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Intervenção do técnico dentro de um sistema de qualidade

Amigos do Basquetebol

Neste post trago uma tradução resumida e adaptação livre de um capítulo do livro “Aportaciones téoricas y prácticas para el baloncesto del futuro” (Alberto Lorenzon, Sérgio Ibañez e Enrique Ortega.

Ela trata do processo de intervenção do treinador em um sistema de qualidade. Esta atuação deve permitir que se conheça com precisão o trabalho que será realizado para comprovar seu ajuste a critérios de qualidade.

As pautas básicas desse sistema de qualidade aplicadas ao treinamento no basquetebol se estruturam em cinco aspectos:

  • Dizer o que fazemos
  • Fazer o que dizemos
  • Registrar o que fazemos
  • Avaliar o que fazemos
  • Atuar sobre as diferenças

Dizer o que fazemos

É a primeira fase do sistema e tem relação com as primeiras decisões tomadas pelo técnico. Os técnicos antes de iniciar uma temporada têm uma ideia do trabalho que pretendem realizar com suas equipes. Essas ideias têm que estar fundamentadas em um planejamento.

Planejar não é somente organizar sequencialmente as atividades e tarefas e estabelecer o tempo para realizá-las. Ele deve documentar as intenções e deixá-las claras aos jogadores tanto para a temporada quanto para as sessões de treinamento. Esse documento é o primeiro passo para um sistema de qualidade do treinamento.

Fazer o que dizemos

O objetivo desta faze é colocar em prática o que foi planejado e documentado na primeira etapa.

Há técnicos (rígidos) que seguem à risca o que foi documentado; há técnicos (flexíveis) que se adaptam a situações não previstas no planejamento e há técnicos (improvisadores) que não respeitam o planejamento previamente definido. É importante que um técnico tenha flexibilidade para modificar o planejamento e tome decisões de acordo com o surgimento de novas situações.

Registrar o que fazemos

Esta fase tem como objetivo registrar a intervenção real do técnico, para que se verifique o que foi feito em relação ao planejamento inicial e também em relação às modificações que acontecerem no decorrer do trabalho.

É importante que esses registros sejam feitos de forma a permitir uma análise posterior.

O desajuste entre o que foi planejado e o que foi realmente trabalhado está condicionado a uma série de fatores que o técnico tem que identificar e tomar decisões rápidas para adaptar ao treinamento sem perda de tempo.

O registro dessas situações poderá ser muito útil no futuro quando as situações ocorrerem novamente.

Avaliar o que fazemos

O objetivo desta fase é o de avaliar periodicamente o treinamento realizado tanto por uma avaliação interna (pelo próprio técnico) quanto por uma avaliação externa (pela comissão técnica e pela instituição à qual ele está vinculado).

Para que a avaliação seja eficaz ela deve ser feita através de dados objetivos.

Atuar sobre as diferenças

O objetivo desta fase é analisar e refletir sobre as causas das diferenças provocadas entre o que foi planejado e o que foi efetivamente realizado. Esta análise e reflexão deve servir para que em futuros treinamentos essas diferenças não aconteçam.

Essa análise embasa quatro decisões:

1 – repetir as atividades que se mostraram eficientes

2 – Adequar o tempo de cada atividade no treinamento

3 – Realizar ajustes ou modificações na organização das tarefas do treinamento

4 – Adequar as estruturas das situações de treinamento

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Artigos · Formação Esportiva

Jogos e brincadeiras para a aprendizagem esportiva

Amigos do Basquetebol

Tenho tido a oportunidade de falar para grupos de professores e técnicos que trabalham com a formação esportiva seja na divulgação do projeto “Minbasquetebol na Escola” seja em encontros promovidos por entidades que cuidam de escolas de esportes.

E entre tantos temas, um tem me motivado pela sua relevância e importância para aprendizagem esportiva, principalmente nos esportes coletivos e, é claro, no basquebol. São os jogos e brincadeiras.

