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A crônica da morte anunciada

Amigos do Basquetebol

Sinceramente, alguém esperava algo diferente do que aconteceu na Copa América Feminina?

Ficamos fora do Mundial, fato que não ocorria desde 1959.

Era o que faltava para sacramentar aquilo que a maioria já esperava. Depois dos fracassos nas últimas competições internacionais, nosso feminino conseguiu a proeza de perder para equipes “poderosas” e “com muita tradição” como Ilhas Virgens e Porto Rico.

Sem falar na chacoalhada que tomamos da Argentina, nosso eterno freguês no feminino.

Os problemas? Acho que todos conhecem.

Culpar comissão técnica? Culpar jogadoras?

Como sobreviver em uma realidade que nos mostra um basquetebol feminino baseado em meia dúzia de times, cujas jogadoras praticam revezamento, jogando uma ano em cada um deles?

Como sobreviver em uma realidade em que campeonatos de base praticamente não existem?

Como sobreviver se o maior centro de basquetebol do país ( será que ainda é???) não tem uma equipe sequer no campeonato nacional e quase nenhuma nos campeonatos de base?

Enfim, alguém em sã consciência acreditaria ainda que o Brasil pudesse fazer mais do que fez nessa Copa América?

Que me desculpe o esforçado narrador do Esporte Interativo que disse que o Brasil ficou fora mas saiu de cabeça erguida e que temos que nos orgulhar da equipe. Não dá prá ficar com essa desculpinha esfarrapada.

Que essa vergonhosa desclassificação sirva para dar uma chacoalhada na atual gestão e que ela efetivamente enfrente os problemas do feminino para que novos vexames não venham a ocorrer.

Triste, mas é a nossa realidade.

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Jogos Olímpicos · Opinião do autor · Todos os posts

Há um ano

Amigos do Basquetebol

Há um ano estava eu começando a participar da minha quarta olimpíada. Desta vez diretamente envolvido nos Jogos como acompanhante da seleção masculina de basquete da Venezuela.

Foram momento de grande emoção, muito trabalho, encontros maravilhosos e a sensação e estar no olho do furacão.

Uma rotina diária, da pousada à Vila Olímpica, ao centro de treinamento e às arenas de jogos. Nas folgas passeios pela Vila, assistir jogos de basquete, handebol, ciclismo, ver o atletismo e encontrar grandes amigos para curtirmos juntos momentos incríveis.

Se me perguntassem se eu era a favor dos Jogos no Brasil eu diria que, considerando a situação do país estaríamos entrando numa barca furada. Mas considerando as oportunidades para o esporte nacional com certeza eu era a favor.

A desconfiança era grande mas a garra do povo brasileiro fez tudo funcionar.

Mas, a realidade nos mostrou um quadro desolador para o esporte e para o país. Venderam uma imagem que tudo melhoraria, que o país ganharia com a infraestrutura que estava sendo construída, com as instalações esportivas e outras mentiras que o povo, em geral, em sua humildade, ou até mesmo em sua ignorância, comprou de olhos fechados.

E agora, um ano depois, o que vemos? Uma grande decepção com os resultados pós Jogos. E não me refiro aos resultados obtidos nos campos, quadras e piscinas.

Refiro-me aos resultados reais à economia do país, afundado em dívidas. Refiro-me às instalações esportivas apodrecendo com o  descaso das autoridades. Refiro-me a tudo que foi prometido e não foi entregue e aos bilhões gastos em obras superfaturadas e que muitas nem chegaram a ser iniciadas.

Mais uma vez o Brasil perdeu o bonde do tempo. Nosso esporte continua moribundo, nossa população continua sendo privada da possibilidade de praticar atividades físicas em locais minimamente decentes. Nossas escolas continuam abandonadas, assim como a saúde e a segurança.

E onde estão os responsáveis por toda essa enganação? Com certeza, estão saboreando seus whiskies e caviares aproveitando a dinheirama que foi parar em suas contas bancárias quando deveria ter sido utilizada para o bem da população.

A imagem de potência olímpica que querem nos enfiar goela abaixo só engana aqueles que não têm a mínima noção do que seja ser uma potência olímpica. Uma potência olímpica começa com educação e saúde de qualidade. Oportunidade de prática esportiva para todos e não somente para uma elite. Investimentos na base e na educação física.

Ganhar medalhas não significa ser um país esportivo. Melhor que meia dúzia de medalhas seria termos milhões de crianças na escola correndo e se divertindo com o esporte. Mas até isso parece que está sendo tolhido pela ação de “filósofos” da educação física que criminalizam o esporte dentro das escolas.

Enfim, apesar de tudo isto, a experiência de ter participado diretamente dos Jogos Olímpicos, como voluntário, foi maravilhosa. Que fiquem guardadas essas lembranças.

Jogo Venezuela 2