mais fácil do que de Bauru ao Rio de Janeiro? Será que o poder aquisitivo possa ter influenciado nesta falta de público? Será que a regionalização é tão marcante em nosso país que faz com que a torcida local não ficasse para prestigir o outro time brasileiro que estava disputando a final?

Ou será que a falta de grandes espetáculos estão fazendo com o basquetebol seja colocado em terceiro ou quarto plano. Lembro-me dos saudosos Torneios Governador do Estado com o  Ibirapuera  lotado para ver Corinthians, Franca, Sírio e equipes internacionais. Lembro do Ibirapuera apinhado de gente para torcer pelo Sírio nos mundiais de 1979 e 1981.

Vivemos somente dos jogos caseiros onde diga-se de passagem o público até tem comparecido. Essas são questões que têm que ser analisadas com calma e frieza para que possamos ter no futuro espetáculos com grande público.

Com certeza, se a final do Intercontinental for realizada no Brasil e, mais especificamente, em Bauru teremos um público que lotará o Panela de Pressão e muita gente ficará de fora. Então Faço uma sugestão ousada: se a final do intercontinental for no Brasil porque não resgatar o Ibirapuera como o grande palco do basquetebol brasileiro? Afinal não serão 230 km que afastarão a grande torcida bauruense deste espetáculo. E além disso poderemos contar com muitos torcedores, amantes do basquetebol que estão ávidos por eventos internacionais de bom nível e que certamente torcerão pela equipe bauruense.

Afinal o Paschoalotto Bauru e o Brasil merecem este presente.

Estatísticas · NBB

LDB: 4 anos de sucesso

Amigos do Basquetebol

Volto a falar do mais importante campeonato de base deste país. Refiro-me à LDB, sem medo de ser repetitivo.

A LDB que nasceu LDO (Liga de Desenvolvimento Olímpico) acontece desde 2012. São quatro anos de disputas que já proporcionaram muitas oportunidades a centenas de atletas em uma faixa etária que, normalmente, significaria o fim de carreira para muitos. Entre esses atletas muitos já despontam como protagonistas em suas equipes ou, no mínimo, integrando o plantel das mesmas nos campeonatos do NBB e e na Liga Ouro até mesmo com participações na NBA como foi recentemente o caso do jovem Bruno Caboclo do Esporte Clube PInheiros.

Entre os atletas que atuam de forma significativa em suas equipes e até mesmo na Seleção Brasileira posso citar alguns:

Leo Mendl, Antonio e Lucas Mariano (Franca), Ricardo Fischer, Wesley, Carioca e Gui Deodatto (Bauru), Bruno Yrigoyen, Henrique Coelho, Moisés e Demétrio (Minas),  Lucas Dias, Georginho e Bruno Caboclo (Pinheiros), Derick, Matheus e Higor e Du Sommer (Limeira), Ronald,  Scaglia e Bruno (UNICEUB Brasília), Gegê, Felício, Chupeta e Danielzinho (Flamengo), Davi, Erick, Victor, Rômulo, Sualisson e Paranhos (Basquete Cearense), Bié e Macedo (Mogi), Gemerson, Pecos e Arthur (Paulistano), Rafael (Unitri), Vitinho, Durval e Chandler (Sport – Liga Ouro).

Nesta lista ainda estão vários outros atletas que, com certeza, a memória deve ter me traído mas que são jovens valorosos e que continuarão brilhando em suas equipes.

Nesses quatro anos de disputas a LDB teve a participação de 37 equipes representando 13 estados brasileiros.

São Paulo é o estado com o maior número de equipes participantes (13): Paulistano, Franca, Pinheiros, Winner Limeira, Araraquara, Bauru Basket, São José, Liga Sorocabana, Palmeiras, Pinheiros, Taubaté, Suzano e Regatas Campineiros.

A seguir vem o Rio de Janeiro com 4 equipes: Flamengo, Botafogo, Tijuca e Macaé.

Com 3 equipes vêm Minas Gerais (Minas TC, Ginástico e Unitri/Uberlândia) e Paraná (Curitiba e Titãs).

Com duas equipes temos Santa Catarina (Blumenau e Joinville), Bahia (FAC2 e Vitória), Espírito Santo (Vila Velha e Vitória), Pernambuco (Sport e Náutico) e Goiás (Goiânia e Anápolis).