Na fase inicial da aprendizagem esportiva (por volta dos 7 aos 11 anos) a brincadeira e os jogos são fundamentais para que a criança tome gosto pelo jogo e passe a compreendê-lo melhor. Isto não significa que essas atividades não possam ser ministradas aos mais velhos, inclusive para atletas de alto rendimento com o objetivo de quebrar a cansativa rotina de treinos.

Alguns aspectos que considero importante contemplar neste pequeno artigo que me proponho a escrever sobre o tema.

Um dos aspectos ao qual me refiro e o que devemos levar em consideração ao pensar em uma brincadeira ou jogo para a aprendizagem esportiva

  • Privilegiar a totalidade do grupo. Ou seja: devem ser elaborados pensando na participação da maioria dos praticantes, independentemente de sua condição e nivel de desenvolvimento
  • Considerar a importância do reconhecimento do espaço a ser utilizado pelos praticantes
  • Estabelecer regras simples que não confundam ou limitem a ação dos praticantes. Essas regras poderão ser modificadas e adequadas ao nível do grupo e podem se tornar mais complexas à medida que o grupo evolua e passe a compreender melhor a atividade
  • Partir de uma situação de jogo que possa ser trabalhada de maneira simples e objetiva
  • Ter um potencial educativo e que promova o desenvolvimento não só dos aspectos físicos, técnicos e táticas mas, principalmente, a aquisição de valores como a divisão de responsabilidade, cooperação, respeito aos colegas e oponentes
  • Ser motivante a ponto da criança querer voltar à aula e cada vez participar mais
  • possibilitar a participação do maior número possível de crianças, dando a todos as mesmas oportundades

Ao partir de situações de jogo, essas atividades gerarão um problema a ser resolvido. E neste caso as crianças devem ser estimuladas a encontrar as respostas necessárias sem uma intervenção compulsória dos professores.

Ao encontrar essas respostas a criança terá uma mudança em sua atitude comportamental, melhorando seu desempenho e a compreensão da situação.

Neste momento, o professor poderá intervir com pequenas correções ou orientação no sentido de instigar a criança a buscar seu melhor desempenho.

O ciclo é fechado com a aquisição de novas habilidades que possibilitarão à criança dar um salto de qualidade e encarar novos desafios e situações de jogo mais complexas.

De uma forma geral, esas atividades podem ser criadas a partir de várias condições que levam em conta o nível dos praticantes, a estrutura e materiais disponíveis e a complexidade das situações propostas.

Desta forma os jogos e brincadeiras podem ser:

  • com ou sem bola
  • em espaço livre ou espaço delimitado
  • com cooperação
  • com oposição
  • com cooperação e oposição

Como já foi dito as regras devem ser introduzidas gradativamente e podem ser modificadas à medida que o grupo evolua ou que o professor perceba que essa mudança possa servir de agente motivador da atividade.

Finalizando, este pequeno artigo, é importante ressaltar que o professor deverá agir como incentivador do grupo, propondo desafios e não oferecendo respostas prontas para que a criança aja de acordo com a sugestão do professor e não de acordo com sua capacidade de pensar e agir.

Crianças se divertindo e praticando controle de bola com a bola de basquete e balões.
Crianças se divertindo e praticando controle de bola com a bola de basquete e balões.
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Terminologia do Basquetebol: correspondência de termos (2)

Amigos do Basquetebol

Esta é a segunda e última parte do termos do Basquetebol e suas correspondências em inglês e espanhol.

