Basquetebol Europeu · Opinião do autor · Todos os posts

LDB Europeia

Amigos do Basquetebol

Agora escrevo esporadicamente no blog. E neste post vou abordar um assunto que me parece bastante interessante.

Você poderia imaginar os seguintes jogadores atuando na LDB aqui no Brasil?

Doncic (Eslovênia), Markanem e Timma (Finlândia), Saric (Croácia), Schroder (Alemanha), Hernannsson (Islândia),  Porzingis (Letônia), Hernangomez (Espanha) e Osman (Turquia)

Pois bem, todos esses jogadores citados (e outros que poderiam estar nessa lista) tem idade variando entre 18 e 24 anos. Isto significa que estariam ainda jogando ou estiveram jogando na nossa LDB pelo menos em 4 edições.

São atletas protagonistas em suas equipes e que em média jogam cerca de 30 minutos, anotam cerca de 20 pontos, pegam algo perto de 8 rebotes e ainda dão cerca de 5 assists por jogo.

Alguns atuam na NBA já com certo destaque.

Isto me leva a uma reflexão e a uma grande dúvida. Porque atletas tão jovens já são protagonistas em suas seleções e por aqui isto ainda é um grande problema?

Seria pelo desempenho técnico somente? Seria pela experiência internacional adquirida desde a base disputando campeonatos continentais, mundiais e olímpicos? Seria porque jogam em equipes de grande poderio, principalmente na Europa?

Sinceramente, não sei a resposta. O que sei é que se não prepararmos nossas novas gerações para atuar em nível internacional continuaremos sofrendo e vendo nosso basquetebol cada vez mais se afastando das grandes potências.

Enfim, não sei se exagero mas esta é a minha visão da situação.

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A crônica da morte anunciada

Amigos do Basquetebol

Sinceramente, alguém esperava algo diferente do que aconteceu na Copa América Feminina?

Ficamos fora do Mundial, fato que não ocorria desde 1959.

Era o que faltava para sacramentar aquilo que a maioria já esperava. Depois dos fracassos nas últimas competições internacionais, nosso feminino conseguiu a proeza de perder para equipes “poderosas” e “com muita tradição” como Ilhas Virgens e Porto Rico.

Sem falar na chacoalhada que tomamos da Argentina, nosso eterno freguês no feminino.

Os problemas? Acho que todos conhecem.

Culpar comissão técnica? Culpar jogadoras?

Como sobreviver em uma realidade que nos mostra um basquetebol feminino baseado em meia dúzia de times, cujas jogadoras praticam revezamento, jogando uma ano em cada um deles?

Como sobreviver em uma realidade em que campeonatos de base praticamente não existem?

Como sobreviver se o maior centro de basquetebol do país ( será que ainda é???) não tem uma equipe sequer no campeonato nacional e quase nenhuma nos campeonatos de base?

Enfim, alguém em sã consciência acreditaria ainda que o Brasil pudesse fazer mais do que fez nessa Copa América?

Que me desculpe o esforçado narrador do Esporte Interativo que disse que o Brasil ficou fora mas saiu de cabeça erguida e que temos que nos orgulhar da equipe. Não dá prá ficar com essa desculpinha esfarrapada.

Que essa vergonhosa desclassificação sirva para dar uma chacoalhada na atual gestão e que ela efetivamente enfrente os problemas do feminino para que novos vexames não venham a ocorrer.

Triste, mas é a nossa realidade.

Jogos Olímpicos · Opinião do autor · Todos os posts

Há um ano

Amigos do Basquetebol

Há um ano estava eu começando a participar da minha quarta olimpíada. Desta vez diretamente envolvido nos Jogos como acompanhante da seleção masculina de basquete da Venezuela.

Foram momento de grande emoção, muito trabalho, encontros maravilhosos e a sensação e estar no olho do furacão.

Uma rotina diária, da pousada à Vila Olímpica, ao centro de treinamento e às arenas de jogos. Nas folgas passeios pela Vila, assistir jogos de basquete, handebol, ciclismo, ver o atletismo e encontrar grandes amigos para curtirmos juntos momentos incríveis.

Se me perguntassem se eu era a favor dos Jogos no Brasil eu diria que, considerando a situação do país estaríamos entrando numa barca furada. Mas considerando as oportunidades para o esporte nacional com certeza eu era a favor.

A desconfiança era grande mas a garra do povo brasileiro fez tudo funcionar.

Mas, a realidade nos mostrou um quadro desolador para o esporte e para o país. Venderam uma imagem que tudo melhoraria, que o país ganharia com a infraestrutura que estava sendo construída, com as instalações esportivas e outras mentiras que o povo, em geral, em sua humildade, ou até mesmo em sua ignorância, comprou de olhos fechados.

E agora, um ano depois, o que vemos? Uma grande decepção com os resultados pós Jogos. E não me refiro aos resultados obtidos nos campos, quadras e piscinas.

