Entrevistas

Entrevista com Vitta Haddad: preparador físico da Seleção Brasileira Feminina

Amigos do Basquetebol

A maior recompensa de um educador é testemunhar e curtir o sucesso de seus alunos e, de alguma forma, vê-los reconhecer nosso trabalho.

E é com este sentimento de dever cumprido e com muito orgulho que retomo a coluna de entrevistas com o Vitta Haddad, preparador físico da Seleção Brasileira Feminina.

Orgulho de tê-lo tido como aluno e ter acompanhado seu crescimento pessoal e profissional. Juntos realizamos alguns trabalhos de acompanhamento estatístico, notadamente da equipe do Sírio na década de 1980, dirigida pelo grande Ary Vidal que acreditou naquele trabalho.

Orgulho de vê-lo agora desenvolvendo um trabalho exemplar no nosso basquetebol e que, certamente, tem trazido e trará muitos frutos para nosso esporte.

Recentemente, nos encontramos no evento teste para os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, juntamente com outros ex-alunos da USP, e foi um momento mágico para todos e, especialmente para mim, em ter a oportunidade de constatar a excelência do trabalho de todos eles.

Agora chega de conversa e vamos à entrevista.

Formação acadêmica, cursos e especializações

Ingressei na EEFUSP em 1985 e, durante os quatro anos da graduação, além cursar licenciatura em Educação Física, fiz vários cursos e trabalhei na área. Me graduei em 1988.
Iniciei dando aulas de natação, meu esporte de origem, em uma escola nos Jardins, estudava em período integral e trabalhava a noite. Com o passar do tempo fui definindo minha atuação na área de preparação física e passei a fazer monitorias nos cursos de extensão da escola.
Depois de formado continuei a fazer cursos e participar de congressos. em 1992 Fiz uma especialização em treinamento desportivo no Norte do Paraná, onde conheci o Professor Antonio Carlos Gomes, que fazia doutorado na Rússia.
Lá surgiu a ideia de levar um grupo para fazer uma especialização em Moscou, assim, em 1995 fiz minha segunda especialização, tendo como professores os ilustres Matveev, Verkhoshansky, entre outros grandes treinadores Russos.
Atualmente estou concluindo o mestrado em Biodinâmica do Movimento na UNICAMP.
Porque o interesse pelo basquetebol ?
Sempre gostei muito de esportes e assistia a todos, e cresci assistindo os jogos na TV.
Gostava especialmente do basquete, pelo dinamismo e imprevisibilidade do jogo. Já na faculdade, pude me aproximar mais com uma oportunidade que tive com o Professor Dante De Rose,  grande incentivador de minha carreira, de fazermos um trabalho de estatísticas para o Clube Sírio em 1987.
Lá conheci o professor Fábio Mazzonetto, então preparador físico da equipe adulta do E.C. Sirio. A partir daí iniciei um estágio com o mesmo, gostei e a partir de então me aprofundei cada vez mais em tudo referente a basquetebol.
Como foi parar no basquetebol feminino?
Eu tinha retornado de São Paulo para minha cidade natal, Santa Bárbara d’Oeste e estava trabalhando com preparação física das equipes da cidade, quando surgiu a oportunidade  da Hortência montar uma equipe lá.
Foi na época do rankeamento e a equipe da Seara, tinha acabado de ir para Americana, mas não poderia manter todo o elenco. Assim a Hortência procurou uma alternativa para manter todas as atletas que estavam com ela. O secretário de esportes da cidade, Maurílio Delboux, já conhecia bem meu trabalho e falou para a Hortência que aceitaria montar um time lá se o preparador físico fosse indicação dele. A partir daí não saí mais desse circuito.
Quais os clubes em que atuou e títulos?
Data Control Net, Santa Bárbara d’Oeste, 1997: Campeão do Circuito Paulista 
Knor Campinas, 1999.
Quaker Jundiaí, 2000:  Campeão Jogos Abertos do Interior