Português Inglês Espanhol
infiltrar drive penetrar
interceptação na descendente goaltending interceptación
inversão de jogo reversing the ball inversión/circulación
jogo/partida game/match juego/partido
jump jump shot jump/tiro en suspensión
lado da ajuda help side lado de ayuda
lado da bola ball side lado del balón
lado forte do ataque strong side lado fuerte
lado fraco do ataque weak side lado debil
lado oposto opposite side lado opuesto
lance-livre free throw  tiro libre
lateral out of bounds lateral
lateral de força/ala pivô – 4 power forward alero/ala pivot
lateral/ala – 3 small forward alero
linha de 3 pontos 3 point line linea de 3 puntos
linha de fundo end line/baseline linea final
linha de lance livre free throw line/foul line linea de tiro libre/linea de foul
linha lateral sideline linea de lado/linea lateral
médico doctor/physician médico deportivo
meia quadra half court media cancha
quadra de ataque front court media cancha ofensiva
quadra de defesa back court meida cancha defensiva
minutos jogados minutes played minutos jugados
mudança de direção change of direction cambio de dirección
mudança de ritmo change of pace cambio de ritmo
negar o passe denny the pass/antecipation negar el pase/antecipación
passe pass pase
passe à altura do ombro shouder pass/baseball pass con una mano sobre el hombro/baseball
passe acima da cabeça over head pass pase sobre la cabeza
passe com as duas mãos altura do peito chest pass con dos manos de pecho
passe de gancho hook pass pase de gancho
passe picado bounce pass pase de pique
passe por baixo low pass pase bajo
passe por trás das costas behind the back pass pase detrás de la espalda
passing game passing game passing game
pé (violação) intentional foot pié
pé de apoio/pé de pivô pivot foot pie de pivote
pivô – 5 center/pivot/post pivot/centro/poste
pivô de baixo low post poste bajo
pivô de cima high post poste alto
placar  score board marcador/tanteador
planilha box score planilla
porcentagem percentage porcentage
posse de bola ball possesion pose del balon/posesión
primeiro tempo first half primer tiempo
prorrogação/tempo extra overtime tiempo suplementario/prolongación
quadra court cancha
quadra toda full court toda la cancha
quarto/período  quarter/period cuarto/periodo
quebrar a munheca follow through acompañar con la muñeca
rebote rebound rebote
rebote de ataque/ofensivo ofensive rebound rebote ofensivo
rebote defensivo defensive reboud rebote defensivo
redinha net rede
regras rules reglas
rotação defensiva defensive rotation rotación defensiva
saída rápida stop and go salida rapida
salto jump salto
segundo tempo second half segundo tiempo
servir e ir/dá e passa give and go pasar y cortar
súmula scoresheet/scorebook acta del juego/planilla del juego
tabela backboard tablero
tempo do técnico timeout tiempo muerto
temporada  season temporada
titular starter titular
torneio tournament torneo
“trailler” trailler seguidor
transição defensiva defense transition transición defensiva
Transição ofensiva offense transition transición ofensiva
treinador/técnico coach entrenador
treino practice práctica/entrenamiento
três pontos three points/triple triple
tripla ameaça tripple threat tripla amenaza
triplo-duplo triple-double trible-doble
trocar de marcação switch cambiar
turno completo round robin partidos circulares
um contra um one on one uno contra uno
vestiário locker room vestuário
vice-campeão runner up vice campeon/segundo
violação violation violación
volta de bola ball returned to back court vuelta del balón
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Terminologia do Basquetebol: correspondência de termos (1)

Amigos do Basquetebol

Quando ainda era membro da ENTB realizei um trabalho de compliação de termos do basquetebol e sua correspondência nos dois idiomas mais usados no nosso esporte: inglês e espanhol.

Para realizar o levantamento tive a colaboração de muitos colegas da ENTB. Agora disponibilizo este estudo, em duas partes, com a certeza que outros termos surgirão e que poderão ser adicionados a estes.