Os estados representados por uma equipe são os seguintes: DF (UNICEUB/BRB), Rio Grande do Sul (Grêmio Náutico União), Ceará (Basquete Cearense) e Maranhão (São Luiz).

Das 37 equipes que já participaram da LDB somente 9 estiveram nas quatro edições: Flamengo, Paulistano, Franca, PInheiros, Winner Limeira, Tijuca, Bauru Basket, MInas Tênis e UNICEUB/BRB.

De três ediçoes participaram: São José e Vitória (ES).

De duas edições: Joinville, Curitiba, Unitri, Vila Velha, Ginástico, Basquete Cearense, Liga Sorocabana, Sport Recife, Grêmio Náutico União e Náutico.

Araraquara, Londrina, Palmeiras, FAC 2, São Luiz, Suzano, Vitória (BA), Mogi das Cruzes, Macaé, Taubaté, Anápolis, Blumenau, Titãs, Regatas Campineiro, Botafogo e Goiânia participaram de somente uma das edições.

Quadro de honra

O Flamengo é o maior vencedor da competição com duas conquistas (2011 e 2013) além de um vice em 2014 e um 3o. lugar em 2012.

Bauru e Basquete Cearense conquistaram os títulos em 2012 e 2014, respectivamente. A equipe do interior paulista também foi vice em 2011.

Além dessas equipes também chegaram às finais: Paulistano (3o. em 2011), Pinheiros (3o. em 2013 e 4o. em 2014), São José (4o. em 2012), Minas TC (vice em 2013), UNICEUB/BRB (4o. em 2011 e 2014), Franca (vice em 2012) e Limeira (3o. em 2014).

Jogos, vitórias e derrotas

Nesses quatro anos de LDB foram realizados 717 jogos sendo 77 em 2011, 48 em 2012, 300 em 2013 e 292 em 2014.

Maior número de jogos: Flamengo – 84, Bauru – 82, UNICEUB/BRB – 79, Minas e Pinheiros – 74

Maior número de vitórias: Flamengo – 70, Bauru – 56, Basquete Cearense, Pinheiros e MInas – 53

Melhor aproveitamento: Basquete Cearense – 88,3%, Flamengo – 83,3%, Minas – 71,6%, Bauru – 68,3%, Franca – 66,7%

Veja a tabela completa das quatro edições da LDB

EQUIPE 2011 2012 2013 2014 TOTAL
V D T V D T V D T V D T V D T %
ANÁPOLIS 6 17 23 6 17 23 26,1
ARARAQUARA 0 3 3 0 3 3 0,0
BASQUETE CEARENSE 25 7 32 28 0 28 53 7 60 88,3
BAURU 12 3 15 8 1 9 19 13 32 17 9 26 56 26 82 68,3
BLUMENAU 4 19 23 4 19 23 17,4
BOTAFOGO 1 22 23 1 22 23 4,3
CURITIBA 14 14 28 15 8 23 29 22 51 56,9
FAC2 0 4 4 0 4 4 0,0
FLAMENGO 14 1 15 7 1 8 29 4 33 20 8 28 70 14 84 83,3
FRANCA 6 6 12 7 2 9 19 9 28 16 7 23 48 24 72 66,7
G.N.UNIÃO 4 24 28 5 18 23 9 42 51 17,6
GINÁSTICO 1 3 4 21 11 32 22 14 36 61,1
GOIÂNIA 10 18 28 10 18 28 35,7
JOINVILLE 4 3 7 4 19 23 8 22 30 26,7
LIGA SOROCABANA 0 7 7 2 2 4 2 9 11 18,2
LONDRINA 0 3 3 0 3 3 0,0
MACAÉ 9 14 23 9 14 23 39,1
MINAS TC 6 6 12 4 2 6 28 5 33 15 8 23 53 21 74 71,6
MOGI DAS CRUZES 15 8 23 15 8 23 65,2
NÁUTICO 1 28 29 10 13 23 11 41 52 21,2
PALMEIRAS 2 2 4 2 2 4 50,0
PAULISTANO 9 6 15 1 2 3 16 12 28 17 9 26 43 29 72 59,7
PINHEIROS 4 3 7 2 4 6 21 12 33 22 6 28 49 25 74 66,2
REGATAS CAMPINAS 1 22 23 1 22 23 4,3
S.JOSÉ 3 4 7 5 4 9 20 12 32 28 20 48 58,3
S.LUIS 0 4 4 0 4 4 0,0
SPORT RECIFE 17 11 28 18 8 26 35 19 54 64,8
SUZANO 3 3 6 3 3 6 50,0
TAUBATÉ 8 15 23 8 15 23 34,8
TIJUCA 1 6 7 1 3 4 12 16 28 7 16 23 21 41 62 33,9
TITÃS 4 19 23 4 19 23 17,4
UNICEUB/BRB 8 5 13 4 3 7 19 14 33 17 9 26 48 31 79 60,8
UNITRI 4 3 7 13 10 23 17 13 30 56,7
VILA VELHA 3 4 7 8 20 28 11 24 35 31,4
VITÓRIA (BA) 4 24 28 4 24 28 14,3
VITÓRIA (ES) 1 6 7 0 3 3 3 25 28 4 34 38 10,5
WINNER LIMEIRA 2 5 7 1 2 3 8 20 28 20 8 28 31 35 66 47,0

