História do Basquetebol · Todos os posts

Datas históricas do nosso basquetebol: novembro

Amigos do Basquetebol

Volto com os posts sobre as datas históricas do nosso basquetebol. Agora é o mês de Novembro

5 – Seleção masculina é Vice Mundial no Rio de Janeiro (1954)

O Brasil sagra-se Vice-Campeão Mundial no Campeonato realizado no Rio de Janeiro após derrota para os Estados Unidos por 62 x 41. Nossa equipe era composta pelos seguintes atletas: Algodão, Hélio Pereira, Wlamir Marques, Angelim, Almir de Almeida, Wilson Bombarda, Jamil Jedeão, Alfredo da Motta, Thales Monteiro, Mayr Facci, José de Carli, Amaury Pasos, Mário Fonseca e Fausto Resga. O técnico foi Togo Renan Soares – Kanela

27 – Paschoalotto Bauru é campeão da Liga Sul-americana (2014)

Paschoalotto Bauru vence Mogi das Cruzes (79×53) e sagra-se campeão da Liga Sul-americana. O elenco comandado por Guerrinha era o seguinte: Jefferson, Larry Taylor, Ricardo Fischer, Gabriel, Gui Deodato, Tiago Matias, Wesley, Murilo, Patrick, Rafael Hettsheimer e Robert Day.

28 – UNITRI é campeão da Liga Sul-americana de Basquete (2005)

UNITRI vence o último jogo da série melhor de contra o Universo Ajax (71×66) fechando a série em 3×1 e sagra-se campeão da Liga Sulamericana. Atletas: Helinho, Cambraia, Lucas, Brasília, Rogério, Blackwell, Brown, Marcelinho Machado, Douglas, Estevam, Cipollini e Valtinho. Técnico: Hélio Rubens.

28 – UNICEUB/Brasília é campeão da Liga Sul-americana de Basquete (2010)

UNICEUB/Brasília vence o Flamengo (96×86) e conquista o título da Liga Sul-americana de Basquete. Atletas: Alex Garcia, Eneas, Rossi, David, Márcio Cipriano, Arthur, Rafael, Ratto, Diego, Estevam, Erik e Valtinho.

29 – Corinthians é Campeão da 1ª. Taça Brasil (1965)

O Corinthians sagra-se o primeiro campeão da Taça Brasil ao derrotar o Vasco, no Ibirapuera, por 95 x 86. A equipe dirigida pelo Prof. Moacyr Daiuto atuou com Wlamir, Ubiratan, Renê, Rosa Branca, Edvar e Pedro Ives.

29 – UNICEUB/Brasília é campeã da Liga Sul-americana de Basquete (2013)

UNICEUB/Brasília vence o Aguada do Uruguay (93×81) e sagra-se campeão da Liga Sul-americana de Basquete. Atletas: Arthur, Ronald, Isaac, Alex, Osimani, Guilherme Giovannonni, Rossi, Nezinho, Maxwell, Mathews, Gore e Fernando. Técnico: Sérgio Hernandez.

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História do Basquetebol · Jogos Olímpicos

As meninas Olímpicas do Basquetebol Brasileiro

Amigos do Basquetebol

O basquetebol feminino só passou a fazer parte do programa olímpico em 1976, 40 anos após o masculino. Nos jogos de 1976, 1980, 1984 e 1988 o Brasil não participou sendo sempre desclassificado nos torneios pré-olímpicos.

Com isto uma geração fantástica perdeu a oportunidade de participar da maior festa do esporte mundial mas foi ela que deu impulso a outra geração que traria muitas alegrias para todos nós.

A partir de 1992 o Brasil começou a participar do basquetebol feminino olímpico obtendo duas medalhas – prata (1996) e bronze (2000).

De 1992 a 2016, 46 atletas nos representaram nos Jogos Olímpicos.  Adrianinha é a atleta com o maior número de participações – 5 – , seguida de Janeth e Kelly com 4.

Com 3 participações tivemos: Adriana Santos, Alessandra, Cintia Tuiú, Erika, Helen, Marta e Karla.

Com 2: Cláudia Neves, Clarissa, Damiris, Franciele, Hortência, Iziane, Joyce, Leila, Paula, Patrícia Chuca, Sílvia Gustavo, Sílvia Luz, Nádia Colhado e Izabela Ramona.

Com uma participação: Cláudia Pastor, Fernanda Berling, Graziane, Nádia Bento, Zaine, Joycenara, Mamá, Karen, Lilian, Branca, Zezé, Micaela, Palmira, Roseli, Simone POntello, Ega, Tainá, Tássia, Tatiane, Vânia Hernandez e Vivian.

Número de Jogos

Janeth é a atleta com maior número de jogos – 29; Adrianinha, Cintia Tuiu e Alessandra (24); Kelly (22); Helen e Marta (20); Erika (17); Leila (15); Iziane e Paula (13); Karla  e Adriana Santos (12); Silvia Gustavo, Sílvia Luz, Cláudia Neves e Hortência (11); Clarissa, Damires e Joyce (10)

Pontos

No clube dos 100 pontos temos

Janeth – 535; Alessandra – 290; Helen – 252; Marta – 236; Paula – 210; Iziane – 199; Erika – 175; Hortência – 174; Adrianinha – 139; Clarissa – 134; Kelly – 117; Cintia Tuiu – 108 e Damires – 104

Média de Pontos

Janeth tem a melhor média de pontos nos Jogos Olímpicos – 18,4, seguida de Paula – 16,2.

A melhores médias:

Hortência – 15,8; Iziane – 15,3; Clarissa – 13,4; Helen – 12,6; Alessandra – 12,1; Marta – 11,8; Damiris – 10,4 e Erika – 10,3.

Medalhistas:

1996 – Atlanta – Prata

Hortência, Branca, Adriana Santos, Leila, Paula, Janeth, Roseli, Marta, Alessandra, Cintia Tuiu, Cláudia Pastor e Silvia Luz

2000 – Sydney – bronze

Claudia Neves, Helen, Adriana Santos, Adrianinha, Lilian, Janeth, Zaine, Marta, Silvia Luz, Alessandra, Cintia Tuiu e Kelly.

janeth

Janeth: maior número de jogos, maior cestinha e melhor média de pontos

Os técnicos

Cinco técnicos dirigiram o Brasil em Jogos Olímpicos.