Português Inglês Espanhol
Basquetebol Basketball Baloncesto/Basquetbol
24 segundos twenty four seconds rule regla de veinte y quatro segundos
3 segundos three seconds rule regla de trés segundos
5 segundos five seconds rule regla de 5 segundos
8 segundos eight seconds rule regla de ocho segundos
14 segundos/segunda chance fourteen seconds/second chance catorze segundos/segunda chance
adversário opponent adversário
ajuda help side ayuda
ajuda e recuperação help and recover ayuda e recuperación
aquecimento warm up calentamiento
análise/observação/scout scouting análisis/scouting
andar travel caminar
antecipar o passe deny the pass negar el pase/antecipación
arbitragem officiating arbitrage
árbitros referees árbitros
armador – 1 guard/point guard base/guardia
aro rim aro
arrem com as duas mãos two hands set shot tiro con dos manos
arrem com uma das mãos parado one hand set shot tiro con una de las manos
arremesso shot tiro/lanzamiento
arremesso bloqueado/toco blocked shot tapon/tapa
arremesso convertido field goal made tiro convertido
Arremesso em desequilíbrio fade away fade away
arremesso tentado field goal attempt tiro tentado
assistência assist assistência
assistente técnico assistant coach entrenador auxiliar
atacante offensive player atacante
ataque offense ataque
ataque posicionado set offense/set play juego armado
“back door” back door puerta atrás
banco de reservas bench banquillo ou banco de suplentes
bandeja lay up bandeja
bloqueio de rebote box out bloqueo de rebote
bola ball pelota/balon
bola ao alto tip off/jump ball salto entre dos
bola morta dead ball pelota muerta/balon muerto
bola perdida turnover/lost ball balones perdidos/perdida
bola recuperada steal/recovery balones robados/robo
campeão champion campeon
campeonato championship campeonato
capitão captain capitán
carga ilegal charge carga
cesta basket canasta/cesto
cinco faltas fouled out  
companheiro de equipe teammate compañero
competição competition competición
condução de bola carrying the ball condución ilegal del balon ou pelota
contra-ataque fast break ataque rápido
controle de bola/manejo de bola ball handling control del balón ou pelota
controlar o jogo delay (freeze) the game juego de contról
controle de corpo body control control del cuerpo
corrida running carrera
corta-luz screen/pick cortina/pantalla
corta-luz direto pick and roll pick and roll
cortar para a cesta/penetrar drive corte
defensor defensive player defensor
defesa defense defensa
defesa combinada combined defense defensa combinada
defesa igualada match up match up
defesa individual individual defense/man to man defensa individual
defesa por zona zone defense defensa zona
defesa pressão pressure ou press defense defensa presión
deslocamento defensivo defensive slide desplazamiento defensivo
dois  pontos two points/double doble
dois em um double team atrape
drible drible dribleo/bote
drible alto high drible dribleo alto
drible baixo low drible dribleo bajo
drible de proteção protection drible dribleo de proteción
drible ilegal/duas saídas double dribble doble dribbling
duplo-duplo double-double doble-doble
empate tied empate
enterrada dunk/jam volcada
equilíbrio defensivo defensive balance balance defensivo
equipe mandante home team equipo local
equipe perdedora loser perdedor
equipe titular starting line up quinteto inicial
equipe vencedora winner ganador
equipe visitante away visitante
escalação roster plantilla de jugadores
escolta – 2 shooting guard escolta/ayuda
estatística statistics/stats estadísticas
exercício drill ejercício
falta anti desportiva unsportsman-like foul falta anti deportiva
falta de ataque offensive foul/charge falta de ataque
falta desqualificante disqualifying foul falta descalificante
falta pessoal personal foul falta personal
falta técnica technical foul falta técnica
finais playoffs playoffs
finta fake / feint finta/engaño/amague
fundamentos fundamentals fundamientos
fundo bola out of bounds salida de fondo
gancho hook shot tiro de gancho
garrafão/área restritiva lane/painted area zona pintada
ginásio venue/gym/stadium gimnásio
giro pivot/spin giro
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Planejamento

Amigos do Basquetebol

Este texto, baseado no trabalho desenvolvido por mim e pelo parceiro Lula Ferreira tem o objetivo de abordar aspectos básicos do planejamento e sua aplicação ao basquetebol em diferentes níveis. O planejamento é fundamental para o sucesso de um equipe. Sem ele não é possível manter um trabalho em alto nível de realização pois, atualmente o esporte demanda uma organização muito bem elaborada, não se permitindo mais um trabalho calcado no “achismo” ou somente em experiências adquiridas ao longo do tempo. Um bom planejamento pode ser decisivo para o sucesso de um trabalho, seja qual for o nível da equipe ou os objetivos traçados.