 

Colaboradores

A LDB e o futuro

Amigos do Basquetebol

Neste post trago a colaboração da Márcia Melsohn, atual Diretora de Basquetebol da Associação Brasileira “A Hebraica” de São Paulo, jornalista e professora de educação física formada pela EEFEUSP.

“A LDB, criada há poucos anos pela LNB, terminou esta semana com saldo, mais uma vez, extremamente positivo. A iniciativa da criação dessa liga tem importância enorme para o basquete brasileiro, em duas mãos. Ou seja, para o próprio basquete e para os jogadores.

Na verdade, ela estende a vida útil de muitos atletas que, não fosse esse torneio, teriam de parar de jogar aos 19 anos, por não serem absorvidos pelas equipes do NBB ou por outras equipes adultas. Com isso, os clubes podem descobrir mais alguns talentos e o basquete brasileiro pode ser beneficiado lá na frente com algum menino que tenha sobrevivido graças a esse campeonato.

Quando olho para a LDB, sempre relaciono com o basquete universitário americano, pelo simples fato de as idades dos jogadores serem semelhantes. O grosso dos atletas, nos dois casos, tem entre 18 e 22 anos. Após esse período, tanto aqui quanto lá, a maioria – arrisco dizer que mais de 90% (pelo menos nos EUA) –  não se profissionalizam e param de jogar.

No caso dos Estados Unidos, pouquíssimos vão para a NBA e alguns outros privilegiados que continuam jogando acabam indo para ligas na Europa, na América do Sul ou em outro lugar do mundo. Portanto, a LDB tem sua função cumprida ao prolongar a carreira de muitos jogadores, dando a oportunidade de serem mais vistos e terem, em alguns casos, a carreira ainda mais prolongada. Ou não. No caso de pararem após a LDB, acabam o fazendo mais ou menos na mesma idade que os universitários americanos.

É aí que vejo uma diferença crucial.  Quando um jovem americano deixa o basquete universitário, ele tem um diploma e pode seguir uma outra carreira profissional, sem problemas. Aqui, os meninos que prorrogaram sua vida no basquete, para fazê-lo, dificilmente puderam estudar. E aí é que eu acho que o Brasil precisa rever sua estrutura (não só o basquete). Não tenho dados estatísticos, mas gostaria de saber quantos dos meninos do juvenil e principalmente da LDB estudam. Eles não têm tempo, às vezes não têm dinheiro (caso não ganhem bolsa de estudos) e muitas vezes não têm sequer interesse, já que sonham com uma carreira de sucesso no basquete e, com ela, ter uma vida bacana.

É preciso cuidar melhor desses garotos, desde lá de baixo!!! Em todos os esportes. Política de esportes para o país, urgente!”

OBS: o texto foi publicado sem alterações e é de inteira responsabilidade da autora

Entrevistas

Entrevista com Davi Rossetto

Amigos do Basquetebol

A LDB, como já tenho dito, é um campeonato que está revelando muitos talentos para nosso basquetebol. Em especial, vejo um campeonato de grandes armadores. E entre eles destaco o armador Davi Rossetto do Basquete Cearense que, além de atuar na LDB, já é titular de sua equipe no NBB.

