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Com tabelinha ou sem tabelinha?

Amigos do Basquetebol

Há anos (e muitos anos) acompanho a discussão sobre as regras do minibasquetebol vigentes no Brasil, especialmente nos campeonatos em São Paulo.

Desde o início desse movimento, São Paulo resolveu correr na contramão do que vinha sendo praticado no mundo todo, adotando regras próprias que nem sempre privilegiavam a criança e sim as conveniências dos clubes e, pasmem, dos técnicos que parece terem como maior interesse a conquistas de títulos e não a formação de futuros atletas.

Recentemente, em outra reunião promovida pela Federação Paulista de Basketball, para discutir o assunto, foi aprovada, a partir de votação entre os presentes a retirada da tabelinha com o aro a 2,75m do chão para que as crianças que disputam os campeonatos sub-12 joguem com o aro “normal” que fica a 3,05m do chão.

Foram várias justificativas. Entre elas a falta de profissionais para colocar e retirar a tabela e a principal delas a normativa da FIBA que agora regulamenta esta altura para a referida faixa etária.

No entanto, nas mesma normativa usada como justificativa a FIBA recomenda que não haja cesta de 3 pontos, que não se marque por zona e que não haja tempo para a posse de bola.

Ou seja, a normativa serve para um aspecto mas não para outros.

Tentando alertar os técnicos sobre os malefícios desta medida os representantes da Liga Estudantil de Basquetebol entregaram uma carta aos presentes que passo a divulgar agora com a devida permissão da Liga

Prezados Senhores;

Por meio deste oficio vimos apresentar os motivos pelos quais a LBE (Liga de Basquete Escolar) acredita na importância da manutenção da regra da altura do aro de 2,65 (2,75) na categoria de Mini pela FBP (Federação Paulista de Basketball) no campeonato de 2016.

O Mini é a fase mais importante no processo de formação dos atletas de Basketball, por ser a primeira categoria, é nesta idade que o atleta inicia a aprendizagem das habilidades e fundamentos do jogo e ao mesmo tempo toma gosto e motiva para o processo de treinamento e competição, adquirindo experiências ricas para seu desenvolvimento biopsicossocial e contribuindo para sua formação integral.

Pelo caráter educacional e nesta categoria também que os atletas aprendem os valores inerentes ao esporte e a vida como: respeito, disciplina, comprometimento, companheirismo e outros que fazem que o nosso esporte seja reconhecido na formação do cidadão e do atleta.

Durante vários anos temos visto uma grande incoerência e desordem com relação à uniformidade de regras visando o objetivo principal da categoria que é a iniciação a vida esportiva do Atleta sem pressão e demandas excessivas.

Em 2011 a FIBA Américas lançou um estudo/documento (anexo) visando à padronização enorme na faixa etária de introdução do jogo às crianças, uma das recomendações e que a partir dos 12 anos as crianças devem jogar com aro em altura máxima e com bola n° 5.

Essa mudança foi adotada em federações e confederações, em outros países, sendo motivo de crítica pelos técnicos e especialistas na área. Sua aplicação foi prejudicial aos objetivos da categoria, no que diz respeito ao desenvolvimento do gesto técnico e fundamentos do jogo como também na motivação em alcançar o objetivo principal do jogo, a cesta. Outro motivo é o cerceamento a participação na categoria de atletas mais novos de 10 e 11 anos, pois estes teriam uma dificuldade maior em participar do jogo com o aro na altura máxima. Impedindo assim a formação de equipes de idades mescladas (fato que ocorre em algumas das nossas equipes).

Com estes problemas apresentados a Confederação Argentina (consulta ao Prof. Ricardo Bojanich) voltou atrás na determinação da FIBA e a competição de 2016 terá a altura de 2,65 para crianças até 12 anos. Os atletas com uma estatura acima da média poderão jogar na categoria de 13 anos onde a altura do aro é de 3,05.

Vemos que a decisão da FPB em mudar a altura do aro de 2,75 para 3,05 nesta idade esta embasado neste documento da FIBA Américas e na argumentação dos técnicos da categoria relatando a facilidade de alguns atletas com a estatura acima da média.

Neste sentido descrevemos alguns pontos a serem relevados para manutenção da regra da altura do aro em 2,75 para o campeonato de 2016:

1 – Problemas no processo de ensino do gesto técnico do arremesso. Erros da aprendizagem do gesto técnico do arremesso em função da falta de força na execução no aro da altura máxima.

2 – Cerceamento e dificuldade aos atletas com média de altura inferior de participar com efetividade e motivação na competição.

3 – Cerceamento e dificuldade aos atletas mais novos (10 e 11anos) de participar com efetividade e motivação na competição. Impossibilitando a participação de um número maior de atletas e equipes

4 – Incoerência em seguir as normas da FIBA para a altura do aro e não respeitar as outras regras como:

– Impossibilidade de utilização de defesa por ZONA (permitido somente a defesa individual);

– Lance livre na distância de 4 metros;

– Não existência de cesta de 3 (três) pontos; (Proporcionando que toda cesta de campo tenha o valor de 2 pontos);

– Não existência do Bônus (lance livre extra quando na falta no ato do arremesso);

– Rodízio de jogadores durante os quartos;

– Não existência de prorrogação quando no empate no tempo normal;

– Não existência da regra de 24 segundos e de posse de bola;

Os motivos acima nos levam a crer que a razão da mudança está relacionada, somente com o resultado esportivo em curto prazo. Pois as outras determinações das regras de Mini basquete da FIBA, não são considerados pela Federação e as equipes participantes.

A intenção de elevar a altura do aro restringe o desenvolvimento técnico da maioria dos atletas nesta idade, privilegiando a poucos atletas com altura acima da média, sendo que estes atletas têm a possibilidade de jogar na categoria de 13 anos com altura do aro a 3,05. 

Pensando no desenvolvimento técnico, motivação e futuro do basquete no estado e país, acreditamos que a mudança é prejudicial à evolução e formação de atletas nesta faixa etária.” 

OBS: o texto da carta é de inteira responsabilidade da Liga Estudantil e não sofreu alterações ou correções no momento de sua publicação.

Como um dos defensores da prática do minibasquetebol que privilegia a criança e a participação devo expressar minha total concordância com esta carta e espero que um dia os nossos profissionais pensem mais nas crianças e menos em suas conveniências ou circunstâncias momentâneas.

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3 comentários em “Com tabelinha ou sem tabelinha?

  1. Concordo plenamente com a Liga de Basquete Escolar e contigo Dante.
    #ficatabelinha

  2. É isso aí Professor!!! Vamos voltar os olhos para a formação de verdade.

Os comentários estão fechados.