Definição

De maneira geral o planejamento pode ser definido como a previsão organizada de um evento, ou conjunto de eventos visando a obtenção do melhor resultado. É o delineamento antecipado daquilo que tem que ser realizar, como deve ser realizado e quem o deve executar. O planejamento deve se basear na análise da situação, através de um diagnóstico. Ele pode abordar desde aspectos pontuais (ex: aumento da capacidade aeróbia de um atleta) até aspectos mais gerais (ex: a conquista de um campeonato).

De uma forma bem resumida, o planejamento é o caminho para se sair de uma situação existente para uma situação desejada.

Fases de um planejamento

                Em um planejamento podemos identificar as seguintes fases: diagnóstico, execução, avaliação e reestruturação.

Diagnóstico

É a fase inicial na qual são identificados fatores que servirão de base para a sequência do planejamento. Nela podemos identificar os seguintes fatores

  • Filosofia de trabalho: institucional/pessoal
  • Evento para o qual se planeja: características, duração, dificuldades
  • Material humano disponível: características individuais e do grupo, aderência, rotatividade
  • Estrutura: locais, equipamentos, materiais, recursos, disponibilidade financeira
  • Tempo disponível: longo, médio, curto prazo

Execução

É a fase de elaboração efetiva do planejamento, que leva em conta todos os aspectos anteriormente citados. É nesta fase que são definidos os objetivos, toda a programação (cronograma dos ciclos), os métodos e conteúdos e a avaliação que pode ser geral, específica individual, coletiva e processual.

Os objetivos devem ser estabelecidos de forma clara e compreensíveis para todos os componentes do grupo, devem ser possíveis de serem alcançados e devem estar de acordo com a filosofia de trabalho e a realidade do grupo

O cronograma de atividades pode ser estabelecido visando toda a temporada, um determinado período ou uma determinada competição e até mesmo semanais e diários, contemplando o treinamento estabelecido.

Os métodos e conteúdos dependerão de fatores como o nível da equipe, a fase de treinamento ou competição em que ela se encontra, o nível dos atletas (alto nível, formação ou iniciação), material e estrutura disponíveis.

Avaliação e reestruturação do planejamento

Consiste em uma análise criteriosa de tudo o que ocorreu durante o processo. Esta avaliação pode ocorrer ao final da temporada, mas é recomendável que se façam avaliações intermediárias para que se corrijam possíveis distorções de rumo. Deve-se levar em conta: Análise da situação; análise dos objetivos: alcançados ou não e os motivos; necessidade de reestruturação; modificação de rumo; redefinição dos objetivos; recomposição da equipe e preparação para a próxima temporada (ou competição).

Este trabalho deve ser feito pelo grupo que participa do processo (comissão técnica) e não somente pelo treinador. Nessa avaliação cada componente do grupo pode fazer um relato de sua área e da relação desta área com as demais envolvidas no processo.

 

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Lesão por overuse

Segue mais um texto traduzido do site http://stopsportsinjuries.com

(Texto original: Overuse injury)

http://www.stopsportsinjuries.org/overuse-injury.aspx

*Overuse é um termo utilizado para designar excesso de repetições de determinadas atividades ou movimentos ou excesso de carga de uma determinada atividade, provocando desgaste dos tecidos.

Porque as lesões por overuse acontecem?

O corpo humano tem uma tremenda capacidade de adaptar-se ao estresse físico. Nós temos a tendência de pensar nos efeitos negativos do estresse no nosso bem estar, mas o estresse físico, que é simplesmente o exercício e a atividade, é benéfico para nossos músculos, ossos, tendões e ligamentos tornando-os mais fortes e funcionais. Isto acontece porque há um processo interno chamado remodelação. O processo de remodelação envolve tanto o desgaste, quanto a recomposição dos tecidos. Há um fino equilíbrio entre essas duas condições e se o desgaste ocorrer mais rapidamente do que a recomposição, então ocorrerá uma lesão por overuse.

Quais fatores causam as lesões por overuse?

