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O papel do treinador de basquetebol

Amigos do Basquetebol

Este post traz a colaboração do amigo Victor Ojeda – membro do Comitê Internacional de Minibasquetebol da FIBA

“O papel do treinador de basquetebol”

  • O êxito do treinador não está em suas estratégias, mas sim em sua habilidade para ensinar os fundamentos aos atletas
  • O treinador deve ser capaz de selecionar e escolher as coisas importantes que seus atletas devem aprender
  • Um treinador de basquetebol deve ter uma boa cultura esportiva. Deve ser sociável, amigável, comunicativo e estudioso das novas técnicas
  • Não necessita ser um cientista, deve conhecer outras matérias como psicologia esportiva, metodologia do ensino para aumentar sua cultura esportiva
  • Isto ajuda a ter sua própria filosofia. Um treinador que não tem uma filosofia é como uma árvore desfolhada pelo vento
  • Os treinadores que depois de uma derrota escutam os amigos, jornalistas e torcedores que dão palpites em como deveria jogar cometem um grande erro. Quando um treinador escuta os amigos, jornalistas e torcedores, muito cedo estarão sentados entre eles vendo o jogo
  • O treinador que pensa ser o dono da verdade está equivocado
  • O treinador deve ter seu próprio estilo, saber o que deve esperar de seus jogadores, conhecer suas habilidades e aspirar sempre o máximo
  • Treinar não é uma ciência exata,  ninguém pode catalogar. Por isso ninguém tem as regras exatas: é impossível que um treinador sempre tenha razão

 

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Ser técnico de atletas jovens: implicações para a prática

Amigos do Basquetebol

Remexendo no baú encontrei um texto que escrevi nem sei quando. Também não lembro se ele já foi publicado por aqui.

Mas melhor pecar pelo excesso e aí vai o texto. Trata-se de algumas sugestões para incrementar o treinamento para jovens atletas. Elas foram extraídas da literatura envolvendo vários autores.

1 – Evite comportamentos punitivos, hostis e controladores. Os comportamentos positivos e apoiadores são mais eficientes no treinamento para jovens

2 – Para os menores é importante o incentivo e o reconhecimento do esforço

3 – O elogio tem que ser sincero. A crítica tem que ser acompanhada de um estímulo

4 – Estabeleça objetivos realistas e que estejam ao alcance do jovem. Não exagere nas expectativas

5 – Recompense o esforço e não, necessariamente, o resultado. Se uma criança dá 100% de seu esforço o que mais podemos querer

6 – Organize sessões de treinos que envolvam todas as crianças, com muitas atividades e diversidade de material

7 – Adapte a atividade à criança e não a criança à atividade. Varie, crie condições para que a criança se sinta bem realizando os exercícios e jogos

8 – Modifique as regras, se necessário. Essas mudanças podem melhorar o nível de participação e a motivação

9 – É importante mostrar para a criança quando ela erra. Mas é mais importante apontar soluções para a correção do erro.

10 – Proporcione um ambiente agradável e encorajador

11 – Seja entusiástico e participativo. O entusiasmo é contagioso. Sorria e seja simpático. O treino será muito mais agradável.

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Pais de atletas: tipos

Amigos do Basquetebol

Todos sabem da importância dos pais na prática esportiva das crianças e jovens. O envolvimento é grande e pode levar a atitudes extremas tanto para atrapalhar, quanto para contribuir para o correto desenvolvimento esportivo dos filhos.

Trago a vocês uma contribuição sobre o assunto, retirada de um “folder” da Secretaria de Estado do Desporto e Juventude de Portugal que me foi dado pela amiga Lilian Gonçalves, ex-atleta olímpica e uma das responsáveis pela organização e realização  Liga de Desenvolvimento de Basquete da LDB.

A pergunta é:

“Que tipo de pais são vocês?”

Pais que gritam muito

            Centram a sua atenção em coisas negativas e estão sempre gritando com os atletas, contra os árbitros e treinadores. Estes pais devem aprender a observar as coisas positivas da prática esportiva, fazendo um esforço para ignorar os erros que cometem.

Pais que apoiam em excesso

São demasiadamente exuberantes, prestando um apoio tão intenso que chegam a atrapalhar os próprios filhos. Com tais comportamentos chegam a irritar os treinadores, os demais atletas e mesmo os outros espectadores. Estes pais devem aprender a ser mais calmos e mais contidos no seu entusiasmo.