Refiro-me aos resultados reais à economia do país, afundado em dívidas. Refiro-me às instalações esportivas apodrecendo com o  descaso das autoridades. Refiro-me a tudo que foi prometido e não foi entregue e aos bilhões gastos em obras superfaturadas e que muitas nem chegaram a ser iniciadas.

Mais uma vez o Brasil perdeu o bonde do tempo. Nosso esporte continua moribundo, nossa população continua sendo privada da possibilidade de praticar atividades físicas em locais minimamente decentes. Nossas escolas continuam abandonadas, assim como a saúde e a segurança.

E onde estão os responsáveis por toda essa enganação? Com certeza, estão saboreando seus whiskies e caviares aproveitando a dinheirama que foi parar em suas contas bancárias quando deveria ter sido utilizada para o bem da população.

A imagem de potência olímpica que querem nos enfiar goela abaixo só engana aqueles que não têm a mínima noção do que seja ser uma potência olímpica. Uma potência olímpica começa com educação e saúde de qualidade. Oportunidade de prática esportiva para todos e não somente para uma elite. Investimentos na base e na educação física.

Ganhar medalhas não significa ser um país esportivo. Melhor que meia dúzia de medalhas seria termos milhões de crianças na escola correndo e se divertindo com o esporte. Mas até isso parece que está sendo tolhido pela ação de “filósofos” da educação física que criminalizam o esporte dentro das escolas.

Enfim, apesar de tudo isto, a experiência de ter participado diretamente dos Jogos Olímpicos, como voluntário, foi maravilhosa. Que fiquem guardadas essas lembranças.

Jogo Venezuela 2

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A escolha do novo técnico

Amigos do Basquetebol

Recentemente a CBB anunciou o novo técnico da seleção adulta masculina.

E toda a vez que se faz uma escolha há discussão, polêmica, contradições, etc..

Cesar Guidetti foi o escolhido juntamente com o Bruno Savignani de Brasília. O trabalho realizado pelo “Cesinha”, como é conhecido, nesta última temporada no Pinheiros e seu histórico de trabalho em categorias de base, com certeza, o credenciam para o cargo. O mesmo pode-se falar do trabalho do Bruno.

No entanto, muitos como eu esperávamos que houvesse continuidade do trabalho iniciado há 8 anos sob o comando do Magnano, que teve durante todo esse tempo como assistente técnico o Neto e posteriormente Demétrios e Gustavinho.

Neto seria, sem dúvida, a escolha natural pelo seu trabalho no NBB (sendo o técnico mais vitorioso do NBB) e por toda a experiência internacional acumulada  com participação em dois Mundiais, dois Jogos Olímpicos, Copa América além dos títulos da Liga das Américas e Copa Inter Continental pelo Flamengo.

É claro que, as escolhas têm seus critérios técnicos, meritocráticos e políticos. E é uma atribuição do presidente da CBB. Aqui não se trata de contestar essa escolha, pois como já disse foi merecida pelo trabalho que vem sendo realizado pelo Cesinha.

Mas o que soa estranho é o fato do técnico ter sido anunciado como “interino. O que isto significa?

Está sendo testado? Ainda não tem a total confiança da CBB? Está tapando buraco para que na hora das Competições mais importantes (como Mundial em 2019 e Jogos Olímpicos em 2020) outro assuma o lugar?

Enfim, nós do basquetebol, temos que apoiar e torcer para que nosso basquete retome seu rumo. Mas para que isto aconteça, temos que pensar a longo prazo e para isto o técnico tem que estar seguro na continuidade do trabalho.

Torço para que o Cesar e toda a Comissão Técnica, façam um bom trabalho, pois competência para isto têm de sobra e que seja apoiada por toda a comunidade “basqueteira” mas, principalmente pela cúpula da CBB. Que ela não seja “descartada” em função de algum mau resultado e que os “interinos” tornem-se efetivos para que realizem um trabalho planejado e a longo prazo.

NBB · Opinião do autor · Todos os posts

A força da LDB

Amigos do Basquetebol

Depois de umas férias merecidas (afinal ser aposentado não é fácil) volto mais uma vez para o Viva o Basquetebol em um momento muito especial do nosso basquetebol.

Estamos vivendo as finais do NBB, nosso mais importante campeonato e constatando uma mudança muito interessante no retrato desse campeonato que trouxe para as semifinais equipes que apostaram nos jovens talentos.

Evidentemente que aqui não se trata de menosprezar as equipes que investem altos em atletas consagrados como é o caso do Flamengo e de Bauru que optam por esse tipo de modelo de montagem de equipe. Mas sim de enaltecer o aproveitamento dos jovens talentos que surgem no nosso basquetebol, mas que, nem sempre, têm o devido reconhecimento e espaço nas equipes.

O que vimos e estamos vendo nessa trajetória final do NBB é o predomínio de equipes que não tiveram medo de dar oportunidade a jovens que surgiram, em sua maioria , do maior projeto de base já surgido neste país desenvolvido pela Liga Nacional de Basquete, promotora do NBB. Refiro-me à LDB (Liga de Desenvolvimento de Basquete).

