Opinião do autor

Viva o Basquetebol: 5 anos

Amigos do Basquetebol

Chegamos ao quinto ano do Viva o Basquetebol.

Em 21 de agosto de 2010 eu iniciava esta atividade, principalmente para informar meus amigos sobre o Campeonato Mundial que ocorreria na Turquia.

Achei que após o campeonato o blog se encerraria. Mas estava muito enganado. Tomei gosto pela coisa e continuei tentando passar informações aos amigos amantes do basquetebol.

E o que me move até hoje a continuar é a receptividade que tenho tido por parte de todos vocês.

São 686 posts que abordam vários temas: história, personagens, entrevistas, artigos, opiniões de grandes colaboradores, campeonatos pelo mundo e até turismo.

Neste período foram cerca de 400 mil visitantes com 750 mil acessos vindos de cerca de 100 países do mundo afora.

Algumas vezes pensei em parar. Mas o amor pelo basquetebol e o incentivo que vocês me dão falam mais alto e me impedem de interromper esta atividade.

Só tenho a agradecer a todos aqueles que seguem este veículo de divulgaçaõ do basquetebol. Com certeza ainda há muito a fazer.

Muito obrigado e como sempre

VIVA O BASQUETEBOL!!!

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Artigos · Formação Esportiva

Jogos e brincadeiras para a aprendizagem esportiva

Amigos do Basquetebol

Tenho tido a oportunidade de falar para grupos de professores e técnicos que trabalham com a formação esportiva seja na divulgação do projeto “Minbasquetebol na Escola” seja em encontros promovidos por entidades que cuidam de escolas de esportes.

E entre tantos temas, um tem me motivado pela sua relevância e importância para aprendizagem esportiva, principalmente nos esportes coletivos e, é claro, no basquebol. São os jogos e brincadeiras.

Na fase inicial da aprendizagem esportiva (por volta dos 7 aos 11 anos) a brincadeira e os jogos são fundamentais para que a criança tome gosto pelo jogo e passe a compreendê-lo melhor. Isto não significa que essas atividades não possam ser ministradas aos mais velhos, inclusive para atletas de alto rendimento com o objetivo de quebrar a cansativa rotina de treinos.

Alguns aspectos que considero importante contemplar neste pequeno artigo que me proponho a escrever sobre o tema.

Um dos aspectos ao qual me refiro e o que devemos levar em consideração ao pensar em uma brincadeira ou jogo para a aprendizagem esportiva

  • Privilegiar a totalidade do grupo. Ou seja: devem ser elaborados pensando na participação da maioria dos praticantes, independentemente de sua condição e nivel de desenvolvimento
  • Considerar a importância do reconhecimento do espaço a ser utilizado pelos praticantes
  • Estabelecer regras simples que não confundam ou limitem a ação dos praticantes. Essas regras poderão ser modificadas e adequadas ao nível do grupo e podem se tornar mais complexas à medida que o grupo evolua e passe a compreender melhor a atividade
  • Partir de uma situação de jogo que possa ser trabalhada de maneira simples e objetiva
  • Ter um potencial educativo e que promova o desenvolvimento não só dos aspectos físicos, técnicos e táticas mas, principalmente, a aquisição de valores como a divisão de responsabilidade, cooperação, respeito aos colegas e oponentes
  • Ser motivante a ponto da criança querer voltar à aula e cada vez participar mais
  • possibilitar a participação do maior número possível de crianças, dando a todos as mesmas oportundades

Ao partir de situações de jogo, essas atividades gerarão um problema a ser resolvido. E neste caso as crianças devem ser estimuladas a encontrar as respostas necessárias sem uma intervenção compulsória dos professores.

Ao encontrar essas respostas a criança terá uma mudança em sua atitude comportamental, melhorando seu desempenho e a compreensão da situação.

Neste momento, o professor poderá intervir com pequenas correções ou orientação no sentido de instigar a criança a buscar seu melhor desempenho.

O ciclo é fechado com a aquisição de novas habilidades que possibilitarão à criança dar um salto de qualidade e encarar novos desafios e situações de jogo mais complexas.

De uma forma geral, esas atividades podem ser criadas a partir de várias condições que levam em conta o nível dos praticantes, a estrutura e materiais disponíveis e a complexidade das situações propostas.

Desta forma os jogos e brincadeiras podem ser:

  • com ou sem bola
  • em espaço livre ou espaço delimitado
  • com cooperação
  • com oposição
  • com cooperação e oposição

Como já foi dito as regras devem ser introduzidas gradativamente e podem ser modificadas à medida que o grupo evolua ou que o professor perceba que essa mudança possa servir de agente motivador da atividade.

Finalizando, este pequeno artigo, é importante ressaltar que o professor deverá agir como incentivador do grupo, propondo desafios e não oferecendo respostas prontas para que a criança aja de acordo com a sugestão do professor e não de acordo com sua capacidade de pensar e agir.