Antonio Carlos Barbosa por 3 vezes (2000, 2004 e 2016) com 8V e 13 D – Medalha de Bronze em 2000

Maria Helena Cardoso – 1992 (2V-3D)

Miguel Ângelo da Luz – 1996 (7V-1D) – Medalha de prata

Paulo Bassul – 2008 (1V-4D)

Luiz Cláudio Taralo – 2012 (1V-4D)

mig2Miguel Ângelo da Luz – medalha de prata em Atlanta em 1996

Barbosa

Barbosa – medalha de prata em Sydney – três vezes técnico da seleção olímpica feminina (2000, 2004 e 2016)

História do Basquetebol · Jogos Olímpicos

Os rapazes olímpicos do Basquetebol Brasileiro

Amigos do Basquetebol

É hora de atualizar o quadro da participação dos nossos atletas no Basquetebol Olímpico.

De 1936 até 2016 109 atletas tiveram a honra de representar o Brasil nos Jogos Olímpicos.

Oscar é o atleta com maior número de participações – 5, seguido de Algodão, Cadum, Marcel, Mosquito e Wlamir com 4 participações.

Segue o quadro completo de atletas e suas participações

3 – Succar, Rosa Branca, Pipoka, Marquinhos Abdalah, Israel, Gerson, Edvar, Edson Bispo, Ubiratan, Amaury e Adilson

2 – Alex, Alfredo Da Mota, Angelim, Brás, Carioquinha, Guerrinha, Giovannonni, Hélio Rubens, José Geraldo, José Luiz, Jatyr, Josuel, Joy, Leandrinho, Marcelinho Huertas, Marcelo Vido, Marquinhos, Maury, Mayr, Menon, Fernando MInucci, Nenê, Paulinho Villas Boas, Raulzinho, Rolando, Ruy de Freitas e Sérgio Macarrão.

1 – Albano, Alexandre Gremignani, Almir de Almeida, Montanarini, Anderson Varejão, André Stofl, Augusto Lima, Baiano, Benite, Bombarda, Fernando Brobó, Cacau, Caio Caziolatto, Caio Silveira, Caio Torres, Carmino, Coroa, Cristiano Felicio, Demétrius, Dodi, Agra, Évora, Fausto Sucena, Fransérgio, Fritz, Gilson, Godinho, Jamil Jedeão, Janjão, Jorge Dortas, Larry Taylor, Luiz Felipe, Zelaia, Luiz Gustavo, Mário Jorge, Marcelinho Machado, Marcus Dias, Marson, Massinet, Miguel Pedro, Moyses Blás, Nelson Couto, Nelson Monteiro, Nilo, Olívia, Pedro Cesar, Pavão, Radvilas, Rafael Hettsheimer, Rafa Luz, Rato, Raymundo, Rogério, Saiani, Scarpini, Silvio Malvezi, Thales, Thiago Splitter, Tião, Tonico, Vitor, Wagner, Waldmar e Waldyr Boccardo.

Maior Número de jogos

Oscar – 38; Wlamir – 33; Mosquito e Marcel – 29; Algodão – 27; RoEdson Bispo – 24; Adilson, Amaury, Gerson, Israel, Marquinhos Abdalah e Pipoka – 23

Cestinhas

Oscar – 1093; Wlamir – 537; Marcel – 377; Ubiratan – 356; Marquinhos Abdalah – 328; Amaury – 263; Algodão – 224; Israel – 221; Paulo Villas Boas – 218; Alfredo da Mota – 217; Menon – 214

Média de pontos

Oscar – 28,8; Wlamir – 16,3; Paulo Villas Boas – 14,5; Marquinhos Abdalah – 14,3; Leandrinho – 14,2; Alfredo da Mota – 13,6; Ubiratan – 13,2; Marcel – 13,0; Menon – 12,6; Amaury – 11,4; Huertas – 10,9; Angelim – 10,7; Carioquinha – 10,0.

oscarOscar – o maior pontuador de todos os tempos em Jogos Olímpicos, representou o Brasil em 5 edições dos Jogos Olímpicos (1980, 1984, 1988, 1992 e 1996)

Os medalhistas

1948 – Londres (Bronze): Évora, Marson, Alexandre Gemignani, Alfredo da Motta, João Francisco Braz, Marcus Vinícius, Massinet, Nilton Pacheco, Ruy de Freitas e Algodão

1960 – Roma (Bronze): Algodão, Amaury Pasos, Wlamir Marques, Blás, Mosquito, Fernando Brobó, Rosa Branca, Jatyr, Edson Bispo, Sucar, Waldir Boccardo e Waldemar Blatkauskas

1964 – Tóquio (Bronze): Amaury Pasos, Wlamir Marques, Ubiratan, Mosquito, Fritz, Rosa Branca, Jatyr, Edson Bispo, Sucar, Victor, Sérgio Macarrão e José Edvar.

Os técnicos

Renato Brito Cunha foi técnico em três edições dos jogos Olímpicos (1964, 1968 e 1984) com um recorde de 15 v – 10d.

Ruben Magnano dirigiu o Brasil em duas edições dos Jogos Olímpicos (2012 e 2016) obtendo 5V-7D. Ary Vidal tembém dirigiu o Brasil em duas oportunidades (1988 e 1996) com 8V-8D.

Também dirigiram o Brasil em Jogos Olímpicos:

Arno Frank (1936; 1v-3d); Moacyr Daiuto (1948; 7v-1d); Manoel Pitanga (1952; 4v-4d); Mário Amáncio Duarte (1956; 3v-4d); Kanela (1960; 6v-2d); Pedro Murilla Fuentes – Pedroca (1972; 5v-4d); Cláudio Mortari (1980; 4v-3d); José Medalha (1992; 4v-4d).

Os medalhistas:

Moacyr Daiuto (1948 – Bronze); Kanela (1960 – Bronze) e Renato Brito Cunha (1964 – Bronze).

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Brito Cunha – medalhista de bronze em 1964 – técnico que dirigiu o Brasil em 3 edições dos Jogos Olímpicos (1964 – 1968 e 1984)

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Jogos Olímpicos: o Basquetebol Masculino

Amigos do Basquetebol

Agora é a vez de darmos uma olhada no Basquetebol Masculino dos Jogos Olímpicos.

Neste ano teremos a participação de 4 países das Américas (Estados Unidos, Brasil, Argentina e Venezuela); 1 da Ásia (China); 1 da África (Nigéria); 1 da Oceania (Austrália) e 5  da Europa (Espanha, Lituânia, França, Croácia e Sérvia).