Pais treinadores

Passam a vida a anotar, filmar e analizar o desempenho de seus filhos. Revivem todas as provas e competições em que eles participam e apontam aquilo que os filhos têm que melhorar. Estes pais devem deixar o treino dos filhos para seus respectivos treinadores.

Pais que gostariam de ter sido atletas

Vivem seus sonhos através dos filhos e encaram o esporte como se fossem eles os praticantes. Estes pais têm que tentar eliminar a postura de “ganar a qualquer custo” e lembrar que não são eles que estão competindo.

Pais que não ligam

Estes estão ocupados com o trabalho e outros asuntos de seu próprio interesse e que não prestam atenção ao desempenho esportivo dos filhos. Eles devem recordar que uma pequena atenção a seu filho pode ser suficiente para que ele melhores esportivamente.

Pais 5 estrelas 

Centra sua atenção no esforço da criança e não no resultado do jogo ou da competição. Respeita e agradece ao treinador, árbitros e adversários. São apoiadores e cientes de seu papel e importância quando estão assistindo a uma competição.

Tipos de pais 001

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Princípios para se ensinar o basquetebol segundo John Wooden

Amigos do Basquetebol

John Wooden foi sem dúvida um dos maores técnicos de basquetebol conquistando inúmeros títulos e trabalhando com astros do basquetebol como Kareem Abdul Jabar, Marques Johnson, Bill Walton, Lenny Wilkens, Dave Cowens, entre outros.

Mas mesmo trabalhando com “feras” Wooden nunca deixou de se preocupar com o lado pedagógico do jogo, sendo um dos grandes inspiradores de técnicos de categorias de base, inclusive eu que tive a honra de conhecê-lo pessoalmente em 1975 na UCLA.

Wooden considerava que para ensinar um grupo de jovens a jogar basketball há cinco princípios básicos:

1 – Trabalho duro – Não há substituto para o trabalho. Você e seus jogadores devem trabalhar duro, pois só assim e com um bom planejamento seus objetivos serão alcançados. Atalhos e caminhos fáceis não produzem os resultados desejados;

2 – Entusiasmo – Você e seus jogadores devem ter muito entusiasmo. Se não for assim é melhor que você e os jogadores procurem outra profissão ou atividade. O entusiasmo aflora naquele que o tem e contagia, inspira e estimula outras pessoas. Seu coração deve estar no seu trabalho se você pretende progredir, melhorar e aprender mais;

3 – Condição mental, moral e física –  A condição mental e moral de seus jogadores são de extrema importância pois elas determinarão a condição física se eles forem trabalhadores e entusiasmados. Um jogador sem uma boa condição mental e moral não progredirá fisicamente. O exemplo moral e mental estabelecido pelo técnico tem uma forte influência no tipo de jogadores que ele produz e, mais importante, no tipo de caráter dos jovens que futuramente terão outras pessoas sob sua liderança;

4 – Fundamentos – Através dos ensinamentos do técnico, os jogadores terão condições de aprender de forma adequada a execução dos fundamentos do jogo. Eles devem saber reagir prontamente, sem tempo para parar e pensar no que fazer. No basquetebol há uma máxima que é incontestável – aquele que hesita está perdido.  É importante que os jogadores tenham condições de executar os fundamentos de forma rápida.

5 – Desenvolvimento do espírito de equipe – O técnico deve usar tudo o que for possível em termos de psicologia e utilizar todos os meios disponíveis para desenvolver o espírito de equipe. O trabalho em equipe e o altruísmo devem ser encorajados em todas as oportunidades e cada jogador deve ser solidário e se for necessário, sacrificar-se para o sucesso da equipe. Egoísmo, inveja e críticas podem destruir o potencial de qualquer equipe. O técnico deve estar sempre atento e constantemente alertar e prevenir  esse tipo de atitude antes que o problema se avolume.

Palavras mágicas de um sábio do basquetebol.

Tradução e adaptação de parte do texto contido no livro – Practical Modern Basketball de John Wooden.

Leia também:

Sábias palavras de um mestre (publicado em 7/04/2011)

https://vivaobasquetebol.wordpress.com/2011/04/07/sabias-palavras-de-um-mestre/

 

 

 

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Com tabelinha ou sem tabelinha?