Crianças se divertindo e praticando controle de bola com a bola de basquete e balões.
Crianças se divertindo e praticando controle de bola com a bola de basquete e balões.
Opinião do autor

O basquetebol feminino e seu futuro

Amigos do Basquetebol

O Brasil ficou em 4o. lugar na Copa América perdendo da Argentina (duas vezes) fato que não ocorria há mais de 50 anos.

O resultado em si não deve preocupar pois, afinal de contas, já estamos classificados para os Jogos Olímpicos.

E é isto o que me preocupa. Estamos classificados para os Jogos Olímpicos. Que papel faremos nesses Jogos. Somos anfitriões e como tal devemos apresentar uma equipe condizente com esta condição e condizente com  a tradição do basquetebol feminino, campeão mundial e duas vezes medalhista olímpico.

Mas será que iremos conseguir isto? E não me refiro em obter medalhas (particularmente acho que com o andar da carruagem o basquetebol feminino não deverá estar entre os 4 primeiros dos Jogos).

E que não se critique o técnico Zanon, a comissão técnica e as atletas que se esforçam para oferecer o melhor de seu desempenho.

Hoje, Zanon tem em suas mãos uma equipe esforçada mas sem brilho. São jovens que estão dando seu melhor para representar o país. Mas será que isto é suficiente?  E aí vem a pergunta: quais atletas poderiam ser incorporadas a esta equipe para torná-la competitiva em nível olímpico?

Que carta ainda temos na manga para nos dar um alento?

E será que a adesão de mais duas ou três atletas será suficiente para consertar esse basquetebol feminino tão judiado e esquecido?

Vejam nossos campeonatos. Poucas equipes de qualidade. Atletas que se revezam nas poucas equipes existentes.

E se formos falar da base então veremos que o quadro é estarrecedor.

Faltou planejamento. Faltou acreditar que nossa geração medalhista um dia acabaria. Faltou investir na base

Desculpem se estou sendo crítico ou pessimista demais. Mas é assim que encaro a realidade do basquetebol feminino no Brasil.

Espero “queimar minha língua” e ver o Brasil no pódium ou, no mínimo, estar nos Jogos Olímpicos com uma equipe realmente competitiva e representativa de nossa tradição.

Mas por enquanto está difícil acreditar nisto.

Jogos Olímpicos · Pré Olímpicos

Os caminhos que levam ao Rio-2016

Amigos do Basquetebol

Terminado o Pré Olímpico Europeu Feminino que apontou Sérvia como a primeira equipe classificada para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro e às vésperas do início do Pré Olímpico Feminino das Américas vejam quais são os caminhos que as equipes terão que percorrer para chegar até lá.

Como sabem, nos Jogos Olímpicos, participam somente 12 equipes no masculino e 12 no feminino o que torna os Pré Olímpicos competições muito duras e injustas (sobre o tema publiquei os posts – https://vivaobasquetebol.wordpress.com/2011/09/18/espirito-olimpico-ou-injustica-olimpica/ e  https://vivaobasquetebol.wordpress.com/2012/07/09/espirito-olimpico-ou-injustica-olimpica-2/

Mais uma vez a Oceania é beneficiada pois há somente duas equipes em disputa e a vencedora do confronto direto (Austrália x N.Zelândia) estará classificada enquanto a perdedora tem sua vaga grantida nos pré-olímpicos mundiais que serão disputados em 2016 (feminino de 13 a 19 de junho e masculino de 4 a 10 de julho em locais ainda há serem definidos).

Nas duas competições olímpicas os Estados Unidos já estão classificados, pelo fato de terem se sagrado Campeões Mundiais. O Brasil, como país sede, está na dependência de uma decisão da Central Board da FIBA para garantir sua vaga. (Até o momento que escrevo e divulgo este post ainda não temos essa decisão).

No masculino os pré-olímpicos garantirão vaga para mais 7 equipes. Portanto  restarão 3 vagas para o Pré Olimpico Mundial  (POM) caso o Brasil seja confirmado. Não sendo confirmado este número subirá para 4 vagas disputadas por 12 equipes.

As vagas no masculino estão assim distribuídas:

América – 10 equipes – 2 vagas (3 para o POM) – será realizado no México de 31/08 a 13/09

África – 16 equipes – 1 vaga (2 para o POM) – será realizado na Tunísia de 19 a 30/08

Ásia – 16 equipes – 1 vaga (2 para o POM) – será realizado na China de 23/09 a 3/10

Europa – 24 equipes – 2 vagas (4 para o POM) – será realiado de 5 a 20/09 em Berlin, Riga, Zagreb e MOntpellier. A fase final será em Lille na França

Oceania – 2 equipes – 1 vaga (1 para o POM) – melhor de 3 entre 15 e 18/08

No feminino os pré-olímpicos garantirão vaga para seis equipes, além dos Estados Unidos. Portanto  restarão 5 vagas para o Pré Olimpico Mundial  (POM) caso o Brasil seja confirmado. Não sendo confirmado este número subirá para 6 vagas disputadas por 12 equipes.