Dos Jogos de Londres, nove equipes retornarão: Estados Unidos, Espanha, França, Lituânia, Argentina, Brasil, Austrália, China e Nigéria.

A Venezuela retorna depois de sua única participação em 1992.

  • Os Estados Unidos é o país com maior número de participações (17 em 18 edições do basquetebol nos Jogos Olímpicos). Brasil (14), Austrália (11), China e Espanha (10), França (7), Lituânia e Argentina (6), Croácia (3), Sérvia, Nigéria e Venezuela (1).
  • Dos participantes deste ano, somente dois países obtiveram a medalha de ouro: Estados Unidos (14 vezes) e Argentina (1)
  • A prata foi conseguida pela Espanha (3 vezes), França (2), Croácia e Estados Unidos (1 vez)
  • Já o bronze teve a Lituânia e Brasil (3 vezes), Estados Unidos (2) e Argentina (1)
  • O Brasil teve os seguintes confrontos com seus adversários de grupo: Argentina (0/1); Espanha (1/3); Lituânia (0/1); Croácia (1/1). Brasil e Nigéria não se enfrentaram em jogos Olímpicos
  • Considerando uma possível passagem do Brasil para as quartas de finais os confrontos com os possíveis adversários na história do jogos mostram o seguinte quadro: Estados Unidos (0/9); França (2/1); China (3/0) e Austrália (4/2). O Brasil nunca enfrentou a Venezuela e a Sérvia nos Jogos.
  • Na história dos jogos o Brasil obteve as seguintes classificações: 1936 (9o.); 1948 (3o.); 1952 (6o.); 1956 (6o.); 1960 (6o.); 1964 (6o.); 1968 (4o.); 1972 (7o.); 1980 (5o.); 1984 (9o.); 1988 (5o.); 1992 (5o.); 1996 (6o.); 2012 (6o.)
  • A última equipe brasileira a conquistar uma medalha olímpica (bornze em 1964 em Tóquio) era formada por Amaury, Wlamir, Ubiratan, Mosquito, Fritz, Rosa Branca, Jatyr, Edson Bispo, Succar, Victor, Sérgio Macarrão e José Edvar. Técnico: Kanela

Brasil bronze em TóquiVictor, Sucar, Amaury e Wlamir integrantes da equipe de Bronze nos Jogos Olímpicos de Tóquio em 1964

História do Basquetebol · Jogos Olímpicos

Jogos Olímpicos: Basquetebol Feminino

Amigos do Basquetebol

Neste post trago algumas curiosidades sobre as equipes que estarão nos Jogos Olímpicos

Como já sabemos os grupos estão assim formados:

A – Brasil, Austrália, França, Japão, Belarrússia e Turquia

B – Estados Unidos, Espanha, Senegal, China, Sérvia e Canadá.

  • Das 12 equipes participantes somente Senegal e Sérvia farão sua estreia em Jogos Olímpicos.
  • Os Estados Unidos têm o maior número de participações (10), seguidos por Brasil e Austrália (6), China (5), Canadá, França e Japão (2) e Belarrússia e Turquia (1)
  • Em suas 10 participações os Estados Unidos obtiveram 10 medalhas sendo 8 de ouro, 1 de prata e 1 de bronze
  • A Austrália obteve 5 medalhas: 3 de prata e 2 de bronze
  • O Brasil fo prata em 1996 e bronze em 2000
  • A França e a China obtiveram uma medalha de prata cada

Perante seus adversários na fase de grupos a situação do Brasil em Jogos Olímpicos é a seguinte:

  • vs Austrália – 5 derrotas
  • vs – França – 1 derrota
  • vs Belorrússia – 1 vitória
  • vs Japão – 2 vitórias

Em possíveis confrontos com os adversários do grupo B na fases seguintes a situação é a seguinte:

  • vs Estados Unidos – 1 derrota
  • vs Espanha – 1 derrota
  • Vs China – 1 derrota
  • Vs Senegal – 1 vitória
  • Vs Canadá – 1 vitória e 1 derrota.

Palpite: exercendo a “palpitologia” eu diria que os classificados para as quartas de finais serão os seguintes

GA – Austrália, França, Brasil e Belorrússia

GB – Estados Unidos, Espanha, Sérvia e Canadá.

Se isto se confirmar o Brasil enfrentará a Espanha nas quartas de final. Mas é só um palpite.

 

História do Basquetebol

Datas históricas do basquetebol brasileiro: julho

Amigos do basquetebol

Seguimos com nosso calendário de datas históricas do basquetebol brasileiro.

Agora é o mês de julho. Vamos curtir nossas conquistas

5 – Corinthians vence o Real Madrid bicampeão europeu no Parque São Jorge (1965) –

Com o Parque São Jorge lotado (estima-se 12 mil pessoas) o Corinthians venceu o Bicampeão Europeu na época, o Real Madrid (118x 109) em um jogo memorável. Pela primeira vez no Brasil em um jogo as duas equipes passavam dos 100 pontos. Este jogo deu início ao movimento que culminaria com a criação do Mundial Interclubes que foi realizado em 1966 e vencido pelo Ignis Varrese, tendo o Corinthians como Vice. Pelo Corinthians atuaram: Wlamir, Ubiratan, Edvar, Rosa Branca, Renê, Peninha, Pedro Ives, Gilberto, Mical, Eduardo, Ortiz e Bernardo. Técnico: Moacyr Daiuto. Pelo Real Madrid: Luik, Emiliano, Moncho Monsalve, Suarez, Sevilhano, Gonzalez e Descartin. Técnico: Pedro Ferrandiz.

25 – Seleção masculina é penta campeã Pan Americana (2015)

A seleção masculina vence o Canadá em Toronto (86×71) e conquista pela quinta vez o título dos Jogos Pan Americanos. O técnico Ruben Magnano teve à sua disposição os seguintes atletas: Ricardo Fischer, Rafael Luz, Rafael Hettsheimer, Augusto Lima, Larry Taylor, Benite, Olivinha, Rafael Mineiro, J.P.Batista, Leo Mendl e Marcus.

