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Uma reflexão sobre o público nos jogos de basquetebol no Brasil

Amigos do Basquetebol

A conquista da Liga das Américas pelo Paschoalotto Bauru é incontestável e atesta o atual nível do nosso basquetebol que vem ressurgindo gradativamente no cenário mundial.

No caso da Liga das Américas esta é a terceira conquista consecutiva – 2012 Pinheiros; 2013 Flamengo e 2014 Bauru.

Infelizmente não tivemos uma final brasileira mas a presença do Paschoalotto Bauru na final deveria ser, por si só, um motivo para que houvesse um público significativo no Maracananzinho. Mas, infelizmente, não foi isso o que aconteceu.

Foi frustrante ver o ginásio praticamente vazio e mesmo no dia anterior com a presença do Flamengo ainda lutando pela vaga na final, o público foi decepcionante.

Qual seria o motivo desse desinteresse? Convenhamos que o deslocamento de Bauru ao Rio de Janeiro não é lá muito fácil. Mas nada que não pudesse ser resolvido e incentivado pelos organizadores do evento.

Faltou divulgação? Faltou motivação? Ou o basquetebol brasileiro ainda carece de credibilidade e de uma cultura que leve de volta o público para grandes espetáculos como o que assistimos.

Em 2014 tive a felicidade de assistir ao vivo o “Final Four” da Euroliga, equivalente europeu da Liga das Américas e torneio que define o adversário do campeão americano no Torneio Intercontinental. A competição foi realizada em MIlão, sede pré determinada um ano antes e com um detalhe: sem a presença do time da casa que não obteve sua classificação.

Resultado: ginásio lotado nos dois dias. 12.000 pessoas em cada dia. E aí vem a pergunta: como e porque isto acontece lá e não acontece aqui?

Ainda hoje o Crvena Belgrado recebeu o Barcelona para um jogo da Euroliga com o time da casa já desclassificado. Jogo sem interesse? Muito pelo contrário. Acho que a imagem fala mais do que qualquer palavra.

Crvena

Ainda sobre a final da Liga das Américas ficam algumas perguntas para entender o porque de tanto desinteresse: Será que o deslocamento de Madrid, Barcelona, Tel Aviv e Moscou é mais fácil do que de Bauru ao Rio de Janeiro? Será que o poder aquisitivo possa ter influenciado nesta falta de público? Será que a regionalização é tão marcante em nosso país que faz com que a torcida local não ficasse para prestigir o outro time brasileiro que estava disputando a final?

Ou será que a falta de grandes espetáculos estão fazendo com o basquetebol seja colocado em terceiro ou quarto plano. Lembro-me dos saudosos Torneios Governador do Estado com o  Ibirapuera  lotado para ver Corinthians, Franca, Sírio e equipes internacionais. Lembro do Ibirapuera apinhado de gente para torcer pelo Sírio nos mundiais de 1979 e 1981.

Vivemos somente dos jogos caseiros onde diga-se de passagem o público até tem comparecido. Essas são questões que têm que ser analisadas com calma e frieza para que possamos ter no futuro espetáculos com grande público.

Com certeza, se a final do Intercontinental for realizada no Brasil e, mais especificamente, em Bauru teremos um público que lotará o Panela de Pressão e muita gente ficará de fora. Então Faço uma sugestão ousada: se a final do intercontinental for no Brasil porque não resgatar o Ibirapuera como o grande palco do basquetebol brasileiro? Afinal não serão 230 km que afastarão a grande torcida bauruense deste espetáculo. E além disso poderemos contar com muitos torcedores, amantes do basquetebol que estão ávidos por eventos internacionais de bom nível e que certamente torcerão pela equipe bauruense.

Afinal o Paschoalotto Bauru e o Brasil merecem este presente.

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3 comentários em “Uma reflexão sobre o público nos jogos de basquetebol no Brasil

  1. Prof. Dante, realmente a ausência do Flamengo pesou na ausência de público da final, mas é latente a falta de interesse do brasileiro pela modalidade. Para que os esportistas daqui deixaram de gostar do basquete.
    Quanto ao torcedor de Bauru, os quase 800 km dificultaram a viagem ao RJ, mas o que se viu na cidade foram os bares cheios para acompanhar e torcer pelo time, bem parecido com as partidas de futebol. No Maracanãzinho foram cerca de 150 empurrando o time de Guerrinha.
    Além da distância, algumas pessoas com quem tive contato relataram que os custos de voos estavam absurdos e o transporte terrestre é muito demorado – de ônibus são mais de 12 horas -, o que ocasionaria uma falta no trabalho na segunda-feira.
    Mas nem só de notícias ruins vive o basquete. Pelo que se falou no ginásio após a conquista, a ideia da diretoria de Bauru é fazer o jogo no Ibirapuera. Tomara que dê certo.
    Grande abraço.

    1. Caro João, de fato a distância e os custos devem ter sido fatores importantes como eu imaginava. Mas mesmo assim, vamos considerar que um evento dessa importância deveria levar muito mais gente ao ginásio pois mesmo no primeiro jogo do FLamengo o público foi decepcionante. O Ibirapuera seria muito legal. Não é longe para o torcedor bauruense e seria o resgate de uma tradição do basquetebol.

  2. Realmente precisamos refletir muito e para isto, será importante sentar à mesa representantes dos vários segmentos envolvidos – dirigentes do basquete, patrocinadores, mídia, técnicos, atletas, torcedores, organizadores, etc. A sede antecipada é fundamental para a organização e venda do evento e ingressos. Como sugestão, Franca, pela história no basquete e show que deu no Jogo das Estrelas. Abraço!

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