As vagas no feminino estão assim distribuídas:

América – 10 equipes – 1 vagas (3 para o POM) – será realizado no Canadá de 9 a 16/08

África – 12 equipes – 1 vaga (2 para o POM) – será realizado em Camarões de 24/09 a 3/10

Ásia – 12 equipes – 1 vaga (2 para o POM) – será realizado na China de 29/08 a 5/9

Europa – 24 equipes – 2 vagas (4 para o POM) – Classificada diretamente:   Sérvia. Classificadas para o Pré-Olímpico Mundial: França, Espanha, Bielorrússia e Turquia

Oceania – 2 equipes – 1 vaga (1 para o POM) – melhor de 3 entre 15 e 18/08

Independentemente dos classificados teremos a certeza de uma grande competição reunindo o que há de melhor no basquetebol mundial, apesar da ausência de outras grandes potências.

Entrevistas

Uma mulher no comando: entrevista com Mônica dos Anjos

Amigos do Basquetebol

No basquetebol, raramente nos deparamos com a situação de uma mulher dirigir equipes masculinas. O que não acontece na situação inversa, onde a maioria das equipes femininas são dirigidas por homens. Talvez seja pela tradição, pelo mercado de trabalho ser voltado para homens ou mesmo preconceito. A verdade é que são raros os casos da liderança feminina frente a equipes masculinas e na LDB, encontramos um desses raros casos.

Refiro-me à Professora Mônica dos Anjos, técnica de basquetebol, atualmente dirigindo a equipe do Pequeninos Rhema de Campina Grande que disputa a LDB 2015  que nas edições de 2013 e 2014 dirigiu a equipe do Náutico Capiberibe do Recife.

Por ser a única mulher a dirigir uma equipe masculina na competição é que conversamos sobre questões que abordam liderança, relação entre técnica e atletas, metas e projetos. Inicialmente solicitei à Mônica que falasse um pouco de sua carreira esportiva e como surgiu a oportunidade de dirigir uma equipe masculina em campeonatos estaduais, regionais até chegar à LDB:

“Meu caminho foi igual a de muitos outros técnicos. Iniciei jogando pelo colégio, passei por equipes femininas do Recife e também pela seleção pernambucana nas categorias de base. Apesar de não ser uma grande jogadora eu era muito competitiva, disciplinada e gostava muito de jogar. Quando terminei o terceiro ano meu técnico me chamou para ser estagiária no colégio para trabalhar com a escolinha. Aí teve uma competição e ele tinha várias equipes e me deixou com uma equipe pré mirim masculina. Conseguimos ganhar o estadual. Foi uma experiência maravilhosa. E isto me mostrou o que eu realmente queria.

Na sequência eu assumi o feminino onde trabalhei por volta de 15 anos. Trabalhei com escolinha e participei como assistente na equipe feminina que disputou a Liga Nacional mas no colégio que eu trabalhava havia muita procura pelo basquetebol masculino. Então o diretor me pressionou para arrumar um horário para trabalhar com o masculino.

Daí em diante a coisa foi crescendo e eu acabei ficando com o masculino e sempre pensando no que eu poderia fazer e nas metas que eu poderia estabelecer. A equipe era boa, foi evoluindo e começou a ganhar campeonatos estaduais mesmo sendo colegial. Era um grupo forte a Escola dava uma boa estrutura. Como o grupo era diferenciado eu vi nele um grande potencial. Isto aconteceu por volta de 2006.

Com esta equipe, mesmo juvenil, disputamos Estaduais, Copa Brasil e em 2011 houve a primeira LDO e eu tracei uma meta de entrar nessa competição, mesmo que isto demorasse alguns anos e apesar de treinarmos pouco. Eu queria entrar com um time local mesmo que não tivéssemos condições de continuar. Eu gosto de testar meus limites. Preciso tentar. Não me frustro por não conseguir e sim por não tentar. E esse era o objetivo: chegar na LDB.

Em 2013 entramos na LDB com o Náutico na LDB para mostrar que na região também há talentos. Para nós foi um choque. Ganhamos um só jogo. Parecia que jogávamos em outra rotação. Nosso jogo era lento em relação a outras equipes mais fortes. Até para o trabalho de base isso era importante e eu comecei a conversar com as pessoas que trabalhavam na base para que mudassem a forma de treinar. Mesmo ganhando um só jogo, a equipe teve uma melhora muito grande durante a competição. E isto nos incentivou a continuar.