            Os erros de treinamento são as causas mais comuns das lesões por overuse. Esses erros envolvem a rápida aceleração da intensidade, duração ou frequência da atividade. As lesões por overuse também ocorrem em pessoas que estão retornando de outra lesão e tentam recuperar o tempo perdido exigindo demais de si próprios para atingir o nível de desempenho que tinham antes da lesão. O uso de técnicas adequadas é primordial para evitar essas lesões. Por isso, treinadores, preparadores físicos e professores têm papel primordial na prevenção recorrente das lesões por overuse.

Outros fatores incluem os equipamentos e materiais como os calçados, superfície, piso.

Como as lesões por overuse são normalmente diagnosticadas?

O diagnóstico pode ser feito através de uma anamnese ou de uma exame físico. Isto é melhor feito por um especialista em medicina esportiva. Em alguns casos radiografias são necessárias, assim como exames adicionais como escanometria ou ressonâncias magnéticas.

Quais os tratamentos para lesões por overuse?

Alguns tipos de tratamentos incluem:

  • Redução na intensidade, duração e frequência das atividades
  • Adoção de um programa fácil/difícil e treinamentos diferenciados com outras atividades para se manter a forma física
  • Aprender técnicas corretas de treinamento de outros treinadores e preparadores físicos
  • Aquecimento adequado antes das atividades
  • Uso do gelo após as atividades para dores menos intensas
  • Uso de anti-inflamatórios se necessário

Se os sintomas persistirem, um médico especializado deverá estar apto a preparar um plano de tratamento mais detalhado. Fisioterapia e preparação física também são atividades que podem auxiliar.

As lesões por overuse podem ser prevenidas?

Muitas das lesões por overuse podem ser prevenidas através de treinamento apropriado e bom senso. Aprenda a “escutar” seu corpo. Lembre-se que o ditado “sem dor não há ganho” não se aplica aqui. A regra dos 10% é muito útil na determinação de como as coisas serão no outro nível. No geral, o treinamento não deve aumentar mais do que 10% por semana. Isto permite que o corpo se adapte e tenha tempo de se recuperar. Esta regra também se aplica para aumentar o ritmo ou milhagem para corredores ou andarilhos, assim como para o aumento da carga de peso nos programas de treinamento de força.

É importante  aquecer e voltar à calma antes e depois da atividade, respectivamente. Treinamento de força, aumento da flexibilidade e a melhora da estabilidade muscular também ajudam a minimizar essas lesões.

Um especialista em medicina esportiva ou em treinamento esportivo devem ser procurados no início de um treinamento  para prevenir problemas crônicos e recorrentes. O programa também pode ser modificado para que o nível de aptidão física seja mantido de forma segura enquanto um atleta estiver se recuperando de uma lesão. O atleta deve voltar aos treinamentos somente quando houver por parte de um profissional da saúde total certeza de sua segurança.

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Estratégia, tática e técnica

Amigos do Basquetebol

Este texto aborda três termos que são muito usados em qualquer esporte, especialmente os coletivos e muitas vezes são usados como sinônimos. Refiro-me a estratégia, tática e técnica.

Uma partida não é  uma simples disputa espontânea e imprevisível, esperando-se pelo seu resultado. Pelo contrário, é algo pensado, programado e racionalizado, para poder responder a qualquer iniciativa contrária. Chega-se à conclusão de que quem melhor utilizar os fatores e componentes do jogo chegará à vitória. Dentre os fatores que influenciam na atuação de uma equipe, destacam-se a estratégia, a tática e a técnica.

A estratégia constitui todo o plano teórico de organização da equipe a curto, médio e longo prazo visando a conquista de um objetivo. Ela é definida por fatores como a duração da temporada, o material humano disponível,   adversários, tipo e duração de uma competição, situações momentâneas desta competição (ou de um jogo em particular), classificação da equipe. A estratégia é responsável pelas adequações necessárias para alterar o planejamento da equipe.

Três aspectos são fundamentais:

(1) A estratégia de ser formulada a partir de um objetivo principal (objetivos secundários também podem ser definidos ao longo do percurso);

(2) Deve se constituir no planejamento prévio da atuação a curto, médio e longo prazo;

(3) Em sua formulação todos os aspectos intervenientes na atuação da equipe são contemplados.

