Entrevistas · História do Basquetebol

Entrevista com Antonio Carlos Vendramini

Amigos do Basquetebol

Entrevistei um dos mais conceituados técnicos do basquetebol brasileiro. O Campeoníssimo Antonio Carlos Vendramini.

Vendramini recém conquistou a Liga Sulamericana Feminina e o Campeonato Paulista defendendo o Corinthians Americana na mais nova parceria do basquetebol feminino no Brasil.

VB – Fale sobre sua formação, início da carreira, clubes que dirigiu, títulos e seleção brasileira.

ACV – Sou formado pela Escola de Educação Física de Assis ( 1.972 ) cursei, como aluno especial,na Unicamp, Pedagogia do Esporte ( Paes ) . Iniciei como técnico em Osvaldo Cruz, no Clube das Bandeiras ( masc. ) e Mathilde Zacharias em Prs. Prudente.
Minha primeira equipe feminina foi a Assossiação Prudentina de Esportes Atléticos ( APEA ), uma temporada no Coroados de Pres. Venceslau. A partir de 1.987 fui para Sorocaba na Minercal até 1.992. ( em Sorocaba, Arisco, Consteca, Leite Moça etc ).Por uma temporada dirigi o São Bernardo do Campo, em seguida Ourinhos, Marilia ( Unimar ) e Americana Unimed atualmente Corinthians/Americana.
Conquistei como técnico de clubes: Paulista Estadual  13 vezes, Nacional 11 vezes, Sul-americano 6 vezes e Mundial de Clubes Campeões 2 vezes. Tive uma rápida passagem pela Seleção Brasileira ( não era nada político ) Conquistando o Sul-americano e Vice na Copa América, classificando o Brasil para o Mundial. ( 1.989-1.990 )

VB – 2 – Houve algum técnico que o tenha inspirado ou servido de modelo?

ACV – Quando comecei, viajei muito para assistir treinamentos, e os mais conceituados no Brasil, eram Edvar, Mortari, Pedroca e fui tirando um pouco de cada um até chegar a minha filosofia de trabalho.Lógico que a participação em eventos internacionais e “muiiiiiito” estudo, fui e continuo aprendendo com o basquete no mundo todo.

VB – Como você analisa o basquetebol feminino ao longo dos anos? O basquetebol feminino está em crise?

ACV – Comecei no feminino na época áurea de Paula e Hortência, então posso dizer que vivi os melhores momento do basquete feminino no Brasil. As duas despertaram o interresse de milhares de crianças e adolescentes que passaram a procurar locais para praticar a modalidade. Surgiram outras grandes jogadoras que por algum tempo representaram o basquete brasileiro com conquistas importantes. Atualmente o basquete feminino sofre com a falta de patrocínios e de uma gestão profissional. Talvez uma coisa leva a outra.

VB – Depois da geração de ouro (Paula, Hortência, Janeth, etc..) houve um retrocesso?

ACV – A falta de ídolos na modalidade é e será sempre um problema para a modalidade. Mas acho que o maior pecado, é a falta de planejamento a nível nacional e a má gestão. O fato de não termos uma Política Nacional de Esportes, é o maior passo para o retrocesso.

VB – Fale sobre o trabalho de base que é realizado no feminino no Brasil

ACV – Apesar de termos muitos profissionais dedicados, o trabalho de base não tem um rumo a ser seguido. Você começa um trabalho e não sabe : quanto tempo vai durar, onde pode chegar. Esbarra justamente no que citamos acima. Penso que o basquete nas escolas seria uma excelente ideia. ( a clientela esta lá ) . Alem de ocupar o tempo das crianças e adolescentes ( social ) teríamos condições de observar os talentos, que surgiriam até de forma natural. A capacitação dos profissionais é ponto de honra. Bem, é um assunto muito importante e delicado.

VB – Quais as perspectivas para o basquetebol feminino no Brasil especialmente em função dos Jogos Olímpicos 

Mesmo sendo otimista, acredito que perdemos muito tempo na preparação de um basquete realmente representativo para disputa dos Jogos Olímpicos. Temos que correr bastante e mudar a forma atual de conceitos para os Jogos Olímpicos.

VB – Quais seriam as ações que poderiam ser adotadas para incrementar a prática do basquetebol feminino no país?

A única forma é a que ja foi respondida nas anteriores; PLANEJAMENTO A MÉDIO E LONGO PRAZO, GESTÃO PROFISSIONAL, e forte investimento na massificação e categorias de base.( basquete nas escolas…JÁ )

VB – Saindo do basquetebol feminino e partindo para um tema mais geral: você crê que é necessária a formação em educação física para que uma pessoa exerça a função de técnico?