Amigos do Basquetebol

Há anos (e muitos anos) acompanho a discussão sobre as regras do minibasquetebol vigentes no Brasil, especialmente nos campeonatos em São Paulo.

Desde o início desse movimento, São Paulo resolveu correr na contramão do que vinha sendo praticado no mundo todo, adotando regras próprias que nem sempre privilegiavam a criança e sim as conveniências dos clubes e, pasmem, dos técnicos que parece terem como maior interesse a conquistas de títulos e não a formação de futuros atletas.

Recentemente, em outra reunião promovida pela Federação Paulista de Basketball, para discutir o assunto, foi aprovada, a partir de votação entre os presentes a retirada da tabelinha com o aro a 2,75m do chão para que as crianças que disputam os campeonatos sub-12 joguem com o aro “normal” que fica a 3,05m do chão.

Foram várias justificativas. Entre elas a falta de profissionais para colocar e retirar a tabela e a principal delas a normativa da FIBA que agora regulamenta esta altura para a referida faixa etária.

No entanto, nas mesma normativa usada como justificativa a FIBA recomenda que não haja cesta de 3 pontos, que não se marque por zona e que não haja tempo para a posse de bola.

Ou seja, a normativa serve para um aspecto mas não para outros.

Tentando alertar os técnicos sobre os malefícios desta medida os representantes da Liga Estudantil de Basquetebol entregaram uma carta aos presentes que passo a divulgar agora com a devida permissão da Liga

Prezados Senhores;

Por meio deste oficio vimos apresentar os motivos pelos quais a LBE (Liga de Basquete Escolar) acredita na importância da manutenção da regra da altura do aro de 2,65 (2,75) na categoria de Mini pela FBP (Federação Paulista de Basketball) no campeonato de 2016.

O Mini é a fase mais importante no processo de formação dos atletas de Basketball, por ser a primeira categoria, é nesta idade que o atleta inicia a aprendizagem das habilidades e fundamentos do jogo e ao mesmo tempo toma gosto e motiva para o processo de treinamento e competição, adquirindo experiências ricas para seu desenvolvimento biopsicossocial e contribuindo para sua formação integral.

Pelo caráter educacional e nesta categoria também que os atletas aprendem os valores inerentes ao esporte e a vida como: respeito, disciplina, comprometimento, companheirismo e outros que fazem que o nosso esporte seja reconhecido na formação do cidadão e do atleta.

Durante vários anos temos visto uma grande incoerência e desordem com relação à uniformidade de regras visando o objetivo principal da categoria que é a iniciação a vida esportiva do Atleta sem pressão e demandas excessivas.

Em 2011 a FIBA Américas lançou um estudo/documento (anexo) visando à padronização enorme na faixa etária de introdução do jogo às crianças, uma das recomendações e que a partir dos 12 anos as crianças devem jogar com aro em altura máxima e com bola n° 5.

Essa mudança foi adotada em federações e confederações, em outros países, sendo motivo de crítica pelos técnicos e especialistas na área. Sua aplicação foi prejudicial aos objetivos da categoria, no que diz respeito ao desenvolvimento do gesto técnico e fundamentos do jogo como também na motivação em alcançar o objetivo principal do jogo, a cesta. Outro motivo é o cerceamento a participação na categoria de atletas mais novos de 10 e 11 anos, pois estes teriam uma dificuldade maior em participar do jogo com o aro na altura máxima. Impedindo assim a formação de equipes de idades mescladas (fato que ocorre em algumas das nossas equipes).

Com estes problemas apresentados a Confederação Argentina (consulta ao Prof. Ricardo Bojanich) voltou atrás na determinação da FIBA e a competição de 2016 terá a altura de 2,65 para crianças até 12 anos. Os atletas com uma estatura acima da média poderão jogar na categoria de 13 anos onde a altura do aro é de 3,05.

Vemos que a decisão da FPB em mudar a altura do aro de 2,75 para 3,05 nesta idade esta embasado neste documento da FIBA Américas e na argumentação dos técnicos da categoria relatando a facilidade de alguns atletas com a estatura acima da média.

