Opinião do autor

Fim da festa: que tal pensarmos seriamente no futuro do nosso basquetebol?

Amigos do Basquetebol

Acabou a festa. Festa esta que tive a honra, orgulho e satisfação em participar ativamente como voluntário acompanhando a Seleção da Venezuela e, é claro, acompanhando vários jogos de basquetebol, além do ciclismo, atletismo e handebol.

Foi maravilhoso estar do lado de “dentro” da festa. Seguir a rotina de treinos e jogos dos meus simpáticos amigos venezuelanos. Da pousada para a vila. Da vila para o parque dos atletas, onde eram realizados os treinamento. Da vila para o Parque Olímpico para os jogos.

Foi maravilhoso estar na vila onde se convive com grandes e desconhecidos atletas. Foi maravilhoso estar no Parque Olímpico onde realizam-se encontros inesperados com amigos que não via há tempos, com vizinhos de casa, com gente do basquete e de outros esportes, além da multidão globalizada onde tudo parece uma torre de babel.

Foi maravilhoso conhecer o velódromo, linda instalação e assistir competições até então totalmente improváveis na minha vida esportiva. Foi lindo estar no handebol com uma arena pulsante e no Engenhão para as provas de atletismo.

Mas foi na Arena Carioca 1, uma das casas do basquetebol olímpico, que vivi os grandes momentos do evento. Percorrer os bastidores e vestiários. A rotina da chegada e saída das delegações. Dar de cara com astros do basquetebol (Teodosic, Diaw, Parker, Mills, Escola, Ginobilli, entre outros e, é claro, nossos atletas brasileiros) e ter uma surpreendente conversa informal com o Coach K, figura educadíssima e simpática ao extremo.

O empenho do pessoal do FOP (Field of Play)atendimento aos atletas, materiais e equipamentos,  comandados pelo Paulinho Vilas Boas, Fernando Colonese, Lucas, Guilherme Lotufo, Paulo Mardegan, Luizão e o Bira, além das centenas de voluntários que deram o sangue para que tudo desse certo. E como deu.

Encontrar a turma da estatística da qual tenho o orgulho de ter encaminhado nesta área há muitos anos e vê-los trabalhando em um evento deste nível. O Xinxa, Márcio, Vivi, Vivian, Frank, Negretti e todos os demais que agora não me recordo deram o recado. Fizeram um trabalho competente e muito eficiente.

Ao todo foram 25 jogos: 5 com a Venezuela e 22 como espectador incluindo as finais feminina e masculina que de quebra assisti com toda a minha família (inclusive a Manu, minha neta maravilhosa).

Vi jogos bons e ruins (alguns até decepcionantes). Vibrei com a vitória do Brasil sobre a Espanha e me frustrei diante da incrível derrota para a Argentina na segunda prorrogação.

Me decepcionei com as campanhas do Brasil, tanto no masculino quanto no feminino. E de novo pergunto “Como será o amanhã”?  repetindo um título de um post publicado em 2010.

Como será esta amanhã? Será que teremos que esperar mais 4 anos para chegar à conclusão de que algo deve mudar no nosso basquetebol? Será que teremos que amargar mais derrotas e decepções para mudar o atual estado das coisas?

Quando teremos um planejamento real que nos traga esperanças? Talvez não a esperança de medalhas, mas a esperança de termos muita gente praticando nosso esporte. Esperança de termos muito mais equipes em campeonato interessantes. Esperança de termos mais investimento na base. Esperança de ver o basquetebol voltar às escolas.

Temos grandes exemplos de sucesso. Ou será que nada temos que aprender com escolas como a Espanha e Sérvia (só para citar duas delas e nem falar em NBA) que obtiveram medalhas tanto no masculino quanto no feminino e se destacam em competições internacionais de base.

Enfim, depois de ter participado de 4 Olimpíadas e 6 mundiais não sei se terei pique para acompanhar mais eventos deste porte. Mas ainda resta um pouquinho de energia para ajudar a melhorar nosso basquetebol. E como eu há muita gente querendo ajudar a melhorar nosso basquetebol.

Vamos ter mais esta esperança. Quem sabe um dia todos nós possamos nos orgulhar de termos um basquetebol campeão. Não só em Mundiais e nos Jogos Olímpicos. Mas um campeão em praticantes.

Grande abraço a todos e saudações Olímpicas.

Arena Carioca 1 - um dos palcos do basquetebol olímpico
Arena Carioca 1 – um dos palcos do basquetebol olímpico
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