29 – Seleção masculina é tetra campeã Pan Americana (2007)

A seleção masculina é tetra campeã dos Jogos Pan Americanos ao derrotar na final a equipe de Porto Rico (86×65). Os jogos foram realizados no Rio de Janeiro e a equipe brasileira foi representada pelos seguintes atletas: Alex Garcia, Caio Torres, Guilherme Teichman, J.P.Batista, Marcelinho Machado, Marcelinho Huertas, Marcus, Marquinhos, Murilo, Paulão, Valtinho, Nezinho. Técnico: Lula Ferreira.

29 – Seleção Masculina reestreia nos Jogos Olímpicos em Londres (2012)

O Brasil reestreia com vitória nos Jogos Olímpicos realizados em Londres, enfrentando a equipe da Austrália (75×71). A equipe brasileira dirigida por Ruben Magnano foi a seguinte: Marcelinho Machado, Raulzinho, Caio Torres, Larry Taylor, Alex Garcia, Marcelinho Huertas, Leandrinho, Marquinhos, Guilherme Giovannonni, Nenê, Anderson Varejão e Tiago Splitter.

30 – Estreia da seleção Feminina nos Jogos Olímpicos (1992)

as meninas estreiam em Jogos Olímpicos. Vitória sobre a Itália (85×70). O Brasil terminaria em 7º nos Jogos de Barcelona. A equipe era comandada por Maria Helena Cardoso e como assistente Heleninha e era composta por: Hortência, Helen, Nádia, Vânia Teixeira, Paula, Janeth, Adriana Santos e Marta, Ruth, Joycenara, Simone Pontello e Zezé.

31 – Seleção Masculina enfrenta o Dream Team nos Jogos Olímpicos (1992)

o Brasil enfrente o Dream Team, nos Jogos Olímpicos de Barcelona. Como era de se esperar, vitória dos americanos (127×83). O técnico brasileiro foi José Medalha. Atletas: Paulinho Villas Boas, Guerrinha, Gerson, Pipoka, Rolando, Cadum, Maury, Marcel, Josuel, Fernando Minucci, Oscar e Israel.

 

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De Elzinha para Norminha: uma justa homenagem

Amigos do Basquetebol

Em uma época que nossos jovens conhecem mais da NBA do que do nosso basquetebol é sempre bom resgatar a memória do nosso esporte e homenagear nossos e nossas grandes atletas.

Desta vez a homenagem veio de uma das grandes “basqueteiras” deste país para outra gigante do nosso esporte.

É a homenagem que a querida amiga Elzinha fez para outra querida amiga Norminha. Vale a pena ler.

Norma Pinto de Oliveira, a “Norminha do basquete” está para o esporte que escolheu assim como Maria Ester Bueno para o tênis e João do Pulo para o atletismo. Essa afirmação não é minha: mais de mil e estrangeiros contam a história de sua carreira aos pedacinhos, sempre com apelidos simpáticos, aplausos ou elogios.

“Norminha, a grande revelação” (Gazeta Esportiva, S. Paulo, 1960)

“Campeã do decatlo” (Jornal do Brasil, Rio, 1962)

“A consagrada atleta” (Jornal dos Sports, Rio, 1963”

“La perla blanca” – “ A pérola branca” (La Crônica, Lima, Peru, 1965)

“Agilíssima e inteligente, Norminha és um espetáculo a parte…” –( Expresso, Lima, Peru, 1966)

“Todos observan un tiro de media distancia ejecutado por Norminha…” (Jornal não identificado, México, 1967)

“Norma provou que está em boa forma e vai ao Mundial” (Diário Popular, S. Paulo, 1970)

“Norminha… quase tão eficiente quanto Pelé” (revista Veja, S. Paulo, 1971)

“Os dribles e os jumpings de Norminha fizeram delirar a assistência presente ao ginásio do Ibirapuera” (última Hora, S. Paulo, 1971)

“Norminha mostro sus grandes cualidades” – “Norminha mostrou suas grandes qualidades” (La Prensa, Buenos Aires, 1972)

Além dos jornais havia a forma física: suas marcas em treinos serviam de parâmetro para os vestibulares da Faculdade de Educação Física da Universidade de São Paulo. E de suas colegas de seleção era exigido nos treinos apenas 70% do seu rendimento, também utilizado como parâmetro

Ela foi também tricampeã carioca de decatlo (feminino não olímpico) e vencedora do Campeonato Universitário de Natação (Costas, 100m, Rio, 1965) sem deixar de, simultaneamente, jogar basquete. Os títulos que Norma teve nesse esporte vêm a seguir, pois não caberiam neste prefácio. As aventuras de sua vida, toda dedicada ao esporte, recheiam de emoções todo este livro.

O segundo motivo que me fez levar em frente o projeto deste livro foi evitar que se perdessem, por falta de registro, os conhecimentos teóricos e práticos ( e a história) de uma jogadora-atleta que esteve presente em nada menos do que 372 partidas da Seleção Brasileira de Basquetebol Feminino, durante dezesseis anos ininterruptos; jogou mais de mil partidas em campeonatos regionais, jogos abertos do interior, campeonatos estaduais e brasileiros; auxiliou técnicos (chegou por seis meses ser técnica de seu próprio clube), foi condicionadora física; lecionou basquete durante oito anos numa faculdade de Educação Física paulista, foi técnica da seleção brasileira de paraplégicos e é hoje, ativa em sua academia de ginástica modeladora, ginástica terapêutica para pós-safenados, pré ou pós parto e ginásticas corretiva da coluna.

Formada em Educação Física pela Faculdade Federal do Rio de Janeiro, Norminha fez ainda um curso de Fisioterapia em Buenos Aires, com pó professor Luiz Rodrigues e outro de Pedagogia da Faculdade de Educação e Cultura de São Caetano do Sul.

O diploma mais importante de Norma: ela é gente, formada na difícil escola da vida.

Lais de Castro

São Paulo, outono de 1984

Uma explicação

Dez e meia da noite, dia 21 de maio de 1971. No ginásio do Ibirapuera em São Paulo, corre o campeonato Mundial de Basquete Feminino. O marcador registra: Brasil, 75 pontos; Japão 76. O cronômetro está parado. A respiração das quase vinte mil pessoas que lotam o ginásio também. Há um misto de emoção, esperança e muito medo pairado no ar. Faltam apenas dois segundos para terminar a partida. O Brasil tem posse de bola. O juiz apita. Maria Helena Cardoso passa a bola para Nilza, que atira para a cesta. O tempo está esgotado mas a bola precisa terminar a sua trajetória. Se ela atravessar o aro fatal serão mais dois pontos, vence o Brasil. Essa caminhada das bola parece durar infinitamente. Todos os olhares convergem para um só ponto. O silêncio pesa no ar.