Unimed Americana, 2001 a 2014: tri campeão paulista Juvenil (sub19); Hexacampeão Paulista Adulto;  Tetra Campeão dos Jogos Abertos do Interior; Campeão Brasileiro; Tricampeão da Liga Feminina de Basquete 
Sampaio Corrêa, São Luiz, Maranhão: Campeão da Liga de Basquete Feminino 2015/2016
Atuações em seleções e títulos
1998 – Seleção Brasileira sub16 – Campeão Sulamericano
2003 – Seleção Brasileira sub21 – Vice Campeão Mundial 
2004 – Seleção Brasileira sub18 –  Copa América – 4 lugar 
2007 – Seleção Brasileira sub19 – Campeonato Mundial – 9 lugar 
2008 – Seleção Brasileira sub 18 – Copa América – 3 lugar
2009 – Seleção Brasileira sub19 – Campeonato Mundial – 9 lugar 
2010 – Seleção Brasileira Adulta – Campeão Sulamericano 
2010 – Seleção Brasileira Adulta – Campeonato Mundial – 9 lugar 
2011 – Seleção Brasileira Adulta – Campeão da Copa América (Pré Olímpico)
2011 – Seleção Brasileira Adulta – Jogos Pan Americanos – 3 lugar
2012 – Seleção Brasileira Adulta – Jogos Olímpicos – 9 lugar
2013 – Seleção Brasileira Adulta – Campeão Sulamericano 
2013 – Seleção Brasileira Adulta – Copa América (pré mundial) – 3 lugar
2014 – Seleção Brasileira Adulta  – Campeão Sulamericano 
2014 – Seleção Brasileira Adulta – Campeonato Mundial – 11 lugar
2015 – Seleção Brasileira Adulta – Jogos Pan Americanos – 4 lugar 
2015 – Seleção Brasileira Adulta – Copa América (pré Olímpico) – 4 lugar 
2016 – Seleção Brasileira Adulta – Campeão Sulamericano 
Como você compara a preparação física no Brasil em relação a outras escolas mundiais. Você seguiu alguma linha específica ou se baseou em  trabalhos aqui no Brasil?
A preparação física no Brasil, assim como no mundo evoluiu muito e com o advento da globalização o acesso ao conhecimento ficou muito facilitado, temos hoje no Brasil grandes profissionais, com conhecimentos muito sólidos acerca de treinamento desportivo.
Por conta da especialização que fiz em Moscou, meu trabalho tem uma influência muito grande da escola russa e de treinadores do leste europeu, porém tento não fechar somente nisso, conhecendo e estudando outras escolas também.
Quais os principais fatores que diferenciam uma atleta em alto rendimento?
Tem uma frase que gosto muito e todos os anos, no início da temporada eu repito para as atletas que é de um treinador futebol americano, Paul Bear Bryant, que diz o seguinte: “Não é a vontade de vencer que importa, isso todo mundo tem. O que importa é a vontade de se preparar para vencer.”
Então, para mim além do talento, que é importante, a dedicação, foco e a excelência são os fatores que diferenciam uma atleta de alto rendimento.
Falando de Olimpíada: como você analisa a participação brasileira nos Jogos? Quais serão os principais adversários? Que são os favoritos?
Estamos num processo de preparação e as atletas estão muito motivadas e determinadas em fazer bem feito todo o trabalho e isso é muito bom pois eleva os padrões. Temos de nos preparar para fazer nosso melhor, buscar o máximo.
Teremos grandes adversários pela frente, o basquete feminino vem se desenvolvendo muito pelo mundo todo e hoje em dia há grandes escolas de basquete jogando em alto nível. Por toda qualidade e histórico, a seleção Americana é a meu ver, a favorita ao título, já temos classificadas também a Austrália e a Sérvia, dois grandes adversários, além disso creio que Espanha e França devem se classificar no pré olímpico mundial e virão para brigar certamente.
Deixe uma mensagem para os jovens que estão pensando em seguir a carreira de preparador físico.
A mensagem é a que repito em todos os cursos e palestras que faço para esse público, primeiramente ame o que você faz, a partir daí desenvolva sempre seus conhecimentos e aplique-os com bom senso.

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