Para a LDB 2014 mudamos o treinamento, era mais profissional, estávamos mais preparados e trouxemos alguns atletas. E naquela competição nossa meta era muito real: ficar nos postos intermediários. Ganhamos 11 jogos em 23” e atingimos nossos objetivos”

Depois de ficar anos no Náutico, em 2015 a Professora Mônica mudou para o Pequeninos Rhema que é um projeto social em Campina Grande que, entre tantas coisas, privilegia também o esporte e abraçou o basquetebol. Sobre esta mudança a Mônica disse o seguinte:

“Eu moro em Recife e conseguimos montar um estrutura muito boa em Campina Grande. Mas é complicado porque eu vou aos finais de semana e treinamos 3 dias (sexta, sábado e domingo). Eles abriram mão do final de semana. No meio da semana treinam com o assistente e o preparador físico.

Mas mesmo com essas dificuldades já tivemos um ganho fisicamente na velocidade, tecnicamente e taticamente. O grupo está junto há um mês o que não é suficiente. A meta para este ano é para repetir o que foi feito no ano passado, mas se vacilarem tentaremos ficar entre os oito. Sabemos que há equipes fortes mas se forem deixando tentaremos ficar entre os oito. Tem muito trabalho a ser feito mas eu não sou de me acomodar. É a meta. Se não conseguirmos vamos trabalhar mais forte ainda.”

Na sequência falamos do relacionamento com o grupo de garotos, disciplina e respeito e como lida com essas situações de liderar um grupo masculino.

“Trabalhei muito com feminino e as exigências são as mesmas. Eu converso muito com eles. Eu não sou uma técnica que fica na porta do hotel vigiando os atletas. Não perco minha noite de sono com isto. Perco as noites estudando e vendo os vídeos e analisando os jogos. Tem que haver comprometimento e consciência.

O trabalho deve ser conjunto. Se eles não tiverem essa consciência fica difícil. É uma relação de confiança. E esta confiança deve partir da liderança. Eu não faço o que eu não permito que eles façam. Eu sou radical e já mandei atleta embora no meio da competição.

Quando acontece um problema eu trato individualmente. Quando o problema atinge o grupo aí eu chamo a atenção do coletivo. Sendo mulher eu tenho que tomar cuidado na maneira de falar e me dirigir a eles. Mas a franqueza é muito importante. Quando eu não gosto eu falo abertamente.

Os problemas existem mas sempre tentamos resolver internamente e com muita franqueza. O problema não pode crescer. 

Tento ser amiga deles e me importo com a vida deles fora das quadras. É importante ter uma convivência com os meninos. Vamos juntos ao cinema e isso aproxima. Eume considero amiga deles e muitos me vêem também como uma amiga.

Eu sou daquelas que perco o jogo mas não abro mão do que acredito. Perdi jogos porque Já deixei atletas de fora por indisciplina.

Por ser mulher dirigindo homens nunca tive problemas de pressão ou preconceito exatamente por esse relacionamento respeitoso entre todos”

Para finalizar conversamos sobre o projeto Pequeninos.

Este projeto social foi uma das coisas que me levou a ir a Campina Grande e mudar toda a logística da minha vida. Ele é desenvolvido em Soledade que fica a cerca de 40km de Campina Grande e é coordenado pelo pastor Jairo Pacheco.

Acredito no esporte como fator de mudança social e não só como formador de atletas. Eu me preocupo muito com as crianças de um modo geral e principalmente com aqueles que não serão atletas mas que querem praticar esporte.

O projeto reune cerca de 1500 crianças, tem centro de reabilitação, aulas de inglês, espanho e informática, reforço escolar, educação religiosa e música. E o basquete se tornou o carro chefe na divulgação do projeto, mas há a intenção de expandir para outros esportes. Nossa equipe se tornou um espelho para essas crianças. Vamos ser multiplicadores e influenciar positivamente na vida delas. A ideia é participar de competições de base.

Ele funciona muito bem. O retorno é maravilhoso. A comunidade olha para nossa equipe e as pessoas acompanham pelas redes sociais e nas atividades que realizamos. A cidade para.Temos público. E para o basquete é muito importante.

E no futuro temos a ambição de participar da LIga Ouro. Já estamos trabalhando para isto melhorando nossa estrutura e mostrando que temos condições para isto. É claro que temos que reforçar a equipe. Então sempre penso em melhorar de um ano para outro.”

Para conhecer mais sobre o Projeto Pequeninos acesse http://www.projetopequeninos.com.br/

Mônica (a terceira da esquerda para a direita) e a equipe dos Pequeninos Rhema
Mônica (a terceira da esquerda para a direita) e a equipe dos Pequeninos Rhema
O projeto Pequeninos onde o basquetebol é exemplo
O projeto Pequeninos onde o basquetebol é exemplo