Esta entrevista foi realizada antes do jogo final entre Basquete Cearense e Flamengo.

Viva o Basquetebol (VB) – Gostaria que você falasse um pouco de sua carreitra: início, quais foram seus técnicos e aquela que mais te influenciou

Davi Rosseto (DR) –  Comecei no basquete por intermédio de um pai de um amigo meu (Julio Malfi). Na época ele era o técnico do time principal da Hebraica e estava ajudando o Cleiton Ferreira a recrutar jogadores para o time sub11 que estava para ser formado. Apesar da pouca altura, tinha uma coordenação e uma habilidade esportiva interessantes pra alguém daquela idade. Topei o convite para fazer um treino experimental, aí foi amor a primeira vista, depois daquele treino me apaixonei pela modalidade e passei a vivenciar o basquete de maneira muito intensa. Depois da Hebraica ainda passei três anos no Circulo Militar com o Patinhas, mais 6 no Pinheiros com a Thelma e o Zé Luis, até me transferir para o Basquete Cearense, onde há quase três anos trabalho com o Espiga e o Bial. Sem dúvidas estou levando muitas coisas de cada um desses professores, prefiro não destacar nenhum, pois é muito difícil escolher um no meio de profissionais tão excelentes, que contribuíram muito para minha formação como atleta, mas principalmente como homem.
VB – Como foi sua experiência com a seleção no mundial?
DR – A experiência foi maravilhosa, passamos muito tempo juntos treinando e em competição, o que me proporcionou um aprendizado e uma evolução muito grande ao lado de atletas e comissão técnica tão competentes. Além disso, é muito bom competir em um nível tão alto e se botar a prova contra jogadores que hoje já figuram entre os melhores do mundo. Consegui fazer uma boa competição, e apesar de não termos chegado perto de nosso objetivo dentro da competição, o mundial acabou se tornando um divisor de águas na minha carreira.
VB – Como surgiu o Basquete Cearense em sua vida?
DR – O Bial acompanhou alguns jogos meus pela LDB e se interessou pelo meu jogo, na época teve boas informações sobre mim e decidiu me fazer uma proposta. Considerei que o Basquete Cearense era exatamente aquilo que eu precisava para minha carreira, e sem dúvidas foi a decisão certa, espero que para as duas partes. (risos)
VB – Fale sobre sua participação na LDB: quantas edições, experiências e importância da LDB em sua carreira. 
DR – Estou na minha terceira edição de LDB, sem dúvidas ela foi essencial na minha carreira. Foi onde adquiri mais confiança, mais ritmo, mais leitura de jogo e mais maturidade. Fui exposto às mais diversas situações que um atleta pode passar, e sem dúvidas isso te torna mais preparado para os próximos eventuais desafios na carreira.
VB – Fale um pouco da sua equipe na LDB
DR – Minha equipe é a típica equipe que qualquer atleta gostaria de participar. Altruísta, competitiva, grande espírito coletivo e uma grande união e confiança mútua. São esses os ingredientes que nos fazem ter prazer de jogarmos uns com os outros, acredito que daí tenham vindo os resultados positivos.
VB – Como está sendo a experiência como atleta da equipe principal do Basquete Cearense?
DR – O Bial foi um cara que sempre me deu muita confiança e oportunidade, a partir do momento que eu correspondi isso dentro de quadra, fui tendo cada vez mais espaço e mais protagonismo. Sou muito grato a ele, pois acredito que o treinamento coletivo, o treinamento individual são fundamentais, mas a prática disso em jogos, ainda mais em jogos como o do NBB me permitiram uma evolução e um aprimoramento muito grande das minhas capacidades.
VB – Quais os  Jogadores que te influenciaram ou que te influenciam até hoje?
DR – Existem muitos jogadores que me influenciaram e continuam me influenciando. Sou muito observador e sempre vou atrás de bons exemplos. Tive a sorte de jogar ao lado de grandes atletas com muito profissionalismo e muita competitividade, o que sempre me cativou. Não me espelho em um exclusivamente, mas sou admirador do trabalho de muitos.
VB – Quais são seus objetivos como atleta?
DR – Procuro traçar sempre metas de curto prazo, as de longo prazo são muito incertas, com muitas variáveis. Hoje em dia é ser campeão da LDB, acordo e vou dormir pensando nisso, é nisso que tenho depositado todas as minhas forças.
VB – Deixe sua  mensagem final para os amigos do Viva o Basquetebol
DR – Gostaria primeiro de parabenizá-lo pelo seu trabalho junto à LDB,  digno de um amante da nossa modalidade. Que as pessoas sempre procurem extrair o máximo dos seus professores, procurem bons exemplos e se espelhem não só em grandes atletas, com grandes carreiras, mas sim naquelas pessoas trabalhadoras, de caráter, que sempre dão o seu máximo, independente das circunstâncias, acredito que é disso que o mundo hoje é carente, e é nisso que eu aprendi sempre a trabalhar.