Participei como coordenador de praticamente todas as edições deste evento e pude ver “in loco” o aparecimento de promessas que hoje se mostram totalmente preparadas para assumir o protagonismo do do nosso basquetebol.

Ver atletas que iniciavam sua trajetória na LDB e que hoje defendem de forma brilhante suas equipes é um prazer muito grande. É simplesmente o coroamento de um trabalho incessante que envolveu e envolve muita gente (dirigentes, técnicos, comissões técnicas e árbitros) e que deve ser elogiado de forma muito eloquente.

Não posso aqui cometer injustiças e citar nomes, correndo o risco de esquecer muita gente que passou por esse processo de formação (já que cabeça de aposentado também tira férias).

Mas como uma homenagem a todos esses garotos que hoje são as estrelas do NBB destaco que na final  (Paulistano  x Bauru) temos cerca de 15 jovens oriundos da LDB que dão colorido especial ao espetáculo, muitos deles assumindo a posição de titularidade de suas equipes.

Desta forma só me resta agradecer a Liga pelo projeto LDB e torcer para que ele continue. Tenho a certeza que o basquetebol brasileiro terá muito a lucrar com essa iniciativa.

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2017: Feliz Ano Novo para nosso Basquete?

Amigos do Basquetebol

Será que em 2017 podemos esperar um ano novo melhor para o nosso basquetebol?

Esperemos que sim.

Depois de um ano de 2016 que devemos esquecer só podemos ter esperança que algo de bom aconteça e que nosso basquetebol ressurja das cinzas, ou do limbo, ou do fundo do poço, como quiserem.

Decepção nos Jogos Olímpicos com campanhas pífias do feminino e do masculino.

Cancelamento de campeonatos de base por falta de investimento e, talvez, vontade política. Ou ainda por total desprezo por essas categorias.

Ausência em competições internacionais de base, eventos que são sumamente importantes para a preparação de nossas futuras seleções.

E finalmente, a cereja do bolo. A suspensão da CBB por parte da FIBA que cansou da gestão de brincadeirinha (ou incompetente, se preferirem) dos nossos dirigentes.

Triste ano para aquele que já foi o segundo esporte na preferência popular em nosso país.

O primeiro esporte a trazer uma medalha olímpica em esportes coletivos para o Brasil e repetir o feito mais duas vezes no masculino e duas vezes no feminino.

O esporte três vezes campeão mundial e que se manteve entre as quatro potências do mundo durante muito tempo, reinando soberano na América do Sul.

O esporte que produziu atletas de grande qualidade  (só vou citar quatro, homenageando  todos os demais): Wlamir e Amaury; Paula e Hortência.

O esporte que tem grandes nomes no Hall da Fama e no Naismith Memorial: Hortência, Paula, Amaury, Oscar, Bira, Righetto, José Cláudio dos Reis, Kanela.

O esporte que teve grandes técnicos e mestres reconhecidos internacionalmente (também cito somente quatro, também homenageando todos os técnicos que dedicam a vida ao basquetebol): Pagan, Barbosa, Daiuto e Kanela.

O esporte que teve árbitros apitando finais olímpicas e mundiais: Righeto, Affini, Renatinho e Maranho.

Enfim, o esporte que deu muitas alegrias a este país.

Quem sabe esse nosso passado glorioso nos façam esquecer o presente negro e nos leve para um futuro brilhante.

Feliz Natal e um ótimo 2017.

O Viva o Basquetebol retornará em janeiro.

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E o nosso basquetebol feminino???

Amigos do Basquetebol

Vai começar o Campeonato Nacional de Basquetebol Feminino. E novamente teremos somente seis equipes, sendo três do Estado de São Paulo (Santo André, Presidente Venceslau e Corinthians Americana), uma de Santa Catarina (Blumenau), uma do Recife (Uninassau) e uma do Maranhão (Sampaio Correia).

E o que podemos esperar deste campeonato novamente reduzido a poucas equipes?

Há tempos que nada se faz para melhorar a condição do basquetebol feminino no Brasil.

Nossos campeonatos de base são insuficientes para destacar novos valores.

Tenhamos como exemplo o que acontece no Estado de São Paulo, o maior estado do país com uma grande tradição no basquetebol nacional.

De acordo com o site da Federação Paulista (www.fpb.com.br) neste ano foram disputados seis campeonatos:

Sub 13 – 7 equipes

Sub 14 – 6 equipes

Sub 15 – 8 equipes

Sub 17 – 10 equipes

Sub 19 – 5 equipes

Adulto – 6 equipes

A FPB ainda realiza festivais para clubes, escolas e instituições reunindo cerca de 20 participantes.

São números para serem comemorados em um estado como São Paulo?

Ressalte-se que da capital paulista nesses campeonatos temos somente as equipes do Juventus , SESI e Centro Olímpico. Isto em universo de 12 milhões de habitantes.

Realmente parece que nosso basquetebol feminino está fadado a um futuro pouco promissor e que só acontece por conta de abnegados que não entregam a “rapadura”. E é por causa desses abnegados que a coisa ainda não morreu.

Quando será que teremos um projeto real para melhorar o feminino?