ACV – Acho que a formação em Educação Física, da uma base sólida para o profissional se especializar tecnicamente e em gestão de pessoas. Como em quase tudo, existem exceções pontuais.

VB – Mensagem final.

Não se contente em ficar na frente do computador copiando as táticas dos grandes técnicos.
O que serve pra uns pode não ser bom para outros.
Vá a luta

“Ousar é perder o pé momentaneamente. Não ousar é perder-se”
SOREN KIERKEGAARD.

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Basquetebol Europeu

Euroleague 2015/2016

Amigos do Basquetebol

Começou a Euroleague. O maior campeonato inter-clubes do mundo.

São 24 equipes divididas em 4 grupos que lutarão pelo título europeu que dá direito à disputa da Copa Intercontinental.

Na temporada passada tivemos o Real Madrid como campeão. E neste ano quem chegará ao ponto mais alto do pódio?

A fase de grupos ocorrerá entre 15 de outubro e 18 de dezembro. As quatro equipes melhores classificadas de cada grupo avançarão e serão reagrupadas em 2 grupos de oito equipes, o chamado “Top 16”. . Esta fase ocorrerá entre 29 de dezembro e 8 de abril.

Os quatro melhores de cada grupo irão para os “playoffs” que serão disputados em melhor de cinco jogos entre 12 a 16 de abril.

O “final four” acontece nos dias 13 e 15 de maio em Berlin.

Nesta temporada teremos 4 equipes da Espanha, 4 da Turquia, 3 da Rússia, 2 da Alemanha, 2 da Grécia, 2 da França, 2 da Itália e uma de cada um dos seguintes países: Lituânia, Croácia, Sérvia, Israel e Polônia.

Das 24 equipes somente 3 são estreantes: Stelmat da Polônia e Pinar Izmir e Darussa da Turquia.

Vejam como ficou a divisão dos grupos:

A: Real Madrid, Khimki (Rússia), Crvena (Croácia), Fenerbahçe (Turquia), Bayer (Alemanha) e Strasbourg (França)

B: Olympiakos (Grécia), Anadolu (Turquia), Laboral (Espanha), Milan (Itália), Cedevita (Sérvia) e Limoges (França)

C: Barcelona, Panathinaikos (Grécia), Lokomotiv (Rússia), Zalguiris (Lituânia), Pinar (Turquia) e Stelmet (Polônia)

D: CSKA (Rússia), Maccabi (Israel), Unicaja (Espanha), Brose (Alemanha), Darussa (Turquia) e Dínamo Sardenha (Itália).

Façam suas apostas. A festa vai começar.

O Real Madrid comemora o título
Real Madrid o maior vencedor da Euroliga. Quem poderá superá-lo?

 

Opinião do autor · Todos os posts

Dia do Professor

Amigos do Basquetebol

Em 14 de outubro de 2011 publiquei este post que agora replico:

Hoje é o Dia do Professor.

Você se lembra disso?

Pergunto, pois, por incrível que pareça, muitas Escolas e, principalmente, os alunos se esquecem de comemorar esse dia tão importante dedicado a pessoas tão importantes.

Sequer recebemos os parabéns.

Mas todos nós sabemos da importância que temos para a sociedade e para a formação de nossos cidadãos, sejam eles crianças, jovens, adultos ou pessoas mais maduras.

O professor ou a professora é aquele que, segundo o dicionário Aurélio, professa ou ensina uma ciência, uma arte, uma disciplina, uma técnica.

O Dia do Professor foi comemorado pela primeira vez em 1947 no Ginásio Caetano de Campos (o Caetaninho), instalado na Rua Augusta, em São Paulo.  Um grupo de professores resolveu estabelecer um dia de descanso no segundo semestre letivo que ia de 1 de junho a 15 de dezembro. Isto aconteceria em 15 de outubro, data na qual professores e alunos fariam uma confraternização.

A partir de então a confraternização aconteceria todos os anos em muitas cidades do Estado de São Paulo e, posteriormente, em outras cidades do país até se tornar oficial  em 1963 a partir do Decreto Federal 52.682 de 14 de outubro.

Todos nós envolvidos com o ensino do basquetebol , independentemente do nível de nossos alunos/atletas devemos nos lembrar que, mesmo antes de sermos técnicos, somos educadores.  Devemos cuidar de nossos jovens e de sua formação. Isto é o que fica para a vida.