Davi Rossetto

 

Davi Rossetto em ação pelo Basquete Cearense

NBB · Opinião do autor

LDB: final four e muitos talentos surgindo

Amigos do Basquetebol

Estamos chegando ao final de mais uma edição da LDB (Liga de Desenvolvimento de Basquete). E mesmo sendo repetitivo insisto em dizer que esta é a principal competição de base do basquetebol brasileiro em todos os tempos.

A oportunidade que muitos desses atletas têm de demonstrar suas capacidades é incomum. Muitos atletas “esquecidos” em centros menos desenvolvidos podem ser vistos e admirados por suas qualidades.

Além do desenvolvimento em quadra, como um do coordenadores de sede, não tenho medo de afirmar que houve ao longo dessas quatro edições um desenvolvimento global desses meninos. E isto se reflete no comportamento fora das quadras, nos hoteis, nas refeições e no trato com as pessoas. É muito gratificante receber de todos um simples bom dia ou bater um papo informal fora dos aspectos competitivos.

Isto deve-se a muitos fatores mas, sem dúvida, o reconhecimento e a compreensão da importância desta competição por partes desses jovens e de seus técnicos é o maior fator de contribuição para essas mudanças.

Muitos deles já atuam em seus clubes. Muitos buscam um lugar ao sol. E eu insisto em uma tese de que poderia haver um “camping” para reunir muitos desses garotos com a presença de técnicos renomados que contribuiriam ainda mais para sua formação como atleta e como cidadão.

Outro ponto de destaque é o clima de cordialidade e amizade entre os técnicos, coisa rara em nosso meio.

Falando desta edição da LDB observamos diferentes situações que devem ser analisadas cuidadosamente.

Equipes “novatas” que ainda disputam a LDB procurando entender o propósito da competição e que sofrem pelo noviciado e pela fala de experiência. Equipes que mostram um desenvolvimento ao longo dos anos e que apresentam melhoras visíveis em seu jogo. E equipes consolidades que têm em seu plantel atletas que, apesar de jovens, já apresentam uma qualidade e xperiência de jogo muito grande.

E evidente que, no octogonal final, essas últimas são a totalidade. E isto é compreensível. Nesta fase o que vimos  foi a consolidação do Basquete Cearense como o único invicto da competição (26 vitórias), a força de equipes como Pinheiros, Flamengo e Winner Limeira (os quatro classificados), mas que não tiveram vida fácil para chegar ao Final Four e tiveram que jogar muito para superar equipes como o Paschoalotto Bauru, UNICUB/BRB/Brasília, Sport do Recife e Paulistano.

No Final Four teremos duas novidades: Basquete Cearense e Winer Limeira e duas equipes que já frequentaram essas finais: Flamengo e Pinheiros.

A briga vai ser boa: Basquete Cearense x Pinheiros e Flamengo x Winner Limeira. É pagar para ver.

Atletas como Davi Rosseto, Eric, Deryck, Cristiano Felício, Lucas Dias, Geroginho, Higor, Chupeta, Danielzinho, Matheus, Umberto e Sualisson (para mim a grande revelação deste campeonato) darão com certeza um grande espetáculo. Sem falar nos outros que não citei mas que contribuem demais para o sucesso de suas equipes.

Aí está o futuro do nosso basquetebol. Vamos olhar com carinho para esses jovens.

E pareabéns à LNB por esta incrível iniciativa.