CESTA!

O ginásio explode. A seleção do Brasil ganhou mais uma batalha. As atletas japonesas choram. As brasileiras também mas de alegria. Enquanto vão se tornando heroínas para o público, o rádio,a tv, os jornais as revistas que até agora não tinham tomado conhecimento de sua existência. Mas, embora a vitória tivesse um sabor definitivo, o mundial de 71 estava apenas começando.

Uma das nossas jogadoras, Norma Pinto Oliveira, então com vinte e nove anos, onze de seleção, quando viu a bola atravessar o aro sentou-se na quadra e chorou copiosamente. Não conseguia falar, dar entrevistas. Apenas chorava. Como choraria se o seu time da época o São Caetano (SP), vencesse um jogo secundário num campeonato regional “ com três gatos pingados na arquibancada como a gente está acostumado a jogar”; diria ela.

Ela chorava porque vencer a seleção do Japão é um grande feito, pela emoção do estádio lotado ou porque na época o mundial era o mais importante torneio feminino de basquete do mundo. É preciso lembrar que até então, o basquete feminino não era considerado esporte olímpico (ou seja, não existia essa modalidade nas Olimpíadas).

Norminha, por isso, não teve a alegria de participar de uma.

Nem Norminha talvez soubesse – ela soube depois – mas aquelas lágrimas eram por ver triunfar, mo Brasil, o esporte ao qual ela dedicaria (e continuaria dedicando) grande parte e sua vida.

É a histórias dessa vida, com todas vitórias e derrotas, erros e acertos, momentos de glória, cansaço, alegria ou tristeza, que vamos percorrer agora através da palavra da própria Norminha, peça fundamental na vitória que acabamos de contar, contra o Japão.

Não pretendemos contar uma história completa e nem cronologicamente perfeita, já que ela sai – sincera e livre – de nossa campeã. Ela com certeza dará mais ênfase aos pontos que mais a emocionaram e poderá, inadvertidamente, pular partes que (talvez ela nem saiba) não a tenham tocado tão profundamente.

Fala Norminha!

Nasce uma atleta 

Sempre me dei muito bem com o esporte. Meu pai foi boxeur e minha mão jogava tênis antes de vir da Argentina – onde nasci – para Jacareí, no Vale do Paraíba, SP, onde fui criada (depois de alguns anos em Porto Ferreira, Alta Paulista, SP). Quase bebê ainda eu já me afogava pelas piscinas portenhas. Talvez tenha sido por isso que quando cheguei ao Brasil e entrei na escola, escolhi logo a natação como “meu” esporte. Naquela época não havia poluição e nós tínhamos aulas no Rio Paraíba (hoje morto). Mas logo de manhã já começava a minha atividade: eu ia correndo para a escola. Eram 2 Km todos os dias.

Corria o ano da graça em 1958. Meus professores de Educação Física, um casal fantástico – Rudyl e Juvenal Soares – me escalaram para a seleção de voleibol da escola porque acharam que eu tinha futuro. Eu acabei “pegando” também a de basquete. Nestas duas seleções tive as primeiras vitórias de minha vida nos “Jogos Estudantis do Vale do Paraíba”. Por isso fui convocada para jogar na equipe de São José dos Campos, cidade vizinha a Jacareí. Era uma equipe forte que competia com o Tietê, Corinthians, Pinheiros, com o excelente time de Sorocaba co o extinto Seri (Sociedade Esportiva Recreativa do Ipiranga). Eu tinha então, dezesseis anos. Porém naquela época não existia as categorias que hoje existem muito bem divididas por idade. (…)

Naquela época, ou você jogava bem e aparecia na equipe principal ou ia para casa. Não havia chances de sobrevivência para quem trabalhasse a bola mais ou menos. Era sim, ou não.

Comigo aconteceu que foi sim. Mas não sem esforços ou sacrifícios. E u não quero fazer demagogia, mas tenho que voltar um pouco no tempo para explicar algumas coisinhas. Meu pai era brasileiro, minha mãe é Argentina. Eles se casaram e lá tinham uma boa situação. Entretanto meu pai perdeu tudo e eles vieram para o Brasil recomeçar do zero. Minha mãe é forte, sempre foi. Meu pai também era muito corajoso. Herdei deles, posso garantir, o horror a qualquer tipo de derrota, que me acompanha até hoje. Só que nesse novo começo da nossa família, muitas vezes eu não tinha o que comer. Roubava pimentão do vizinho para comer com sal e, uma vez, estava com tanta fome que subi numa jabuticabeira e só parei de chupar jabuticabas ao sentir os primeiros sinais de indigestão. Só estou contando isso para dizer que eu, embora medisse 1,65 m (era alta para a minha idade)era magrela e miúda de corpo. A bola de basquete naquele tempo era de couro e “crescia” sob o sol ou sob a chuva. E o aro já estava como hoje, a 3,05 de altura. Imagine, então, eu lá no time de São José, treinando com gigantes como o Edvar, o Marson, o Rafael e o Bombarda (todos da seleção brasileira), tentando imitá-los na base do “quero fazer o quer eles fazem”.

Fiquei neste time uns sete meses e cheguei a participar de campeonatos regionais. Então o Orlando Valentim, respeitado técnico de basquete na época, me indicou para o Vicente Merlino, um dos diretores do Seri (Sociedade Esportiva Recreativa Ipiranga, São Paulo) dizendo que “dentro de alguns meses eu seria uma das maiores jogadoras do país”. Na verdade esse homem me descobriu.

Para treinar no Seri eu submeti minha mãe a uma dura prova de amor à mim e ao esporte amador do Brasil … Era uma maratona de ônibus, diária, que nos deixava exaustas: o primeiro de Jacareí a São Paulo; o segundo de , da praça João Mendes (no centro da cidade) até o Ipiranga, onde ficava o clube; o terceiro, no fim do treino, até a agência do Pássaro Marron, na Av. Rio Branco, ônibus que finalmente nos levaria de volta a Jacareí.

Quantas vezes minha mãe e eu dormimos sentadas naquela agência, esperando o primeiro ônibus da manhã para a nossa cidade … é que eu treinava mais que o nosso horário apertado permitia e perdia a última condução da noite. E a dona Amélia, super-mãe, sempre de bom humor, me incentivando.