Ganhar jogos ou campeonatos são circunstâncias de um sistema e de todo um processo de preparação. Isto é importante, é claro.

Mas ter ensinado mais do que um esporte, no caso o basquetebol, é muito mais gratificante.

E esta é nossa função. Esta é a função do verdadeiro professor, do mestre.

Felizes daqueles que puderam ter a alegria de serem reconhecidos por seus ex-alunos, ex-atletas pelo que deixaram para a vida deles como cidadãos e não, necessariamente, por terem formado equipes ou atletas campeões.

Esta é a nossa verdadeira vocação.

Não se esqueça de cumprimentar um colega.

Feliz Dia do Professor.

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Recado aos pais

Amigos do basquetebol

O jogo de Basquetebol é um evento composto de três importantes elementos: os técnicos, os árbitros e os atletas.

Mas nas categorias de base e, em especial, no minibasquetebol há um quarto elemento que é fundamental para o bom (ou mau) desenvolvimento da criança como atleta e, principalmente com  cidadão. Refiro-me aos pais.

Eles muitas vezes exageram no “incentivo” ao filho e proporcionam cenas grotescas que acreditam sejam para ajudar o desempenho da criança.

Sendo assim, e para comemorar o Dia da Criança e o Dia do Basquete, trago alguns recados que as crianças gostariam de dar a seus pais

As frases foram traduzidas de um cartaz que observei em um festival de minibasquetebol realizado no interior da Argentina e a elas acrescentadas alguns lembretes:

Papais e Mamães

  • Não gritem em público
  • Não desrespeitem professores/técnicos e os árbitros
  • Não gritem comigo
  • Não me deem instruções durante o jogo
  • Não queiram me dar aulas sobre meus erros após os jogos
  • Não desrespeitem ou menosprezem meus companheiros e adversários
  • Não se esqueçam que é só um jogo e eu estou tentando fazer o meu melhor
  • Não queiram me converter em uma super estrela
  • Não joguem suas frustrações sobre meus ombros

Lembrem-se que:

  • Estou apenas começando a aprender, então vou errar muitas vezes
  • Tenho um técnico/professor que está ali para me orientar
  • As outras crianças também têem o direito de jogar tanto quanto eu
  • Estou me esforçando para fazer o melhor
  • É importante que vocês estejam presentes nos jogos para me incentivar, independentemente do resultado
  • Eu preciso do seu apoio e conselhos
  • Eu posso não vir a ser o grande atleta que vocês sonham
  • Não sou um adulto em miniatura

Enfim:

Sou só uma ‘CRIANÇA” querendo se divertir.

Feliz Dia da Criança e Dia do Basquete

basquetebol

História do Basquetebol

Copa Intercontinental (Mundial Inter-Clubes): curiosidades

Amigos do Basquetebol

Terminada a Copa Intercontinental fiz um levantamento de dados sobre a competição. São muitas curiosidades e números que gostaria de compartilhar com vocês.

A fonte deste trabalho é o site http://www.linguasport.com e é claro ele pode conter erros. Mas creio que a maioria das informações está correta.