Neste sentido descrevemos alguns pontos a serem relevados para manutenção da regra da altura do aro em 2,75 para o campeonato de 2016:

1 – Problemas no processo de ensino do gesto técnico do arremesso. Erros da aprendizagem do gesto técnico do arremesso em função da falta de força na execução no aro da altura máxima.

2 – Cerceamento e dificuldade aos atletas com média de altura inferior de participar com efetividade e motivação na competição.

3 – Cerceamento e dificuldade aos atletas mais novos (10 e 11anos) de participar com efetividade e motivação na competição. Impossibilitando a participação de um número maior de atletas e equipes

4 – Incoerência em seguir as normas da FIBA para a altura do aro e não respeitar as outras regras como:

– Impossibilidade de utilização de defesa por ZONA (permitido somente a defesa individual);

– Lance livre na distância de 4 metros;

– Não existência de cesta de 3 (três) pontos; (Proporcionando que toda cesta de campo tenha o valor de 2 pontos);

– Não existência do Bônus (lance livre extra quando na falta no ato do arremesso);

– Rodízio de jogadores durante os quartos;

– Não existência de prorrogação quando no empate no tempo normal;

– Não existência da regra de 24 segundos e de posse de bola;

Os motivos acima nos levam a crer que a razão da mudança está relacionada, somente com o resultado esportivo em curto prazo. Pois as outras determinações das regras de Mini basquete da FIBA, não são considerados pela Federação e as equipes participantes.

A intenção de elevar a altura do aro restringe o desenvolvimento técnico da maioria dos atletas nesta idade, privilegiando a poucos atletas com altura acima da média, sendo que estes atletas têm a possibilidade de jogar na categoria de 13 anos com altura do aro a 3,05. 

Pensando no desenvolvimento técnico, motivação e futuro do basquete no estado e país, acreditamos que a mudança é prejudicial à evolução e formação de atletas nesta faixa etária.” 

OBS: o texto da carta é de inteira responsabilidade da Liga Estudantil e não sofreu alterações ou correções no momento de sua publicação.

Como um dos defensores da prática do minibasquetebol que privilegia a criança e a participação devo expressar minha total concordância com esta carta e espero que um dia os nossos profissionais pensem mais nas crianças e menos em suas conveniências ou circunstâncias momentâneas.

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O discurso e a prática: quanta diferença

Amigos do Basquetebol

Depois dos dois excelentes posts do amigo Tácito Pinto Filho aqui divulgados (https://vivaobasquetebol.wordpress.com/2015/11/18/categorias-de-base-o-futuro-comeca-aqui-sera/;https://vivaobasquetebol.wordpress.com/2015/12/13/categorias-de-base-o-futuro-comeca-aqui-sera-parte-2/)  e acompanhando a base do basquetebol durante anos chego à triste e óbvia conclusão de que muitos de nossos técnicos não conseguem levar à prática seu discurso em favor da formação de atletas.

O que vemos são técnicos preocupados tão somente com o resultado do jogo e, é claro do campeonato. Visam somente a vitória final sem se importar com o verdadeiro desenvolvimento de seus atletas.

Se perguntar a um técnico sobre formação ele defenderá uma postura maravilhosa de formação, desenvolvimento e preparação para um futuro da criança como cidadão.

Mas na prática…..quanta diferença.

São voltados para o imediatismo, para o vencer a qualquer custo, para a criação de jogadas (que eu chamo de coreografias), para a robotização de seus pequenos atletas não dando a eles a possibilidade de criar e tomar decisões.

Em São Paulo as últimas medidas apoiadas pelos técnicos do sub-12 (tirar a tabelinha) além da manutenção de regras absurdas como a linha de 3 pontos, pressão quadra toda, tempo de posse de bola mostram que estamos na contramão do mundo do minibasquetebol.

Todos elogiam a forma argentina de promover o minibasquetebol através de festivais. Mas participam de festivais como se estivessem disputando um Campeonato Mundial.

Enfim, isto nos faz pensar em um futuro duvidoso. Muitos clubes que se dizem formadores não formam nada. Vão atrás de atletas já formados em outros clubes para usufruir dos dividendos.

E um agravante: tudo isto sob os olhares complacentes de muitos pais que enxergam em seus filhos os depositários de suas frustrações esportivas e também querem a vitória a qualquer custo, ofendendo seus filhos, adversários, árbitros e técnicos.

Será que um dia isto muda???