Minha mãe nunca me viu perder um jogo. Todas as vezes que estava na platéia, meu time ganhava. Dava uma sorte !

No Seri, nessa correria, fiquei mais de seis meses. Mas foi lá que participei do estadual de 1958. E ganhamos. Foi ainda lá que perdi a chance de ir para o pré-pan, que escolheria as atletas que iriam, representando o Brasil, no Pan-americano de Chicago em 1959. Não pude ir porque era Argentina e não havia mais tempo para a minha naturalização que foi providenciada, em seguida pela Confederação Brasileira de Basquetebol.

Quando “virei” brasileira eu já era jogadora do Votorantim de Sorocaba (SP). Fui, convidada. E não sem problemas.

O rolo compressor

Não havia consciência de pioneirismo do Votorantim. Havia, sim, um pioneirismo intuitivo muito marcante. A fábrica de cimento Votorantim dava uma verba para o time ( e a prefeitura de Sorocaba também) o que era inédito naquele tempo. Hoje as empresas se interessam pelo esporte amador, (ainda bem), mas têm retorno em publicidade, simpatia, etc. Naquela época empresa nenhuma queria dar nada. A Votorantim foi, portanto pioneira nisso.

O Campineiro, por sua vez, formou dois times de basquete feminino: um das “cobras” (adulto) e outro das “minhoquinhas” (crianças). Ele estava inaugurando, sem saber, o trabalho de base no Brasil, criando as categorias esportivas.

A esse time é que eu cheguei ainda “verde”, aos dezessete anos. No meu primeiro dia , só consegui parar de trinar quando vomitei de cansaço. Sob os olhos do técnico. Porque ele queria que agente tivesse uma estupenda forma física, ainda que adquirida de forma não adequada. Porque o Campineiro realizava um trabalho empírico, sem bases científicas; mas recheado de garra. Depois do treino agente tomava suco de laranja, que ele fazia à mão. E todas nós do Votorantim _ mesmo cometendo a loucura de dar cinqüenta voltas na quadra para começar o aquecimento e, em seguida, subido e descendo várias vezes os quarenta degraus da arquibancada do ginásio de esportes – fomos parar na Seleção Brasileira. Pela abnegação daquele querido alucinado por basquete.

A primeira seleção brasileira

O Votorantim não tinha adversários nos campeonatos estaduais a não ser o time de Piracicaba, também celeiro da seleção nacional. No primeiro ano lá ganhamos o estadual de 1959. Treinávamos arduamente, com o Campineiro nos fazendo aproveitar cada segundo da partida, coisa que os outros técnicos da época nem pensavam em exigir. Naquele tempo era raríssimo um time fazer ais de 60 pontos nos quarenta minutos regulamentares (20 por 20) de um jogo (conseqüência das próprias regras do basquete, como já disse).

Pois bem,: nós fazíamos mais de 100 pontos com alguma freqüência. Por isso eu chamo o Newton Corrêa Jr., aquele nosso técnico Campineiro, de “Einstein do basquetebol”.

Ao mesmo tempo, era ele que – quando não estávamos treinando ou jogando – me mandava limpar a grande quantidade de troféus que o Votorantim já garantira, que estava guardado numa sala embaixo da arquibancada do ginásio de esportes de Sorocaba. Naquele tempo tudo era bem diferente, a gente suava na quadra e fora dela…

Enquanto eu limpava os troféus, lembro bem, sonhava jogar na seleção brasileira.

A convocação para a seleção veio. Mas havia doze vagas e dezenove atletas para brigar por elas. E, claro, as mais experientes tinham maiores chances. Eu não tinha idéia do quer seria essa “briga”. Era “crua”, desinformada. Até por isso, talvez tenha me despreocupado um pouco mais que as outras convocadas. Eu me fixei mesmo nos Jogos Abertos do Interior que tínhamos que ganhar pelo Votorantim antes de ir para a seleção.

Viajamos para Campinas, sede doa jogos, para brigar por mais um troféu que depois, na certa, eu teria que limpar… Não me lembro bem se foi no aquecimento do segundo ou terceiro jogo. Só me lembro que subi numa bandeja (…) e quando desci _ alguém dxa arquibancada tinha devolvido uma bola _ eu pisei na bola literalmente. Tive uma luxação no tornozelo e adeus: foi preciso engessar.

“Logo agora que tenho que me apresentar à seleção”, eu pensava, entre triste e furiosa, no inconformismo gostoso de quem tem dezoito anos. Foi a cabeça fresca, típica dessa idade, que me fez arrancar o gesso dois dias depois, imobilizar o pé com faixa e esparadrapo e com pó pé sob o efeito de uma infiltração anestésica fortíssima, entrar na quadra para participar da final dos Jogos Abertos do Interior contra Piracicaba.

Perdemos o jogo e eu quase perdi o pi. Quando tirei a faixa meu pé era uma pasta preta, minha perna foi inchando que eu tinha elefantíase. Mesmo assim fui para o Rio e naquele estado lastimável me apresentei ao técnico da Seleção Brasileira de Basquete Feminino, 1960, Antenor Horta. Durante os dez primeiros dias, enquanto as minhas companheiras treinavam e se adaptavam umas às outras eu fiquei tratando do pé. Na maior angústia.

Quando cheguei a entrar na quadra pela primeira vez, subi numa outra bandeja e a Neucy Ramos (que era craque) me deu uma entrada violenta: o que aconteceu mesmo ? Torci o outro pé. No dia seguinte fui com os dois pés imobilizados. Mas fui. Com o “demônio no corpo”. Grudei na Neucy de-não-deixar-ela-andar !

“Posso não fazer uma cesta, mas ela também não faz”, pensava então.

Eu não sabia, mas estava descobrindo uma característica que iria marcar toda a minha carreira de jogadora: de marcar e não deixar andar a adversária. Marquei, sem falsa modéstia, todas as grandes jogadoras do mundo da minha época.

Consegui minha vaga entre as doze (como reserva) e fui para o sul-americano do Chile em 1960. De cabeça tranqüila, pois não tinha consciência do que era estar lá com a camisa do Brasil. O técnico me mandou entrar – pela primeira vez – no segundo tempo de um jogo contra o Paraguai. Virei titular. Não saí mais até sermos campeãs, como fomos.

