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A LDB e o futuro

Amigos do Basquetebol

Neste post trago a colaboração da Márcia Melsohn, atual Diretora de Basquetebol da Associação Brasileira “A Hebraica” de São Paulo, jornalista e professora de educação física formada pela EEFEUSP.

“A LDB, criada há poucos anos pela LNB, terminou esta semana com saldo, mais uma vez, extremamente positivo. A iniciativa da criação dessa liga tem importância enorme para o basquete brasileiro, em duas mãos. Ou seja, para o próprio basquete e para os jogadores.

Na verdade, ela estende a vida útil de muitos atletas que, não fosse esse torneio, teriam de parar de jogar aos 19 anos, por não serem absorvidos pelas equipes do NBB ou por outras equipes adultas. Com isso, os clubes podem descobrir mais alguns talentos e o basquete brasileiro pode ser beneficiado lá na frente com algum menino que tenha sobrevivido graças a esse campeonato.

Quando olho para a LDB, sempre relaciono com o basquete universitário americano, pelo simples fato de as idades dos jogadores serem semelhantes. O grosso dos atletas, nos dois casos, tem entre 18 e 22 anos. Após esse período, tanto aqui quanto lá, a maioria – arrisco dizer que mais de 90% (pelo menos nos EUA) –  não se profissionalizam e param de jogar.

No caso dos Estados Unidos, pouquíssimos vão para a NBA e alguns outros privilegiados que continuam jogando acabam indo para ligas na Europa, na América do Sul ou em outro lugar do mundo. Portanto, a LDB tem sua função cumprida ao prolongar a carreira de muitos jogadores, dando a oportunidade de serem mais vistos e terem, em alguns casos, a carreira ainda mais prolongada. Ou não. No caso de pararem após a LDB, acabam o fazendo mais ou menos na mesma idade que os universitários americanos.

É aí que vejo uma diferença crucial.  Quando um jovem americano deixa o basquete universitário, ele tem um diploma e pode seguir uma outra carreira profissional, sem problemas. Aqui, os meninos que prorrogaram sua vida no basquete, para fazê-lo, dificilmente puderam estudar. E aí é que eu acho que o Brasil precisa rever sua estrutura (não só o basquete). Não tenho dados estatísticos, mas gostaria de saber quantos dos meninos do juvenil e principalmente da LDB estudam. Eles não têm tempo, às vezes não têm dinheiro (caso não ganhem bolsa de estudos) e muitas vezes não têm sequer interesse, já que sonham com uma carreira de sucesso no basquete e, com ela, ter uma vida bacana.

É preciso cuidar melhor desses garotos, desde lá de baixo!!! Em todos os esportes. Política de esportes para o país, urgente!”

OBS: o texto foi publicado sem alterações e é de inteira responsabilidade da autora

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Um comentário em “A LDB e o futuro

  1. Excelente texto. A LDB esta encaminhando nossos atletas universitários para o mercado de trabalho no esporte e na vida. Entendo ,que mereça crescer abrangendo mais cidades. Gostaria que minha cidade Poá na grande São Paulo pudesse fazer parte da Liga. Abraço. Prof.Igor.

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