  • A Copa Intercontinental começou  a ser realizada em 1966 com o nome de Campeonato Mundial Inter-Clubes ou Copa “William Jones”. Ela sofreu uma interrupção em 1987, voltando a ser realizada em 1996 quando sofreu nova interrupção para voltar em 2013 com o nome de Copa Intercontinental pois a partir de 1996 a disputa foi somente entre os campeões das Américas e da Europa.
  • Nas 25 edições da competição o Brasil só não esteve representado em 1982 e 1996. O Corinthians foi o primeiro representante brasileiro, obtendo o vice-campeonato em 1966. Além do Corinthians (4 participações) os clubes brasileiros na Copa são os seguintes: Sírio (6 participações); Franca (5); Monte Líbano (4); Bauru, Botafogo, Flamengo, Pinheiros e Vila Nova (1).
  • Em 1972 a Copa foi realizada no Brasil e reuniões as seleções do Brasil, Polônia, Estados Unidos e União Soviética. Os americanos ficaram com o título e o Brasil foi 3o. lugar. Esta edição não foi considerada para a análise que se segue.
  • O Brasil obteve 2 títulos: Sírio em 1979 e Flamengo em 2014; 8 vices: Corinthians (1966); Sírio (1973 e 1981); Franca (1975 e 1980); Monte Líbano (1985); Pinheiros (2013) e Bauru (2015. Além disto foram 5 terceiros lugares: Sírio (1969, 1978 e 1984); Corinthians (1970) e Vila Nova (1974)
  • Os demais títulos foram assim conquistados: Itália 7 (Ignis Varese 3; Cantu – 2; Tracer Milano e Banco Roma -1); Espanha 6 (Real Madrid – 5 e Barcelona – 1); Estados Unidos 4 (Akron Goodyear – 3 e Maryland – 1); Grécia 2 (Olympiakos e Panatinaikos); Israel (Maccabi), Lituânia (Zalgiris) e Argentina (Obras Sanitárias) 1 cada
  • As equipes brasileiras que mais atuaram foram: Sírio (27j – 18v e 9d); Franca (Amazonas e Francana – 27j – 15v e 12d); Monte Líbano (19j – 10v e 9d); Corinthians (12j – 4v e 8 d).
  • Em toda a história da Copa houve somente um confronto entre brasileiros. Foi em 1981 quando Sírio e Francana se enfrentaram com a vitória do Sírio (87×77).
  • Ao todo os brasileiros realizaram 97 jogos (exceto o citado acima) com 53 v e 42 d. O Brasil enfrentou diferentes equipes de vários países. Contra os Estados Unidos tivemos o maior número de jogos (21j – 13v e 8d) seguido por Itália (16j – 7v e 9d), Espanha (15j – 5 v e 10d) e Argentina (13 j – 8v e 5 d). Ainda jogamos contra equipes da Austrália, China, Filipinas, Grécia, Israel, Iugoslávia, Lituânia, México, Porto Rico, Rep.Centro Africana, Senega, e Venezuela
  • O Real Madrid foi a equipe mais enfrentada pelos brasileiros sendo 9 vitórias dos espanhois e 4 dos brasileiros. Segue o Maccabi (6 jogos – 3 vitórias cada); Ignis Varese (5 jogos – 2 vitórias dos brasileiros); Obras Sanitárias (5 jogos – 2 vitórias dos brasileiros); Ferrocarril (5 jogos (4 vitórias dos brasileiros) e Mobilgirgi (4 jogos – 3 vitórias dos brasileiros)
  • As cinco maiores vitórias dos clubes brasileiros foram: Amazonas Franca x Tresor RCA em 1975 (109×55 – 54 pts); Monte Líbano x Obras Sanitárias em 1986 (129×76 – 53 pts); Francana x Real Madrid em 1980 (116×73 – 43 pts); Corinthians x Obras Sanitárias em 1986 (126×84 – 42 pts) e Francana x Real Madrid em 1981 (101 x 60 – 41 pontos)
  • Nesses 97 jogos a média de pontos dos brasileiros foi de 87,0 contra 83,8.
  • Os técnicos com maior número de participações na competição foram Pedroca com 6 torneios, sendo 5 por Franca e 1 pelo Sírio e Cláudio Mortari (6 – 4 pelo Sírio, 1 pelo Pinheiros e 1 pelo Corinthians), Moacyr Daiuto (4 – todas pelo Corinthians), Edvar Simões (3 pelo Monte Líbano), Guerrinha (Bauru), Neto (Flamengo), Angel Crespo (Sírio), Mical (Vila Nova) e Tude Sobrinho (Botafogo) com uma participação cada.
  • Os jogadores que mais atuaram: Hélio Rubens (7 –  5 Franca – 1 Sírio – 1 Corinthians); Fausto (6 – 5 Franca – 1 Sìrio); Dodi (6 – 5 Sírio – 1 Vilanova); Robertão (6 – 5 Franca – 1 Sírio); Adilson (6 – 4 Franca – 1 Corinthians – 1 Vila Nova); Marquinhos (6 – 4 Sírio – 1 – Franca – 1 Vila Nova); Totô (5 – Franca); Marcel (5 – 3 – Sírio – 1 Monte Líbano – 1 Corinthians
  • Com 4 participações: Cadum, André, J.Geraldo, Luizão, Gilson, Geurrinha e Maury
  • Com 3 participações: Fransérgio, Mical, Wlamir, Ubiratan, Paulo Esteves, Saiani, Wagner, Paulinho Villas Boas, Eduardo, Larry, Oscar, Israel, Pisérgio, Toninho, Pipoka, Agra e Gerson

Nossos Campeões Mundiais

Sírio - 1979
Sírio – 1979
Flamengo - 2014
Flamengo – 2014