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O Basquetebol brasileiro em cadeiras de rodas

Amigos do Basquetebol

Neste post trago uma entrevista que realizei com o técnico da seleção brasileira de basquetebol em cadeiras de rodas que está treinando em S.Caetano preparando-se para o ParaPan e Parlimpíadas, Antonio Carlos Magalhães, mais conhecido como Pulga, ex-atletas que atuou muitos anos no basquetebol carioca.

Falamos sobre as possibilidades da nossa seleção nessas competições, comparação com outros centros, estrura e outros assuntos.

Antonio Carlos assumiu este projeto em junho de 2013 mas já teve passagens por seleções Parlímpicas de basquetebol como  técnico em Atlanta e assistente técnico em Beijing. A melhor colocação brasileira foi um nono lugar, mas ele acredita que o atual grupo poderá surpreender e obter inéditas medalhas no Pan e nos Jogos Paralímpicos, apesar de ter obtido classificação no último Mundial.

O trabalho que está sendo realizado é muito forte e com as melhores condições até agora.

Alguns fatores contribuem para que isto seja possível: a melhoria da estrutura do esporte, um maior intercâmbio com forças mundiais (especialmente a Grã Bretanha e a Argentina), um maior envolvimento dos atletas  e melhora de suas condições.

Quanto a estrutura, além das melhores condições de treinamento e sobrevivência no esporte dada aos atletas, já que muitos já podem ser considerados profissionais em suas equipes de origem, a seleção conta com uma comissão técnica qualificada que, além de um técnico especialista, tem um assistente técnico italiano experiente (Mateo Ferriani) com passagens por equipes italianas e seleção australiana e que atualmente trabalha em São José do Rio Preto, fisioterapeuta, coordenadora (Maria de Fátima) para cuidar dos assuntos administrativos e um mecânico que cuida da manutenção das cadeiras de rodas que são em sua totalidade importadas pois no Brasil não há fabricantes deste material que ofereçam aos atletas melhores condições de atuar. Mas uma empresa brasileira está fazendo um trabalho de análise científica para produzir no Brasil cadeiras adequadas e em nível das mesmas fabricadas internacionalmente. Este projeto deverá ser finalizado até fevereiro de 2016. Nas viagens internacionais há o acompanhamento de um médico. Além disto há um trabalho de marketing desenvolvido pela Confederação Brasileira….

Sobre o intercâmbio, durante muito tempo o Brasil não teve a oportunidade de medir forças com grandes potências do esporte onde se destacam Estados Unidos, Grã-Bretanha, Canadá, Austrália, Espanha e Argentina entre outros. No ano passado, o Brasil realizou três partidas contra a Grã-Bretanha tendo vencido uma. Na primeira partida o Brasil entrou com um sentimento de que eles eram os todo poderosos e perdemos de 17 pontos. Já na segunda partida foram feitas várias experiência e o Brasil superou o trauma e venceu por 12 pontos e na terceira partida perdemos por 2 pontos na prorrogação após estarmos perdendo de 20. Enquanto esta seria a sétima partida brasileira em nível internacional, os ingleses já haviam disputado cerca de 47 partidas internacionais. Esta falta de enfrentamento com forças internacionais, inicialmente, trazia para os brasileiros uma sensação de inferioridade que foi se dissipando com o passar dos jogos. Outro fator interessante foi o sentimento dos jogadores em relação à torcida, entendendo que ela exercia uma pressão muito grande sobre a equipe. Mas com o passar do tempo a equipe passou a entender a torcida como um fator de pressão sobre os adversários. Portanto, isto mais uma vez constata que a falta de jogos internacionais pode fazer a diferença.

Para essas competições o técnico Antonio Carlos considera que o Brasil estará muito bem preparado pois os atletas estão muito envolvidos com o objetivo, sendo que muitos abriram mão de suas férias e compromissos para se dedicar exclusivamente ao projeto olímpico. Além disto muitos atletas já são profissionais em suas equipes apesar de ainda haver muitas equipes amadoras que se desdobram para obter recursos e manter seus atletas em atividade. Esta melhora também se deve à própria política das pessoas com deficiência em vários setores da sociedade. O Comitê Olímpico incentiva o atleta a trabalhar, fazer cursos para que possa ter uma melhor estrutura de vida.

Sobre o basquetebol em cadeira de rodas no Brasil, Pulga afirmou que houve uma grande melhora inclusive em nível do equipamento. Antonio Carlos fez uma analogia do nosso equipamento em relação ao usado pelas grandes equipes como se contra uma Ferrari entrássemos com uma Toleman ou Copersucar. Existem 4 divisões no país, cada uma com 12 equipes sendo que ainda há várias equipes que não fazem parte das divisões de acesso o que não deixa de ser uma surpresa para todos que não acompanham o esporte. A federação mais bem organizada é a Paulista que hoje tem as quatro melhores equipes do país. Há um campeonato brasileiro disputado em uma semana no final do ano. Existem também alguns campeonatos regionais.

Um dos grandes problemas vividos pelo esporte ParOlímpico no país é a falta de divulgação e cobertura da mídia. Lembrando que isto não se restringe ao basquetebol. Outros esportes também sofrem com esta falta de divulgação apesar do Brasil ter no esporte ParOlímpico um sucesso muito grande em relação ao esporte Olímpico. Basta verificarmos o número de medalhas obtidas pelo primeiro em relação ao segundo. Apesar disto tudo não houve o Isto desenvolvimento esperado para os esportes ParOlímpicos. Isto acontece também nos outros esportes, pois mesmo com a Copa do Mundo e Jogos Olímpicos deixa-se de lado a competência técnica para se privilegiar as indicações políticas.

Outro fator que preocupa Antonio Carlos e com o qual ele não concorda é em relação ao desequilíbrio que às vezes acontece nos investimentos. Em alguns casos investidores aplicam seus recursos em um único atleta deixando de investir nos esportes coletivos pois estes não trazem o mesmo número de medalhas que os individuais. E isto é um equívoco pois os maiores investimentos sempre beneficiarão os mesmos atletas. E isto não é justo com o basquetebol que é o esporte que mais mobiliza uma pessoa que sofre um trauma. É o primeiro esporte que um lesionado tem contato quando é encaminhado a centro de recuperação. Aos olhos dos investidores o basquetebol é caro, investimento em muitos atletas e que traz uma única medalha. Além de tudo o basquetebol é um jogo emocionante que não pode descartar o momento do atleta, a imprevisibilidade e os desafios impostos aos atletas.

Apesar de tudo, o técnico da nossa seleção acredita que o quadro tem melhorado o que aumenta as esperanças de bons resultados no futuro.

Como mensagem final ele gostaria que as pessoas se informassem através do sites da CBBC e do Comitê Paralímpico. A seleção fará um amistoso contra a Argentina em Jundiaí e ele acredita que esta seleção está muito bem estruturada para as competições com muitos treinos. Esse time fará história devido ao comprometimento dos atletas e o foco em um objetivo comum que é obter a medalha olímpica.

Sites para busca de informações:

http://www.cpb.org.br/portfolio/basquetebol-em-cadeira-de-rodas/

http://www.cbbc.org.br/

 

Seleção Brasileira de Basquetebol em Cadeira de Rodas em treinamento para o Pan e Jogos Olímpicos
Seleção Brasileira de Basquetebol em Cadeira de Rodas em treinamento para o Pan e Jogos Olímpicos
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