Opinião do autor

O basquetebol feminino e seu futuro

Amigos do Basquetebol

O Brasil ficou em 4o. lugar na Copa América perdendo da Argentina (duas vezes) fato que não ocorria há mais de 50 anos.

O resultado em si não deve preocupar pois, afinal de contas, já estamos classificados para os Jogos Olímpicos.

E é isto o que me preocupa. Estamos classificados para os Jogos Olímpicos. Que papel faremos nesses Jogos. Somos anfitriões e como tal devemos apresentar uma equipe condizente com esta condição e condizente com  a tradição do basquetebol feminino, campeão mundial e duas vezes medalhista olímpico.

Mas será que iremos conseguir isto? E não me refiro em obter medalhas (particularmente acho que com o andar da carruagem o basquetebol feminino não deverá estar entre os 4 primeiros dos Jogos).

E que não se critique o técnico Zanon, a comissão técnica e as atletas que se esforçam para oferecer o melhor de seu desempenho.

Hoje, Zanon tem em suas mãos uma equipe esforçada mas sem brilho. São jovens que estão dando seu melhor para representar o país. Mas será que isto é suficiente?  E aí vem a pergunta: quais atletas poderiam ser incorporadas a esta equipe para torná-la competitiva em nível olímpico?

Que carta ainda temos na manga para nos dar um alento?

E será que a adesão de mais duas ou três atletas será suficiente para consertar esse basquetebol feminino tão judiado e esquecido?

Vejam nossos campeonatos. Poucas equipes de qualidade. Atletas que se revezam nas poucas equipes existentes.

E se formos falar da base então veremos que o quadro é estarrecedor.

Faltou planejamento. Faltou acreditar que nossa geração medalhista um dia acabaria. Faltou investir na base

Desculpem se estou sendo crítico ou pessimista demais. Mas é assim que encaro a realidade do basquetebol feminino no Brasil.

Espero “queimar minha língua” e ver o Brasil no pódium ou, no mínimo, estar nos Jogos Olímpicos com uma equipe realmente competitiva e representativa de nossa tradição.

Mas por enquanto está difícil acreditar nisto.

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3 comentários em “O basquetebol feminino e seu futuro

  1. Vou falar das escolas Estaduais do Estado de São Paulo, o mais rico.
    Hoje existem nas escolas as ACDs (Atividades Curriculares Desportivas). Para mim, uma das poucas formas do esporte atingir o povo maciçamente. Entretanto, governo após governo, as aulas estão diminuindo, e a quantidade de turmas também. Educação Física no horário normal não funciona, deveria ser no contra turno, estuda de manhã treina a tarde, estuda a tarde treina pela manhã, esse treina é a parte prática da aula de Educação Física. Os professores continuam fazendo o papel de pai, tirando do bolso e custeando os alunos. Temos que ter uma política educacional de esportes, passando pelas escolas, municípios e estados. Se para cada dólar investido no esporte, economizamos três na saúde, o que estamos esperando?
    Hortência, Paula, Janeth e etc…, surgiram nas escolas. Temos que valorizar a Educação Física nas escolas, só assim teremos novos valores.

    1. Infelizmente nossa politica esportiva está completamente errada. Investimos demais no topo da piramide enquanto deixamos a base de lado. É lógico que devemos investir no esporte de alto nivel, mas para que possa existir tal investimento é necessário que exista atletas para isso e estes atletas vem da base. E não é só no basquete. O problema é visto em todos os esportes. Enquanto este trabalho de base for relegado a clubes o processo não anda. É necessário que se faça uma revisão do nosso método e colocar a escola como base do processo. A Educação Física vem cambaleando há muito tempo. O esporte como aula, como instrumento pedagógico foi relegado a segundo plano. Muito professores de Ed. Física (não todos) tem aquela atitude de “soltar a bola” e deixar o jogo rolar”, sem nenhuma forma de ensino ou educação. Temos que valorizar o profissional de Educação Física e mudar nosso enfoque nas aulas, para que os alunos tenham a base e sejam direcionados ao esporte que tenham mais facilidade. É um processo complicado e requer uma mudança radical que não cabe apenas aos professores de Educação Física. É preciso uma aliança entre educação e esporte.

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