A estratégia consiste no “saber o que fazer”.

A tática é a utilização de recursos para definir situações durante um  jogo. Engloba os sistemas de jogo (defensivos e ofensivos), situações grupais (2×2 e 3×3) e individuais. Pode ser resumida como “o que fazer” para resolver uma determinada situação.

A tática pode ser dividida em individual, grupalcoletiva (esses conceitos são aplicados tanto no ataque quanto na defesa).

A tática individual é a capacidade que um atleta tem para executar os fundamentos do jogo, de acordo com situações momentâneas como: sua posição na quadra, a atitude de seu adversário, contexto do jogo.

A tática grupal reúne pequenos grupos de jogadores. Por exemplo situações de 2×2 ou 3×3 envolvendo situações mais complexas e que dependem de uma maior sincronização de movimentos.

O que caracteriza a tática coletiva é o aumento de elementos alternativos e execuções possíveis e  também a globalidade da cooperação e oposição. Não basta que cada membro da equipe atue sozinho. Os  companheiros de equipe devem perceber coletivamente a situação e julgar com a maior sintonia possível quanto à ação mais conveniente a ser executada. A solução para a situação deve ser encontrada entre os membros da equipe para superar a equipe adversária e evitar ser superada por ela. Portanto, a tática coletiva se apóia na tática individual, porém deve ser abordada pela perspectiva da equipe. 

Assim, a tática constitui a maneira pela qual no jogo, de forma eminentemente prática a equipe ou um jogador isolado reage às situações criadas pela oposição. O processo tático engloba três momentos distintos, porém diretamente relacionados.

  • No primeiro momento o jogador observa o que ocorre na quadra, levando em conta posicionamento e características de jogo de seus companheiros de equipe assim como de seus adversários;
  • No momento seguinte é feita a escolha da resposta a ser dada em função do que foi identificado no meio;
  • Por fim, o gesto técnico é executado, o processo motor da tomada de decisão. Esse processo de reconhecimento do meio, processamento interno da informação e resposta motora é conceitualmente denominado “tomada de decisão” e constitui o elemento central da tática.

As decisões tomadas são expressas pelas ações dos jogadores, o que constitui a técnica, linguagem motora pela qual se faz a comunicação no jogo. A tomada de decisão surge sempre pela necessidade do jogador, individualmente, ou da equipe resolver os problemas de jogo criados pelo adversário. Esse processo ocorre num contexto de grande variabilidade de situações, em que tanto a tomada de decisão quanto a execução motora devem ocorrer muito rapidamente.

A técnica, por sua vez, é o elemento que viabiliza toda essa concepção do jogo. Ela apoia a tática. É a execução dos movimentos (fundamentos do jogo). Pode ser resumida no “como fazer” e depende de uma série de atributos pessoais como as capacidades físicas e as habilidades motoras gerais e específicas que o atleta tem desenvolvidas, além de aspectos cognitivos fundamentais para o entendimento do jogo.

Para aprofundar os conhecimento sobre o tema recomendo as seguintes leituras:

Bayer, C. La enseñanza de los juegos deportivos colectivos. Barcelona: Hispano Europea, 1986.

De Rose Jr., D. Modalidades esportivas coletivas: o basquetebol. In De Rose Jr.,D., Modalidades Esportivas Coletivas. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, cap. 9, 2006.

De Rose Jr., D. & Silva, T.A.F. As modalidades esportivas coletivas: história e caracterização. In De Rose Jr.,D., Modalidades Esportivas Coletivas. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, cap. 1, 2006.

Ferreira, A.E.X. & De Rose Jr., D. Basquetebol, técnicas e táticas: uma abordagem didático-pedagógica. São Paulo: EPU, 2010.

Lamas, L.; Negreti, L. & De Rose Jr., D. A análise tática ofensiva no basquetebol. In De Rose Jr., D. & Tricoli, V., Basquetebol: uma visão integrada entre ciência e prática. Barueri: Manole, cap. 8, 2005.