Ganhamos o sul-americano e eu ganhei dos jornalistas apelido de “La niña voadora” (a garota voadora), porque fazia muitas bandejas aéreas. Fui considerada a jogadora-revelação do campeonato. E só deixei de ser titular da seleção brasileira quando resolvi sair espontaneamente , em 1976.

Não sem antes conseguir a proeza de , no campeonato Mundial do Peru, (tendo como técnico o Almir de Almeida) ter sido considerada por toda a crônica especializada uma das cinco maiores jogadoras do mundo. Entre essas cinco não havia nenhuma outra jogadora da América do Sul, nem do Norte e nem Central.

Vermelho e preto

Como era uma jogadora de muito destaque no Votorantim de Sorocaba, acabei sendo convidada para ir jogar no Flamengo do Rio de Janeiro. Naquela época não existia o pagamento de “luvas”, nem “gordos” salários mensais. A gente ganhava pouco e jogava muito, era muito feliz assim mesmo. Aceitei e fui embora, Com uma mão na frente, outra atrás.

Lá, o meu primeiro técnico foi o Canela (Togo Renan Soares) que depois seria bi-campeão mundial com o basquete masculino do Brasil. Com ele agente já entrava na quadra sabendo exatamente o que cada jogadora adversária ia fazer _ “marque fulana”, ele dizia, “mas cuidado ela dribla, faz o corte e passa” _ e isso era meio caminho andado. Também o Flamengo tinha montado um time forte (com Angelina, Delcy, Didi, Ivani, Regina, Átila, Célia, Eny, Doranita e Amelinha _ mais tarde viria Marlene) e era dono de uma torcida que empurrava as atletas para a vitória. Fomos campeãs cariocas de 1962.

Naquela época, no entanto, no Rio de Janeiro, importante mesmo era participar dos jogos da Primavera, que toda imprensa e o público prestigiavam fanaticamente. Acho que por isso que D. Berta, diretora esportiva do Flamengo, me convenceu a participar da prova do decatlo (feminino, não-olímpico). Ou foi por causa de minha forma física, não sei. O que sei é que, sem treinar, fui tentar defendera camisa vermelha e preta nas dez modalidades que compunham a prova: lance-livre, natação, salto em altura, ginástica olímpica de solo (no chão), arremesso de dardo, arco-e-flecha, tiro-ao-alvo, corrida, ciclismo e saltos ornamentais. Bem “leve” como se pode ver…

Passei pelas provas de natação e lances-livres (em basquete) tranqüilamente, com primeiro lugar nas duas. Consegui também uma vitória nos saltos ornamentais e, por incrível que pareça, na ginástica olímpica (tinha treinado um pouco para o vestibular). No tiro, brilhou minha estrela de sorte: apesar de não saber atirar, garanti uma segunda colocação. Estas foram as provas do primeiro dia, das quais sai em vantagem. No segundo dia, entretanto, eu sabia que a coisa ia piorar. As adversárias eram fortes e eu nunca tinha atirado uma flecha em toda a minha vida. Bicicleta? Só tinha andado, quando era criança, nas das amigas…

Disse, repito e vou repetir pela vida afora: entro numa competição para ganhar. (Essa história de que o importante é competir, para mim, soa falsa. No calor da luta, todo mundo quer vencer).

Por isso mesmo, naquele dia, mesmo sabendo que as campeãs cariocas de arco-e-flecha e ciclismo estavam competindo, eu ia dar tudo de mim. Como sempre fiz na quadra de basquete.

No entanto, cansada das provas da véspera, quando peguei no arco para atirar minha primeira seta e não sabia o que fazer com aquilo na mão tive vontade de chorar. Mandei a primeira flecha tão longe do alvo que ela foi parar na rua! E quando larguei o tirante, ele raspou no meu braço e ralou-o todo, saiu sangue… Aí me deu raiva: ninguém tinha me avisado que agente precisava de uma luva longa, de couro, para praticar esse esporte. Joguei todas as flechas e só atingi o alvo com a porcaria de uma. Bem longe do centro…

Em compensação ganhei as quatro provas do segundo dia: a corrida (100m rasos), o salto em altura (pulei 1,35m na segunda tentativa), arremesso de dardo (21,40m) e, acredite se quiser: o ciclismo.

A prova de ciclismo, naquele tempo, era por cronômetro. Minha adversária mais séria era a Ana Maria Paulino (campeã carioca, do clube de ciclismo Monark, Rio). E se eu perdesse aquela prova, perdia o decatlo. Ela saiu e fez o percurso de 3.100m me 2 minutos, 22 segundos e 25 décimos. Meu Deus, eu nem tinha bicicleta! Pedi a bicicleta da Ana Maria emprestada. Subi e saí feito louca. Usei a única coisa que saberia usar naquele esporte: minha força muscular. Para fazer a primeira curva quase que fui para o chão. Continuei, porém, o mais rápido que pude. Nos 100m metros finais eu fechei os olhos e pedalei. Concluí o percurso em 2 minutos, 22 segundos e 22 décimos! Ganhei da campeã carioca com a bicicleta dela. Quase ganhei junto uma inimiga, mais fui a primeira colocada no decatlo.

No dia seguinte precisei tomar soro por causa desgaste físico a que tinha me submetido. E, como prêmios, recebi uma bicicleta Calói, uma enciclopédia Delta Larousse, um tênis não me lembro de que a marca…

As coisas eram feitas mesmo por amor à arte. Em 1963, lá estava eu, competindo na prova de decatlo pelo Flamengo. Então eu já sabia manejar o arco e tudo. E não é que ganhei?

Em 1964, confesso que foi bem mais difícil. Mas a verdade é que acabei tri-campeã de uma modalidade a que me dedicara por brincadeira.

Fiz isso sem deixar de jogar basquete. Em 1963, na Seleção Brasileira, fui campeã sul-americana. Em 1964, com a Seleção Carioca, campeã brasileira, título que se repetiu em 1965 e 1966.

O decatlo ficou nos jornais da época e nas minhas recordações. Considerada muito pesada, essa competição foi extinta logo em seguida.

Os anos férteis

Em 1967, a Seleção Brasileira de Basquete Feminino ganhou o pan-americano em Winnipeg (Canadá) e o sul-americano de Cali (Colômbia). Eu estava nos dois, titular o tempo todo. Foi neste ano ainda que recebi a medalha do Mérito do Basquetebol, honraria reservada pela Confederação Brasileira de Basquetebol a pouquíssimas atletas e beneméritos deste esporte.

Foi em 1967 também, que me formei em Educação Física pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, naquele tempo chamada Universidade do Brasil. E, embora imensamente do Flamengo _ a torcida, os dirigentes, as colegas do time _ era isso que eu esperava para poder voltar a São Paulo, para onde já havia se mudado a minha família (que, eu sabia, precisava de mim).

O convite adequado para as minha necessidades veio da Prefeitura de São Caetano do Sul _ cidade próxima à São Paulo _ que resolvera investir no basquete. Só que lá não havia um time com infra-estrutura, técnico, nada. Eu vim para jogar e acabei, durante boa parte de 1968, sendo técnica da equipe.

Ganhamos os Jogos Abertos do Interior e o campeonato regional (junho de 68), mas a carga de acumular as obrigações de jogadora e técnica era muito pesada. Começamos a procurar um técnico. Foi quando surgiu o Waldir Pagan Perez, que eu conhecia dos velhos tempos de Jacareí. Sem que o Waldir modificasse uma virgula do nosso treinamento, nós ganhamos _ Delcy, Angelina (portuguesa), Odete, Regina, Didi, Angelina Bizarro, Elzinha, Marlene, Rosália e eu _ todos os títulos que disputamos em 1969.

Em 1970, fomos convocadas para a Seleção Brasileira que disputaria o sul-americano na Bolívia. Forcei um pouco a barra e Waldir acabou indo como técnico. Ele já tinha se aprimorado, feito m curso de basquete nos Estados Unidos.

Na verdade, eu fui dando dicas: conhecia todas as atletas sul-americanas, que já tinha enfrentado várias vezes. Conhecer as adversárias é básico, porque agente tem que estar preparada para não ser surpreendida na quadra. Embora um jogo seja sempre diference do outro ( mesmo com as mesmas atletas, há certos pontos que agente pode prever ou antecipar). A seleção soviética, sob a técnica Ljdia Alejeeva, tem jogadas ensaiadas para cinco, dez, quinze, vinte, vinte e cinco e trinta segundos. E elas fazem estas jogadas como relógios. Acho que vai demorar muito tempo para que alguém possa destruir essa perfeição. Entrar na quadra sabendo como a adversária vai se comportar, facilita as coisas. Posso dizer que sei, até hoje, de cor como tinha de marcar essa ou aquela jogadora desta ou aquela seleção. E que isto _ diante as maiores craques do basquete feminino do mundo _ sempre foi a base do meu trabalho.

Vou falar um pouco destas grandes atletas e como eu as enfrentava no próximo capítulo. Mas não sem antes dizer que fomos campeãs sul-americanas na Bolívia. Como já havíamos sido em 1968, em Santiago do Chile. Não sei se seria falta de modéstia dizer que o Brasil tinha, na minha época um time invencível do lado de baixo de Equador. Houve sim uma hegemonia muito grande do nosso basquetebol pela América do Sul afora, na década de 60 e princípios dos anos 70.

Aliás em 1965, a Seleção Brasileira foi escolhida pela FIBA _ Federação Internacional de Basquetebol _ para fazer duas partidas com a Tchecoslováquia. Nessas paridas o COI _Comitê Olímpico Internacional_ decidiria se o basquete feminino já tinha nível técnico para fazer parte das Olimpíadas. Perdemos essas duas partidas, mas sempre de muito pouco. No entanto, nessa mesma viagem, perdemos apenas para a Alemanha Oriental. Ganhamos das seleções da França. Itália, Alemanha Ocidental, Espanha e Portugal.

Não que as européias jogassem menos. Elas tinham um estilo de jogo mais técnico, simples e objetivo, um esquema tático mais rígido. A Seleção Brasileira tinha um estilo de jogo-show, menos duro, mais versátil e, muito aqui entre nós, tínhamos uma facilidade de assimilar as coisa com mais rapidez. Como a tal história de aprender a marcar cada uma das adversárias muito rapidamente.

A despedida

Todo atleta tem que saber a hora de parar. Parar muito cedo é desperdício de talento. Parar quando a noite é alta, deixar o seu declínio físico ficar público, é expor-se ao ridículo. A frase “ela não é mais a mesma” é o que pior pode se ouvir dentro de uma quadra.

Eu sempre que ia para um treino, só tinha hora para começar. Nunca pensava na o hora em que o treino acabaria. Quando me dei conta de que estava preocupada com a hora do fim do treino, concluí que deveria “pendurar o tênis”.

Não houve nenhuma despedida, nenhuma festa, nenhum jogo especial. Eu simplesmente deixei de vestir o uniforme e entrar na quadra. Não vou dizer que foi fácil. A convivência com a bola, a alegria da vitória, a dureza da derrota fazem parte da gente. Para um esportista viver sem jogar é viver com um numero muito menor de emoções.

E quantos convites do tipo “joga só mais três meses” a gente tem que, contra a vontade, recusar. O lema é não amolecer. Para parar é essencial parar de uma vez, cortar a emoção com um golpe seco, sentir a dor uma vez só.

Pouco depois da minha saída o São Caetano (último time me que joguei) ia disputar uma final dificílima, do campeonato do interior, com o Santo André. Então nosso técnico, Waldir Pagan, me pediu que vestisse o uniforme e fosse para o banco, apenas para fazer uma guerra psicológica contra o Santo André. Eu fiz isso, com a condição de não entrar de maneira alguma. Vi, ali do banco, meu time empatar, ir para a prorrogação e perder. Sei que poderia ter ajudado. Não existem palavras para contar o que senti naquele jogo. No entanto, cumpri minha promessa. Ainda fiquei por ali, no São Caetano uns dois anos. Eu era responsável pelo condicionamento físico da equipe e auxiliar do técnico, depois fui técnica. Não sei se fui ficando por insistência deles, por falta de coragem de sair de uma vez, por hábito… Lá, do lado de fora da quadra era como se eu estivesse dentro…

O apito final do último jogo de uma atleta é melancólico. Não é, entretanto, o apito final de tudo. Há sempre uma maneira de continuar participar deste jogo maior que é a VIDA.

Foto Histórica: Norminha marcando a gigante Semenova (União Soviética) no Mundial de 1971

Foto histórica: Norminha marcando a gigante Semenova (União Soviética) no Mundial de 1971